A maioria dos artistas americanos e europeus evita se apresentar na Rússia, alvo de duras sanções após o início da guerra contra a Ucrânia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O rapper Kanye West — Foto: Jean-Baptiste Lacroix/AFP O anúncio de dois shows do rapper Kanye West em um estádio russo ainda este ano provocou um frenesi na imprensa e no cenário político local, a ponto de o porta-voz de Vladimir Putin ser questionado nesta quinta-feira (20) sobre se o presidente se reuniria com o cantor. O artista americano, que também usa o nome artístico Ye, se apresentará na Gazprom Arena, em São Petersburgo, nos dias 10 e 11 de outubro, no que será o maior espetáculo de um artista ocidental desde que Moscou lançou sua ofensiva contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022. A maioria dos artistas americanos e europeus evita se apresentar na Rússia, alvo de duras sanções após o início da guerra. West tem um grande número de fãs na Rússia, e mais de 100 mil ingressos para os shows já foram vendidos, segundo a imprensa russa, que cita os organizadores. Durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi questionado sobre a existência de planos para que Putin se reunisse com West. "Não é assunto nosso. Isto aqui não é a Mosconcert", respondeu Peskov ao jornalista, em referência a uma agência cultural russa. "Isto aqui é a Administração Presidencial", acrescentou, sem descartar explicitamente uma possível reunião. Parlamentares e autoridades também se juntaram ao alvoroço. Embora um deles tenha agradecido a West por não ceder à "histeria antirrussa", o deputado Nikolai Novichkov criticou as declarações do rapper que glorificam o líder nazista Adolf Hitler. West provocou indignação generalizada com comentários em que elogiava Hitler, uma música intitulada "Heil Hitler" e a venda, em seu site, de camisetas com uma suástica. Segundo a legislação russa "contra a reabilitação do nazismo", a negação do Holocausto e a divulgação de informações falsas sobre o Terceiro Reich podem ser punidas com vários anos de prisão. Essa lei é utilizada com frequência para perseguir críticos do Kremlin. Vários países - entre eles Reino Unido, França e Polônia - proibiram West de se apresentar em seus territórios neste ano.