Gerando resumoMenos de duas horas antes de o presidente Donald Trump estar prestes a impor tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em importações canadenses, os Estados Unidos e o Canadá chegaram a um acordo nesta terça-feira, 18, que adia as sanções, ganhando tempo para novas negociações e evitando, por enquanto, mais uma tensão nas relações já tensas entre os aliados históricos.PUBLICIDADETrump postou na noite de terça-feira nas redes sociais que havia suspendido as tarifas “com base no fato de que o Canadá e os EUA, sujeito à finalização dos documentos, chegaram a um ACORDO!”As tarifas de importação de Trump teriam afetado cerca de 5% do que o Canadá exporta para os Estados Unidos anualmente, incluindo produtos que vão desde tacos de hóquei até abaixadores de língua.PublicidadePresidente Donald Trump. Foto: Julia Demaree Nikhinson/APMas o impacto político provavelmente teria sido maior do que o econômico. O Canadá havia ameaçado retaliar contra quaisquer novas tarifas com impostos próprios, agravando uma disputa comercial entre países que venderam um ao outro US$ 880 bilhões em bens e serviços no ano passado.Os dois países vêm travando disputas há décadas sobre comércio, trocando farpas sobre pontos sensíveis como as importações canadenses de madeira macia e o acesso dos EUA ao mercado de laticínios protegido do Canadá.No entanto, EUA e Canadá permaneceram amigos, aliados e parceiros comerciais, apesar dessas pequenas disputas. Soldados canadenses lutaram ao lado dos americanos no Afeganistão após o 11 de setembro. A fronteira de 8,9 mil quilômetros entre os EUA e o Canadá não é defendida, e quase 330 mil pessoas e US$ 2 bilhões em mercadorias a cruzam todos os dias; 800 mil canadenses vivem nos Estados Unidos.PublicidadeA abordagem de Trump em relação ao Canadá representa um afastamento extraordinário da relação tradicionalmente cooperativa entre os dois países. Trump impôs tarifas sobre produtos canadenses, em uma tentativa de trazer a indústria de volta aos Estados Unidos, e tem feito repetidamente comentários provocativos sobre transformar o Canadá no 51º estado dos Estados Unidos.O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou ainda na noite da terça-feira que houve “progressos substanciais” nas discussões com os Estados Unidos sobre comércio, mas destacou que ainda resta um “trabalho importante a ser feito”.“Paralelamente a esse trabalho [com os EUA], o Canadá mantém o foco na construção de uma economia interna mais forte, mais independente e mais competitiva”, disse Carney. Para o premiê, as discussões com Washington também têm como objetivo proporcionar maior segurança e benefícios reais para empresas, trabalhadores, agricultores e famílias do Canadá./Com informações da AP e AFPPublicidadeVale ler tambémComo a previsível crise do modelo econômico da China afetará o Brasil?Casas Bahia: passivo reputacional ou crise do varejo?Juros e volatilidade global esfriam receitas de bancos de investimento