A estatal ainda está buscando atualmente R$ 7 bilhões com credores privados, como parte da estratégia para reverter os resultados negativos dos últimos anos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 No primeiro trimestre deste ano, os Correios registraram um rombo de R$ 3,1 bilhões, depois de um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 — Foto: Marina Calderon/Agência O Globo A equipe econômica discute a possibilidade de fazer parte do aporte prometido aos Correios ainda este ano e vai levar a proposta para a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes do envio do projeto de lei orçamentária anual (Ploa). A capitalização de ao menos R$ 6 bilhões consta do contrato firmado pela estatal com um grupo de bancos no fim do ano passado no âmbito da concessão do empréstimo de R$ 12 bilhões e deve ser realizado até o fim do ano que vem. Até o momento, nenhum valor foi repassado à empresa pela União. A capitalização de empresas estatais representa uma despesa discricionária e tem de ser contabilizada dentro do limite de gastos do arcabouço fiscal. Pelas restrições orçamentárias, a ideia inicial era de que o aporte fosse realizado no ano que vem, mas integrantes da equipe econômica veem espaço para absorver pelo menos uma parcela da capitalização dentro das regras fiscais ainda em 2026, sobretudo devido aos resultados colhidos com as medidas de revisão e limitação de gastos. Atualmente, há R$ 17,9 bilhões em despesas discricionárias bloqueadas no Orçamento devido ao estouro nas projeções de gastos obrigatórios, que exige pagamento pelo governo. No entanto, há possibilidade de liberação parcial nos próximos relatórios bimestrais, uma vez que a equipe econômica foi bastante conservadora na contenção realizada no primeiro semestre. Em maio, foram retidos R$ 23,7 bilhões de despesas, mas R$ 5,7 bilhões foram liberados em julho. Segundo um interlocutor, não será pedido nenhum tipo de exceção. A decisão final sobre o momento de capitalização dos Correios, no entanto, será tomada por Lula. Essa definição terá que ser feita até semana que vem, porque o Ploa tem de ser enviado ao Congresso até o dia 31 de agosto. Se ficar decidido que a parte da capitalização será realizada este ano, o governo poderá prever um gasto menor na peça orçamentária do ano que vem. Em tese, uma injeção de recursos da União nos Correios ainda em 2026 poderia diminuir a necessidade de um empréstimo adicional na estatal. Mas, para tal, a empresa precisaria de previsibilidade de quando o dinheiro entraria em caixa para afastar o risco de paralisação por falta de dinheiro. A estatal está buscando atualmente R$ 7 bilhões com credores privados, como parte da estratégia para reverter os resultados negativos dos últimos anos. Os Correios fecharam 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, o pior resultado da história, e o rombo deve chegar à casa de R$ 10 bilhões este ano. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões. Para tentar sair do buraco, a empresa está em meio a um processo de reestruturação, com medidas de corte de gastos e aumento de receitas. Nesta quinta-feira, foi aberto novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) mirando 7 mil funcionários, após a primeira iniciativa deste ano ficar abaixo da meta.