0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O plenário da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — Foto: Léo Pinheiro / Valor As ações da Oncoclínicas acumulam alta de 67% esta semana, depois de a companhia reportar um salto de mais de três vezes no prejuízo líquido do segundo trimestre, para R$ 475,7 milhões. Os analistas de bancos e corretoras não entenderam a disparada dos papéis, mas investidores atribuem pelo menos parte dela à decisão tomada em uma repartição da Rua Sete de Setembro, no Centro do Rio: a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu julgar, na próxima terça-feira, a OPA (oferta pública de aquisição) multibilionária da Oncoclínicas. O problema é que a CVM só oficializou a pauta do julgamento na noite de ontem — ou seja, a informação valiosa vazou justamente do órgão que deveria coibir o uso indevido de informação privilegiada… A decisão da CVM de julgar o caso foi antecipada por Lauro Jardim, do GLOBO, na segunda-feira. Depois da notícia, as ações da Oncoclínicas saltaram 30% naquele pregão. No dia seguinte, a alta seguiu, com os papéis avançando 10%. Na quarta, a valorização foi de quase 15%. Nesse período, a CVM não divulgou qualquer informação sobre a pauta de julgamento. Internamente, a justificativa alegada era que a pauta das reuniões do colegiado, que costumam acontecer às terças-feiras, só é decidida na quinta-feira anterior. Logo, não havia nada decidido. Só que, ontem à noite, a pauta oficial confirmou: o julgamento vai acontecer mesmo no dia 25, a data que vazara dias antes. Em julho, como contou a coluna, outra informação valiosa da CVM vazou, fazendo preço no mercado, sem que o órgão a divulgasse prontamente. A informação em questão foi o resultado da votação que, por dois votos a um, deu sinal verde à OPA da Brava pela colombiana Ecopetrol. Os diretores contrariaram parecer da área técnica do próprio órgão. (Votou contra a operação a diretora Marina Copola.) Muito dinheiro em jogo Ferramenta de proteção aos minoritários, uma OPA obrigaria a Centaurus a pagar aos acionistas da rede de clínicas em crise um valor superior a R$ 16 por ação, que hoje vale pouco mais de R$ 1 na Bolsa. A origem do caso foi a reorganização da fatia do Goldman Sachs na Oncoclínicas, concluída em novembro de 2024. Naquela ocasião, um fundo da gestora americana Centaurus passou a deter mais de 15% da companhia de tratamento oncológico, um dos gatilhos para a realização da OPA, segundo o estatuto da companhia. Enquanto a Centaurus alega que já era acionista desde o IPO, por meio dos fundos do Goldman Sachs, a gestora brasileira Latache — grande acionista da Oncoclínicas — recorreu à SRE da CVM para pedir uma OPA.
Informação da CVM que faz preço na Bolsa vaza do órgão mais uma vez
Informação da CVM que faz preço na Bolsa vaza do órgão mais uma vez









