Depois de dias embalados pela majestade da força das artes cênicas, o Clube recuperou o fôlego e te atualiza sobre o que aconteceu nas semanas culturais mais badaladas da cidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 'Fim de Partida', tragicomédia ao mesmo tempo ácida e melancólica garantiu sessões lotadas no Festival de Teatro do Rio — Foto: Divulgação A curadoria zelosa da 2ª edição do Festival de Teatro do Rio foi certeira: nas últimas semanas, as salas do Teatro TotalEnergies e do Teatro Riachuelo Rio estiveram lotadas. Os cariocas, embalados pela dramaturgia, acompanharam — e se encontraram — nas histórias, nos gestos e nos tons de cada espetáculo vivido. É claro que o Clube, como curador artístico do que acontece de melhor no Rio, não ficou de fora! Agora, sem ânimos à flor da pele, o Blog te entrega as melhores dicas de bandeja! Em "O Motociclista no Globo da Morte", Eduardo Moscovis sustenta um solo com maestria, discorrendo sobre o instinto violento que permeia o ser humano. Em cena, o ator interpreta Antonio, um homem pacato e racional que se vê em um episódio de descontrole provocado por ações violentas de outro homem. A peça traz críticas ao papel de herói, que mata, mas mata por defesa ao outro e a si. Moscovis embala e engana o tempo de forma ágil. Por quase duas horas, fomos levados também, tornamo-nos delegados, ou um tipo de coro popular que ouve atentamente o crime que aconteceu na vizinhança. Ao fim, aplaudimos o ator. A sensação é que o personagem Antônio também recebeu os aplausos por seu ato mortal. No ápice da sua jornada do herói, ele é coroado pela morte de outro homem. Ele estava certo: não há como fugir da violência, porque não há como fugir de nós mesmos — sempre incansavelmente humanos. Eduardo Moscovis em “O Motociclista No Globo Da Morte” com texto de Leonardo Netto e direção de Rodrigo Portella — Foto: Divulgação "Não quero lixo, nem luxo. Meu sonho é ser imortal." . No espetáculo "Rita Lee: Balada da Louca", Lília Cabral interpreta a estrela do rock em uma releitura do best-seller "Rita Lee: Outra Autobiografia". Com uma carga dramática feita sob medida ao jeito pauleira e sensível da artista, acompanhamos recortes muito humanos dos seus últimos anos, entre lutos e prazeres diários. A montagem é uma homenagem a tudo o que Rita deixou para nós. Das cantorias brilhantes às falas icônicas, do amor pelos animais à sua forma de viver, que reivindica e não tolera injustiças. Daqui, permanecemos com as memórias e, no papel de estrela, segue a nossa Rainha do Rock! Lilia Cabral apresenta "Rita Lee – Balada da Louca" na 2ª edição do Festival de Teatro do Rio — Foto: Divulgação / Cauê Moreno Débora Lahn interpretou uma vilã humorada e amoral no espetáculo "A Pediatra", ao lado de Luís Antonio Fortes, no Teatro Riachuelo Rio. Na trama, Cecília é uma médica neonatologista sem amor pela profissão, com aversão a grávidas e a crianças. A mulher vive distante da ética profissional. Quando ela conhece Celso, marido de uma das suas pacientes e, também, seu amante, a história toma rumos inesperados com a nova obsessão de Cecília por Fabinho, filho de Celso com sua esposa. A plateia torna-se confidente de segredos obscuros, em um clima dramatúrgico cômico, mas também atípico e surpreendente — ninguém imagina a próxima confissão desbocada da vilã de humor vil. A atriz Debora Lamm estrela a adaptação teatral do romance "A Pediatra", de Andréa Del Fuego — Foto: Divulgação / Guto Muniz Marco Nanini e Guilherme Weber compõem o elenco de peso no espetáculo "Fim de Partida", apresentado no Teatro TotalEnergies. Em um cenário pós-apocalíptico, os personagens Hamm e Clov vivem uma codependência. Eles desejam se livrar um do outro — e até de si — na mesma intensidade em que só existem porque existe o vínculo, os serviços e as trocas de favores que os unem em um quase afeto (sombrio). De frente a um cenário retangular e imponente, o texto e as luzes incitam finais próximos e quase nos aproximamos do fim, quando a montagem reinicia em um novo tom. E é isso, justamente, que embala Hamm e Clov na ficção: eles declaram o fim da existência, mas, em seguida, os términos desabrocham em começos. E, de novo, a rotina cíclica dos dois começa, cheia de repetições. E, depois, mais uma vez. Até que Clov decide seguir sem Hamm e, assim, somos despertados dessa ficção melancólica — às vezes, real — de Samuel Beckett. *Dica do Blog: Se você perdeu as montagens deste ano, não remoa o passado, o Clube te espera com um catálogo plural de espetáculo com descontos especiais! E não se esqueça das boas novas: a 3ª edição do Festival de Teatro em 2027 e a nova temporada de "Fim de Partida", em cartaz no Teatro TotalEnergies até 31 de agosto. Helena Ignez e Ary França em o "Fim de Partida" — Foto: Divulgação Confira nosso site!