Para Lena Dunham, ser famosa e ficar doente são experiências indissociáveis. A diretora da série "Girls", além disso, aponta outra semelhança: são coisas impossíveis de explicar para os outros. Só quem sente na pele sabe dizer como é.

Em "Doente de Fama", seu segundo livro de memórias, ela conta como o sucesso profissional levou ao declínio da sua saúde física e mental. Aos 40 anos, a escritora americana —que tem a palavra "doente" tatuada na nuca— diz ter feito as pazes com o próprio corpo.

A obra revisita o período de "Girls", programa que Dunham criou quando tinha 23 anos, com detalhes extensivos de seus prontuários médicos. Se, por um lado, ela festejava o cheque de 60 mil dólares pelo piloto, por outro, vivia episódios de dissociação que se tornaram comuns ainda na primeira temporada.

Dunham pesa a mão nas descrições de doenças. Escreve com minúcia sobre seu transtorno de estresse pós-traumático e sobre o quadro de endometriose que levou à remoção de seu útero e ovários.

Enquanto "Girls" estava no ar, cada sinal de fragilidade era silenciado com remédios. Tudo culminou na internação em uma clínica de reabilitação —o medo de fracassar sempre falava mais alto que as conquistas, como vencer o Globo de Ouro ou manter bons números de audiência.