O lifting facial ganhou espaço entre quem busca suavizar os sinais do envelhecimento sem alterar os traços que dão identidade ao rosto. A evolução das técnicas, especialmente as que trabalham planos mais profundos, ampliou a possibilidade de obter resultados mais naturais. Mas a aparência após a cirurgia é apenas uma parte da história. O pós-operatório também faz parte da experiência e pode envolver inchaço, hematomas, alterações temporárias de sensibilidade e movimento, além de um período de adaptação até que o resultado fique mais próximo do definitivo. Não existe, porém, um único tipo de lifting nem uma indicação que sirva para todos. A escolha da técnica depende das características do rosto, das áreas que incomodam o paciente e das condições para enfrentar uma cirurgia e sua recuperação. Para os cirurgiões plásticos Marcelo Rudy, Flávia Bonato e Beatriz Lassance, conhecer essas particularidades antes do procedimento ajuda a alinhar expectativas e a entender o que acontece nas semanas e meses seguintes. A seguir, sete pontos importantes sobre a cirurgia. 1. Não existe um único tipo de lifting O envelhecimento não acontece da mesma maneira em todos os rostos. Em algumas pessoas, a principal mudança aparece na linha da mandíbula; em outras, a região do pescoço concentra a flacidez. Também podem existir alterações de volume, nas pálpebras ou em diferentes estruturas faciais. "Em alguns pacientes, a principal queixa está concentrada na linha da mandíbula; em outros, o pescoço é a região que mais incomoda. Há ainda quem apresente perda de volume, alterações nas pálpebras ou diferentes graus de flacidez. Por isso, antes de decidir por um lifting facial, a avaliação individual é fundamental", comenta a Dra. Flávia, cirurgiã plástica com atualização em lifting facial com a técnica deep plane associada à lipoenxertia e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). "O planejamento considera as condições clínicas do paciente, seu grau de flacidez e quais são as estruturas comprometidas, além de sua capacidade de passar por uma cirurgia e pelo período de recuperação", completa. 2. O resultado não aparece imediatamente Nos primeiros dias, é esperado que o rosto esteja inchado e apresente hematomas e descamação. Esses efeitos podem se intensificar antes de começar a diminuir, segundo Marcelo. Por isso, observar a aparência logo após a operação não é uma boa referência para avaliar o resultado final. "O paciente precisa entender que existe uma diferença enorme entre o resultado inicial e o resultado amadurecido. Nos primeiros dias, o tecido está respondendo ao procedimento, existe inchaço associado à descamação da pele e as cicatrizes ainda estão em uma fase inicial de reparação", explica. O ritmo dessa evolução varia. O tempo necessário para que os tecidos desinchem, as cicatrizes amadureçam e o resultado se estabeleça depende de fatores individuais e da extensão da cirurgia. 3. Nem sempre é preciso combinar procedimentos É comum que o lifting seja associado a outras intervenções, mas isso não significa que uma série de procedimentos seja necessária para todos os pacientes. A indicação deve partir das alterações que se pretende tratar, e não de uma lista pré-definida de cirurgias. "Um dos erros é transformar a consulta em uma lista de procedimentos. O raciocínio deve ser o contrário: primeiro identificamos quais alterações queremos tratar e, depois, escolhemos as ferramentas mais adequadas para cada uma delas. Dependendo das características do paciente, procedimentos como blefaroplastia, lipoenxertia ou tratamentos complementares podem ser considerados. Em outros casos, o lifting isoladamente pode ser suficiente", diz Flávia. 4. A sensibilidade e os movimentos podem mudar temporariamente Dormência, formigamento e alterações na movimentação de algumas regiões do rosto podem ocorrer durante a recuperação. Isso acontece porque, durante a operação, os tecidos são manipulados e pequenos nervos envolvidos na sensibilidade e na motricidade precisam se recuperar. "O paciente pode perceber dormência, sensação de formigamento ou alteração na motricidade da musculatura facial, especialmente em regiões próximas às áreas operadas. Durante a cirurgia, a pele é descolada e reposicionada, e pequenos nervos responsáveis pela sensibilidade e motricidade precisam passar por um processo de recuperação. Por isso, é possível que determinadas regiões apresentem sensação e movimentação diferente durante um período", esclarece Marcelo. A recuperação acontece progressivamente, mas não segue o mesmo ritmo para todos. A extensão da cirurgia também influencia esse processo. 5. O pós-operatório pode ser desconfortável Apesar de a intensidade variar, algum grau de dor ou desconforto é esperado após uma cirurgia de grande porte. Além da dor propriamente dita, podem surgir sensação de pressão, tensão e aumento da sensibilidade na região operada. "Além da dor propriamente dita, o paciente pode perceber sensação de pressão, tensão ou sensibilidade aumentada. O controle adequado da dor e o acompanhamento no pós-operatório são importantes para que essa fase seja conduzida com segurança e conforto", esclarece Marcelo. Curativos, malhas compressivas e cuidados com as incisões também podem fazer parte da recuperação, conforme a indicação médica. 6. A cicatriz faz parte da cirurgia As incisões são planejadas para ficar em áreas menos aparentes, como regiões próximas às orelhas e, dependendo da técnica utilizada, no couro cabeludo. Ainda assim, qualquer cirurgia que envolva uma incisão deixa uma cicatriz. "Mesmo assim, toda cirurgia que envolve uma incisão deixa uma cicatriz. O objetivo é posicionar as incisões de maneira que as cicatrizes possam ficar o mais discretas possível, mas não devemos prometer uma cirurgia ‘sem cicatriz’. A qualidade final depende de fatores individuais, da técnica e da própria capacidade de cicatrização do paciente", ressalta Marcelo. 7. O lifting não interrompe o envelhecimento O procedimento pode reposicionar tecidos e melhorar o contorno facial, mas não impede que o processo natural de envelhecimento continue. A duração do resultado está relacionada a uma combinação de fatores, como genética, exposição solar, variações de peso, hábitos e cuidados com a pele. "A durabilidade do facelift é multifatorial; ela tem relação com estilo de vida, hábitos, genética, cuidados com a pele. Técnicas que atuam em planos mais profundos tendem a apresentar maior durabilidade", acrescenta Beatriz. A região do pescoço, segundo ela, pode apresentar novas alterações ao longo do tempo, e a manutenção pode envolver cuidados dermatológicos e outros tratamentos, quando indicados. Proteção solar, cuidados com a qualidade da pele, alimentação adequada e hábitos saudáveis também entram nessa equação. "Sabemos que cigarro e álcool envelhecem muito, com ou sem facelift. Alteração de peso, seja com ganho ou perda de peso alteram a estrutura inclusive da face, o que pode comprometer e muito o resultado de qualquer cirurgia. Hoje, o lifting é parte de um plano de rejuvenescimento contínuo, não um evento isolado", observa. Mais do que pensar apenas no resultado diante do espelho, entender o caminho até ele é parte da decisão. "O paciente precisa saber que o lifting pode trazer uma mudança importante no contorno facial, mas existe um caminho entre a cirurgia e o resultado definitivo. Estar preparado para esse caminho faz parte de uma boa indicação", conclui Marcelo.
Lifting facial: 7 coisas que você precisa saber antes de fazer a cirurgia
Da técnica deep plane às cicatrizes e alterações temporárias de sensibilidade, especialistas explicam o que esperar antes, durante e depois do procedimento






