Furto de cabos é um dos fatores que contribuem para espalhar riscos por quase toda a cidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Parece uma forca: fio cortado e pendurado na Rua Bento Lisboa, no Catete — Foto: Marcia Foletto Em quase toda a cidade do Rio, a mesma cena de perigo se repete: fios e cabos soltos, pendurados ou abandonados em postes e calçadas, que ameaçam pedestres, ciclistas e motociclistas. O engenheiro elétrico Bruno Galdino recomenda que, na dúvida, a orientação é evitar encostar em postes com fiação exposta ou atravessar vias alagadas quando observar o desprendimento de material elétrico. Segundo ele, a depender da intensidade, choques podem matar. — Os fios das empresas de telecomunicações são mais finos e não têm cobre em seu interior, usados para conduzir eletricidade. Mas, na dúvida, é melhor evitar o contato com todos eles — alerta Galdino. O especialista explica ainda que é melhor manter a distância de postes quando há um desgaste no revestimento de fios energizados, que ficam entre a base da estrutura e o solo. Cena assim foi registrada nesta quarta-feira pelo GLOBO na Rua São Clemente, em Botafogo — um dos muitos perigos flagrados pelas equipes do jornal em poucas horas percorrendo, além de Botafogo, os bairros do Catete e da Glória, na Zona Sul; Centro e Lapa, na região central da capital; e Vila Isabel, Engenho Novo e Méier, na Zona Norte. Pedaços de fios saem da calçada na Rua São Clemente, em Botafogo. — Foto: Marcia Foletto No canal de WhatsApp da Editoria Rio do GLOBO (clique aqui para se inscrever), você também pode dizer se esse risco faz parte do seu cotidiano. Responda à enquete que busca saber quantos dos leitores do jornal veem fios caídos, pendurados ou cortados em seus caminhos para casa, para trabalho ou para o estudo. Até 11h40 desta quinta-feira, 98,3% das respostas eram sim. Em Botafogo, emaranhados em toda esquina Em Botafogo, bairro com ângulos emblemáticos do Pão de Açúcar e do Cristo Redentor, a chuva de fios soltos e os emaranhados nos postes estão por toda parte. Na Rua São Clemente, a fiação desordenada quase esconde a paisagem do Corcovado. Emaranhado de fios na Rua Real Grandeza, esquina com Pinheiro Guimarães, em Botafogo — Foto: Marcia Foletto A Rua São Clemente, uma das mais movimentadas da região, é cheia de armadilhas. Pedestres andam perto de cabos caídos na Rua São Clemente — Foto: Marcia Foletto O cenário por algumas ruas é de emaranhados de fios e cabos cortados. Na foto, rua São Clemente, esquina com Dezenove de Fevereiro, em Botafogo. — Foto: Marcia Foletto Fio pendurado na Rua São Clemente, em frente ao Colégio Santo Inácio, em Botafogo — Foto: Marcia Foletto Cabos que parecem forcas no Catete No histórico bairro do Catete, que já abrigou o centro do poder político do Brasil quando o Rio era capital federal, o cenário se repete. Na Rua Bento Lisboa, um cabo caído e enrolado está na altura da cabeça dos pedestres. Jovem se abaixa para tocar a cabeça em cabo pendurado na Rua Bento Lisboa, no Catete — Foto: Márcia Foletto Mais um cabo caído e enrolado no Catete, desta vez na Rua Santo Amaro — Foto: Marcia Foletto No Engenho Novo, um acidente Já na Zona Norte, a cuidadora de idosos Cristiane Baptista estava a caminho do trabalho quando a ponta de um fio solto bateu na cabeça dela na Rua Maria Antônia, no Engenho Novo. O cabo ficou preso ao cabelo da mulher, de 51 anos, que entrou em pânico com medo de levar um choque. — Eu estava descendo a (Rua) Maria Antônia, e um fio literalmente caiu na minha cabeça, grudou no meu cabelo e puxou, eu andando e o fio puxando. Eu me assustei muito. O pessoal que estava passando perto que me ajudou a tirar. Por sorte, o fio não estava energizado e não aconteceu nada pior — contou Cristiane. Depois do sustos, Cristiane Baptista brinca com sua amiga Joanildo Gomes, que aponta para um dos fios soltos do Engenho Novo — Foto: Amanda Rosa No bairro, que sofre com os furtos de cabos, há muitos fios soltos, alguns deles jogados no chão. Fios na calçada da Rua Barão do Bom Retiro, no Engenho Novo — Foto: Amanda Rosa Obstáculos atravessam os passos na Lapa, no Centro e em Santa Teresa Na área central da cidade, outra região muito afetada pelos furtos de cabos, pedestres podem tocar em fios soltos, baixos ou cortados. Fio na altura da cabeça dos pedestres na Rua do Rezende, no Centro — Foto: Márcia Foletto Mais fios ao alcance das mãos na Rua do Rezende, no Centro — Foto: Márcia Foletto Ponta de fio é um risco para quem passa perto de poste na Rua do Rezende — Foto: Márcia Foletto Fios ficam enrolados em poste, perto de placas de trânsito, na Rua do Rezende, altura da Gomes Freire, na Lapa — Foto: Márcia Foletto Na região, aos 88 anos, Antônio Ribeiro, que tem dificuldades para andar, acaba se apoiando em alguns postes ao transitar pela calçada. Para atravessar a Rua do Rezende, na manhã de quarta, ele se escorou em um deles, que estava repleto de fios caídos a poucos metros de seu braço, colocando-o em risco. Antônio Ribeiro, de 88 anos, tem dificuldade para se locomover e acaba se apoiando em postes com fios caídos para atravessar as ruas da Lapa, bairro em que reside — Foto: Amanda Rosa A sensação de perigo perto das fiações soltas também é sentida em Santa Teresa, que fica a poucos metros dali. — Eu fico insegura de andar perto desses fios, tenho medo de levar um choque, me acidentar — conta Mariana Silva, agente de saúde de 40 anos, que mora no bairro do tradicional bondinho. Bondinho de Santa Teresa, uma das principais atrações turísticas do Rio, passa por ruas repletas de fiações caídas e emaranhadas entre postes — Foto: Amanda Rosa Fio solto próximo à lixeira da Rua Monte Alegre, em Santa Teresa — Foto: Amanda Rosa No Méier ou em Vila Isabel, questões parecidas Cansados da convivência com a indesejada chuva de cobre, alguns de seus vizinhos até se colocam em risco para retirar os pedaços de cabos da rua. Fátima Carvalho costuma passear com a sua cadela pelas principais ruas do Méier e não se aguentou ao ver um emaranhado de fios ligados solto no chão na Rua Dias da Cruz. A motorista de 63 anos pegou a fiação com as próprias mãos e o amarrou no poste do qual eles derivam, o que não é recomendado por especialistas. — Tem vários sinais desativados por aqui e pelos bairros próximos porque eles (funcionários da Light) vêm, consertam, e no dia seguinte, alguém vai e rouba o fio. Eu acho que tinha que ter uma fiscalização noturna — afirma Fátima, que também observa que há grande incidência de furto de cabos na região, o que é um dos principais motivos de haver tantos fios picados. Fios amarrados no poste por fátima na Rua Dias da Cruz, no Méier — Foto: Amanda Rosa Em Vila Isabel, há postes que dão medo só de olhar. Poste caótico repleto de pedaços de cabos cídos e fios que se espalham pela calçada da Rua Visconde de Santa Isabel, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio — Foto: Amanda Rosa A questão, no entanto, não é restrita à cidade do Rio. Um fio baixo se enrolou no pescoço do professor de matemática e influenciador Paulo Pereira enquanto ele seguia de moto com a mulher, Natália, pela Rua Fagundes Varela, no Ingá, em Niterói, nesta semana. Apesar do susto, o educador está bem e não sofreu grandes danos físicos. Em nota, a Conexis Brasil Digital (que reúne as principais empresas de telecomunicações e conectividade do Brasil) informou que "as prestadoras de serviços de telecomunicações associadas à Conexis Brasil Digital seguem os padrões estabelecidos em regulamentos e normas técnicas para a instalação de fios e cabos nos postes e mantêm equipes de prontidão para manutenção permanente e atendimento de eventuais emergências. A fiscalização cabe à empresa proprietária do poste que deve acionar as empresas de telecomunicações para reparos em caso de necessidade." *Estagiária sob supervisão de Sanny Bertoldo