A ideia é que o operador tenha mais um recurso para lidar com a variação que ocorre ao longo do dia, especialmente, com o crescimento da energia solar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está preparando um sistema de proteção automático que envolve a interrupção temporária da geração de eletricidade de usinas que hoje não são alcançadas pela instituição, responsável por coordenar a geração em empreendimentos de grande porte e transmissão de todo o país. A instituição trabalha num plano piloto e planeja testá-lo nesta modalidade ainda este ano. A ideia é que o ONS, que equilibra a oferta de energia com a demanda, tenha mais um recurso para lidar com a variação que ocorre ao longo do dia, especialmente, com o crescimento da energia solar que, naturalmente, oferta mais eletricidade no meio do dia quando há menos demanda, mas deixa de contribuir ao anoitecer, quando o consumo aumenta. É o ONS que aciona plantas de diferentes fontes como hidrelétricas e termelétricas para equilibrar este arranjo. De acordo com o diretor de planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, os aspectos técnicos do plano já foram desenhados. Em setembro, eles serão apresentados às distribuidoras de energia que é quem, na prática, alcança as usinas que serão foco da iniciativa, caso seja necessário executá-la. A ideia é começar pelas usinas maiores de minigeração distribuída, de até 5 megawatts, que normalmente ofertam serviços de energia solar por assinatura. “A equipe propôs um arranjo de três estágios no ERAG [Estágio Regional de Alívio de Geração], algo como 1 gigawatt (GW) e 1,5 GW cada”, explicou após painel no evento Minuto Mega Talks, realizado pelo veículo setorial MegaWhat. A expectativa é que o mecanismo viabilize um alívio de até 3 GW. Ao todo, o país conta com 50 GW de geração distribuída. O diretor afirmou que o sistema é diferente do plano emergencial que tem sido adotado em momentos de pouca demanda e excesso de oferta de energia, como tem ocorrido, principalmente, em finais de semanas e feriados. A iniciativa atual é “manual” feita pelas distribuidoras conforme o comando do ONS e alcança apenas as chamadas “usinas tipo 3”, que incluem principalmente pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e a biomassa. Segundo o diretor, a iniciativa também não pode ser confundida com os cortes de geração renovável por razões sistêmicas, o curtailment, que tem atingido as usinas de grande porte. “Isso é uma discussão de natureza regulatória que a Agência Nacional de Energia Elétrica tem na sua agenda. O ONS está trabalhando com um sistema de proteção que tem o nome de corte automático de geração. É um esquema de proteção”, reiterou. Ele explicou que a lógica é similar à do Esquema Regional de Alívio de Carga (ERAC), sistema de proteção automático que desliga blocos de consumidores paulatinamente para evitar um apagão geral. A distribuidora que executará o sistema de modo piloto ainda não foi selecionada. O sistema não precisará passar pela aprovação de outras instituições como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “O ONS tem mandato para a implementação dos sistemas de proteção”, concluiu. — Foto: Shoeib Abolhassani/Unsplash