Para o ministro do TSE, vídeo reproduz imagens falsas com aparência realista para associar o candidato ao ex-dono do Master 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master — Foto: Fotos de Brenno Carvalho/O Globo e Ana Paula Paiva/Valor O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta quinta-feira a retirada de um vídeo produzido com inteligência artificial que associa o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) ao ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro. Na decisão, o ministro afirmou que há indícios de uso de deepfake e ressaltou que o fato de a publicação se apresentar como uma “sátira” não é suficiente para afastar a proibição prevista nas regras eleitorais. O vídeo foi publicado em 14 de agosto pelo perfil “Brasil Sátira do Poder”, no Instagram, e, segundo a decisão, insere artificialmente Flávio em situações que não ocorreram, inclusive ao lado de Vorcaro e em cenas relacionadas ao recebimento ou transporte de dinheiro. A publicação traz a legenda “V de Vorcaro! A sátira musical que está dando o que falar!” e uma trilha sonora com referências à campanha eleitoral, a Vorcaro e ao recebimento de valores. A ação foi apresentada pelo PL, que alegou uso ilícito de inteligência artificial e propaganda eleitoral antecipada negativa. O partido pediu, entre outras medidas, a remoção do vídeo, a proibição de novas publicações e a identificação do responsável pelo perfil. Ao analisar o pedido, Mendonça afirmou que as imagens reproduzem de forma “fotorrealista” a fisionomia e as características físicas de Flávio, colocando-o em cenários realísticos e atribuindo a ele gestos, interações e situações que não ocorreram. Segundo o ministro, essa característica permite enquadrar preliminarmente o material como deepfake. Mendonça destacou que a legislação eleitoral proíbe o uso de conteúdo sintético em áudio ou vídeo criado ou manipulado digitalmente para alterar a imagem ou a voz de uma pessoa quando houver a finalidade de favorecer ou prejudicar uma candidatura. "Há, portanto, criação tecnológica de uma realidade audiovisual inexistente, com aptidão para se apresentar visualmente como registro de acontecimentos efetivos", escreveu Mendonça. Para o ministro, também há elementos que indicam a finalidade eleitoral do conteúdo. Ele apontou que o vídeo utiliza a imagem de um candidato à presidência, incorpora elementos de sua identidade visual de campanha e contém uma trilha sonora que constrói uma “associação depreciativa” entre Flávio e Vorcaro. Mendonça afastou, ao menos nesta análise inicial, o argumento de que o caráter satírico seria suficiente para permitir a divulgação do material. "A circunstância de a publicação apresentar-se como “sátira” não é suficiente, por si só, para afastar a incidência da norma", afirmou. Na sequência, o ministro acrescentou que a linguagem humorística pode ser considerada na análise do significado da mensagem, mas não elimina a existência de um conteúdo sintético que coloca uma pessoa real, de maneira realística, em situações inexistentes quando houver finalidade de interferir na disputa eleitoral.
Mendonça manda retirar vídeo que associa Flávio Bolsonaro a Vorcaro e diz que sátira não afasta proibição de deepfake
Para o ministro do TSE, vídeo reproduz imagens falsas com aparência realista para associar o candidato ao ex-dono do Master







