A catarata, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta mais de 94 milhões de pessoas e é uma das principais causas de deficiência visual e cegueira no mundo. Nesse cenário, entender as técnicas disponíveis, seus verdadeiros benefícios e limitações é essencial tanto para os pacientes quanto para quem formula as políticas de saúde.

Ela ocorre quando o cristalino –a lente natural do olho humano– começa a perder sua transparência com o tempo. Isso ocorre porque as proteínas se acumulam, o que deixa a lente opaca e faz a visão ficar turva, como se a pessoa olhasse o mundo por um vidro fosco. É um processo natural durante o envelhecimento.

Não existe, até o momento, um tratamento clínico capaz de reverter a catarata. A única opção eficaz é a cirurgia, que consiste na remoção do cristalino opacificado e sua substituição por uma lente artificial, chamada lente intraocular (LIO), para restaurar a visão. Hoje, esse é um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados no mundo, com milhões de operações feitas todos os anos. No Brasil, embora o SUS (Sistema Único de Saúde) realize mais de 600 mil cirurgias desse tipo por ano, ainda existe uma grande demanda não atendida.

A técnica mais usada é a facoemulsificação convencional. Nesse procedimento, o cirurgião faz pequenas incisões na córnea e utiliza uma ponteira de ultrassom para fragmentar o cristalino opacificado pela catarata, permitindo sua remoção por aspiração. Essa técnica é segura, amplamente consolidada e apresenta bons resultados.