Antes, o artista vendia 5 mil discos físicos para ter uma vida digna, ainda que momentânea. Hoje, ele precisa ter mais de 8 milhões de execuções nas plataformas de música para conquistar esse mesmo bem-estar.

Trata-se de uma diferença e tanto. Vender 5 mil discos nunca foi algo tão impossível assim para um artista em permanente circulação. Difícil, e muito, é passar a barreira de 1 milhão de plays de uma música “perdida” numa plataforma de streaming.

Registro do lodaçal algorítmico em que se enfiou a música, o livro A Grande Trapaça Digital (Editora Terreno Estranho; 284 pág.) conta a história de como empresas de tecnologia assumiram o controle dos principais mecanismos de distribuição e remuneração da música, e substituiu a curadoria humana por sistemas automatizados.

O jornalista, cientista social e especialista em transformação digital da mídia, da cultura e do consumo de informação, Luiz Cesar Pimentel, debruça-se sobre a rendição da indústria às plataformas e aos algoritmos.

Em duas partes, o jornalista e sociólogo Luiz Cesar Pimentel, especialista em transformação digital da mídia, da cultura e do consumo de informação, debruça-se sobre a rendição da indústria às plataformas. Primeiro, sobre a mudança radical da indústria com o advento dos streamings. Depois, sobre a psicologia da música e das reações humanas ao som. Fixamos nesta resenha a primeira parte do livro.