De acordo com levantamento, metade dos eleitores do Partido Republicano acredita que o presidente permite que seus interesses empresariais influenciem suas decisões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala durante uma reunião com líderes do setor de tecnologia na Sala Roosevelt da Casa Branca, em Washington, em 19 de agosto de 2026 — Foto: AP Photo/Jacquelyn Martin A maioria dos americanos acredita que o presidente Donald Trump e sua família lucraram de forma imprópria com criptomoedas desde seu retorno ao poder e que suas decisões políticas são influenciadas por seus negócios privados, segundo uma nova pesquisa Reuters/Ipsos. A pesquisa, realizada ao longo de quatro dias e concluída na segunda-feira, mostrou que metade dos republicanos, partido de Trump, acredita que o presidente permite que seus interesses empresariais influenciem suas decisões. O resultado pode ser considerado significativo, principalmente, para um líder que prometeu combater a corrupção em Washington. Trump nasceu em uma família do setor imobiliário de Nova York e transformou seu nome em uma marca reconhecida mundialmente antes de entrar para a política. Ele ganhou mais de US$ 1,4 bilhão no ano passado com os negócios de criptomoedas de sua família, incluindo a World Liberty Financial e a memecoin de Trump, ativos digitais que ele promoveu publicamente. Em março de 2025, dois meses após o início de seu segundo mandato, o presidente chamou atenção nas redes sociais para a criptomoeda que leva seu nome, descrevendo-a como a “melhor de todas!!!!!!!!!!!!!!!!”. Cerca de 63% dos entrevistados disseram considerar inadequado que Trump e sua família tenham lucrado dessa maneira, enquanto 32% consideraram apropriado e os demais não responderam à pergunta. Entre os republicanos, cerca de três em cada dez classificaram os negócios como inadequados, enquanto sete em cada dez disseram considerá-los apropriados. Os democratas têm destacado regularmente supostas práticas de corrupção no governo antes das eleições legislativas de novembro, que determinarão o controle do Congresso pelos próximos dois anos, enquanto o governo Trump prometeu investigar supostos casos de corrupção em Estados governados por democratas. Trump afirma que não desempenha nenhum papel cotidiano nos negócios de sua família desde que retornou à Casa Branca e que seus investimentos são administrados de forma independente. Em seu segundo mandato, ele adotou políticas favoráveis às criptomoedas, depois de buscar apoio financeiro do setor durante a campanha eleitoral. A Casa Branca rejeitou as acusações de irregularidades, afirmando que os investimentos de Trump são administrados por instituições financeiras independentes. “Não há conflitos de interesse”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, em comunicado. “O presidente age apenas no melhor interesse do povo americano.” O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala durante uma reunião com líderes do setor de tecnologia na Sala Roosevelt da Casa Branca, em Washington, em 19 de agosto de 2026 — Foto: AP Photo/Jacquelyn Martin ‘Nunca vimos nada assim antes’ Especialistas em ética presidencial, porém, classificaram como inédita a atual confluência entre negócios e política na Casa Branca. “Nunca vimos nada assim antes. Nem mesmo o primeiro governo Trump tinha tantos interesses empresariais complexos quanto o segundo governo Trump”, afirmou Richard Painter, que foi o principal advogado de ética do governo do presidente republicano George W. Bush. Cerca de 69% dos americanos — incluindo dois terços dos independentes e nove em cada dez democratas — disseram acreditar que os interesses empresariais privados de Trump estão influenciando suas decisões como presidente. Os americanos estão divididos sobre se a corrupção é maior no governo Trump do que sob outros presidentes recentes. Os democratas, em sua maioria, acreditam que há mais corrupção, enquanto os republicanos estão divididos: 56% consideram que a corrupção melhorou ao menos um pouco, e os demais avaliam que permaneceu igual ou piorou. “É preocupante”, disse Thomas Schmidt, um agente de travessia escolar semiafastado de Cudahy, Wisconsin, que votou em Trump em 2024, mas se desencantou com o presidente neste ano. “Ele deveria estar mais preocupado com a Presidência do que com suas práticas empresariais.” Schmidt afirmou que suas maiores preocupações são a incapacidade de Trump de controlar a inflação ou retirar os Estados Unidos da guerra com o Irã, que ele ajudou a iniciar. Ele não acredita, porém, que Trump seja diferente de outros presidentes na mistura entre negócios e política. “Acho que todo presidente fez algo parecido.” Trump fez campanha antes de sua vitória presidencial de 2016 prometendo combater a corrupção em Washington, ou “drenar o pântano”, como costumava dizer. A percepção pública sobre o enriquecimento pessoal de Trump pode pesar sobre seu partido nas eleições legislativas de novembro, que determinarão quem controlará o Congresso durante os dois últimos anos de seu mandato. Os americanos consideram que a corrupção é disseminada em todos os níveis de governo: quatro em cada dez democratas disseram estar extremamente irritados com a corrupção, ante um em cada quatro republicanos. Questionados sobre qual partido era mais corrupto, 41% apontaram o Partido Democrata e 49%, o Partido Republicano. A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada pela internet, ouviu 1.166 adultos em todo o país entre 14 e 17 de agosto. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para o conjunto dos americanos e de 5 pontos para democratas, republicanos e independentes.
Maioria dos americanos acredita que Trump usa presidência para ganho pessoal, diz pesquisa
De acordo com levantamento, metade dos eleitores do Partido Republicano acredita que o presidente permite que seus interesses empresariais influenciem suas decisões







