Não fosse quase no Alasca (ou quase em Vladivostok), Vancouver seria uma opção natural do viajante brasileiro que decide conhecer o Canadá. A cidade à beira do Pacífico, com cerca de 40% de população imigrante, talvez peque por não lembrar em nada o Canadá estilo pequena-Europa de Quebec ou de Montreal.

Vancouver está mais para as capitais "high-tech" do sudeste asiático, seja no "skyline" dos arranha-céus, seja nos recortes litorâneos, e, aqui e ali, na irrupção do tabuleiro de uma ponte impressionante ou da passagem ordinária de um monotrilho.

Mas Vancouver, por outro lado, não se presta muito bem à locação de mais um remake de "Blade Runner". Não há ali o frenesi de uma Hong Kong, por exemplo. Se comparada a Tóquio, a cidade estaria talvez mais para Yanaka, o antigo bairro dos izakayas (tradicionais botecos japoneses) e dos cemitérios xintoístas, do que para Ginza, com suas marcas internacionais e luminosos.

Esse espírito mais relaxado está bastante expresso no Stanley Park, um parque a poucas quadras do centro em que praias, trilhas, farol e a visão da impressionante Lions Gate Bridge se sucedem numa caminhada de menos de duas horas.

Como se isso já não fosse suficiente, numa das pontas do parque fica o sensacional conjunto de esculturas A-Maze-Ing Laughter, de Yue Minjun, espécie de antidepressivo a que todo o cidadão do século 21 deveria ter acesso pelo menos uma vez ao dia. As peças de tamanho natural de pessoas sorridentes certamente injetam positividade ao mais empedernido dos passantes.