Erin Patterson foi condenada à prisão perpétua por matar três parentes e tentar matar um quarto; acusação considera período mínimo de 33 anos 'manifestamente inadequado' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Erin Patterson chega ao Tribunal de Magistrados de Latrobe Valley, em Morwell, Austrália — Foto: Martin KEEP / AFP A promotoria da Coroa australiana pediu ao Tribunal de Apelação de Melbourne que Erin Patterson, conhecida como a "assassina dos cogumelos", nunca tenha direito à liberdade condicional. A acusação considera "manifestamente inadequada" a pena aplicada à mulher de 51 anos, condenada à prisão perpétua por matar três parentes e tentar matar um quarto ao servir um bife Wellington com cogumelos venenosos em sua casa, no estado de Victoria, em 2023. Pela sentença atual, Patterson poderá solicitar liberdade condicional depois de cumprir 33 anos de prisão. Durante a audiência de recurso, os promotores afirmaram que os crimes foram "verdadeiramente terríveis" e pediram que a condenada permaneça presa pelo resto da vida. Ao mesmo tempo, os advogados de Patterson tentam anular as condenações. O Tribunal de Apelação de Melbourne analisa os dois recursos e informou que reservará suas decisões. O resultado deverá ser conhecido apenas daqui a semanas ou meses. A assassina condenada Erin Patterson (E) deixa a Suprema Corte de Victoria, em Melbourne — Foto: William WEST / AFP As vítimas foram os sogros de Patterson, Don e Gail Patterson, ambos de 70 anos, e Heather Wilkinson, irmã de Gail, de 66. Os três morreram depois de sofrer o que os promotores descreveram como "doenças chocantes" provocadas pelo envenenamento. Ian Wilkinson, marido de Heather e único convidado que sobreviveu ao almoço, nunca se recuperou completamente, segundo a promotoria. 'Traição de confiança' Ao defender uma pena mais dura, os promotores destacaram o que classificaram como uma "traição de confiança". Os parentes haviam sido convidados para um almoço na casa de Patterson, que, segundo a acusação, havia planejado o crime durante meses. O plano teria incluído a busca e o preparo de uma quantidade suficiente de Amanita phalloides, conhecida como "cogumelo da morte", além da criação de uma "mentira fantasiosa" para justificar o encontro. — Os convidados do almoço haviam sido bons para a recorrida e seus filhos durante muitos anos — afirmaram os promotores. Segundo a acusação, Patterson permaneceu à mesa enquanto as vítimas consumiam a refeição em meio a conversas e brincadeiras. Depois, o almoço terminou com uma oração por ela, após sua mentira de que havia sido diagnosticada com câncer. A promotoria afirma que, mesmo depois de as vítimas começarem a apresentar sintomas graves, Patterson não contou que havia utilizado cogumelos colhidos na natureza. Segundo os promotores, ela também mentiu à polícia e aos profissionais de saúde. — Mesmo quando sabia que algumas das vítimas estavam recebendo suporte de vida, ela manteve suas mentiras — disseram. Por que a pena permite chance de liberdade Patterson foi sentenciada em setembro do ano passado. Ao determinar o período mínimo de 33 anos antes da possibilidade de liberdade condicional, o juiz Christopher Beale afirmou que concedia uma pequena esperança de libertação principalmente por causa das "duras" condições que ela enfrentaria na prisão. Segundo o magistrado, havia "uma probabilidade substancial de que, para sua própria proteção, você continue mantida em isolamento por muitos anos". A promotoria considera essa avaliação exagerada. Os promotores afirmam que as condições de Patterson podem melhorar com o tempo, especialmente à medida que a notoriedade em torno do caso diminuir. Durante a audiência, o promotor Brendan Kissane citou algumas das atividades disponíveis para a condenada, incluindo um pátio para exercícios e passatempos como crochê. Jornalistas presentes relataram que Patterson fechou os olhos e balançou a cabeça ao ouvir a descrição. A promotoria defende que ela nunca seja libertada. Caso o tribunal não concorde, pede ao menos que o período mínimo da pena seja aumentado. Os 33 anos foram classificados como "manifestamente inadequados". Em seus argumentos por escrito, os promotores afirmaram que o acréscimo de apenas três anos em relação aos 30 anos que poderiam ter sido estabelecidos "falha completamente em refletir a gravidade dos crimes ou em reconhecer a dignidade de cada uma das quatro vítimas". Defesa tenta anular condenações Os advogados de Patterson defenderam a manutenção da pena aplicada pelo juiz. Segundo a defesa, o raciocínio utilizado na sentença foi "irrepreensível", o magistrado "considerou claramente todas as questões relevantes" e fez "constatações apropriadas sobre a gravidade deste caso". A defesa também tenta anular as condenações. Os advogados sustentam que o julgamento do ano passado foi comprometido por uma confusão "catastrófica", porque os jurados acabaram hospedados no mesmo hotel que promotores e uma testemunha-chave. A equipe jurídica de Patterson também afirma que parte das provas apresentadas no julgamento era especulativa demais para ser submetida ao júri e que isso contribuiu para um erro judicial. Enquanto os dois recursos são analisados, Patterson permanece com a condenação à prisão perpétua e com a possibilidade de solicitar liberdade condicional após 33 anos, caso a sentença atual seja mantida.