A aproximação de Flávio Bolsonaro (PL) de Luiz Inácio Lula da Silva Lula (PT) na nova pesquisa Quaest animou a campanha do senador, que vê o resultado como sinal de uma “nova fase” da candidatura na largada oficial da disputa presidencial. No segundo turno, o petista aparece com 43% das intenções de voto, contra 40% de Flávio. A diferença, que era de oito pontos em julho e de cinco no início de agosto, caiu para três pontos, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O movimento também aparece nos cenários de primeiro turno, com Flávio avançando enquanto Lula perde parte da vantagem. Para integrantes da campanha, a melhora nas pesquisas coincide com uma mudança de momento da candidatura. Nas últimas semanas, o grupo passou a ter menos crises para administrar, conseguiu definir o vice, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), e avalia que Flávio também conseguiu deixar de atuar apenas na reação a episódios negativos para se concentrar mais na apresentação de propostas. A escolha de Gaspar é vista pela campanha como parte dessa nova fase. Relator da CPI do INSS, o deputado tem um discurso associado ao combate à corrupção e de oposição ao governo Lula e, na avaliação de aliados, pode ajudar a ampliar a presença da chapa no Nordeste, região em que Flávio teria menos penetração. Há, porém, integrantes do próprio partido que questionam até que ponto a presença de Gaspar será capaz de se converter efetivamente em votos para a chapa. A leitura predominante entre aliados do candidato do PL é que a tendência de crescimento pode ganhar velocidade a partir deste domingo, quando começa oficialmente a campanha eleitoral e passam a ser permitidos pedidos de voto, além da veiculação da propaganda eleitoral no rádio e na televisão e de uma agenda mais intensa de comícios e eventos. — Na nossa pesquisa, já estamos empatados. Vamos ganhar a eleição — afirmou o deputado federal Sostenes Cavalcante (PL-RJ), um dos aliados de Flávio. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) também comemorou o resultado e destacou que, considerando a margem de erro, o cenário pode ser ainda mais favorável ao candidato do PL. — Empate. Venceremos. A margem é para se considerar. Pode estar vencendo inclusive. Então é empate. Há 10% de indecisos. Venceremos — disse Portinho. A avaliação na campanha é que ainda há espaço para Flávio se tornar mais conhecido entre os eleitores. Por isso, o início da propaganda eleitoral é visto como uma oportunidade para apresentar o candidato e suas propostas a um público maior. A existência de uma parcela de eleitores que ainda não definiu o voto também alimenta a expectativa de crescimento nos próximos meses. A mudança de postura também é apontada internamente como um fator relevante. Depois de um período marcado por episódios que obrigaram o candidato a responder a crises e polêmicas, aliados avaliam que Flávio passou a ter mais espaço para falar de seu programa de governo e defender suas propostas. A percepção é que, sem uma nova crise a cada semana, a campanha consegue controlar melhor a própria agenda e ocupar mais espaço com o discurso que pretende levar ao eleitor. Do outro lado, integrantes da campanha de Lula avaliam que o início oficial da disputa também abrirá espaço para explorar os pontos fracos do candidato do PL. A aposta dos petistas é que a exposição na campanha eleitoral permitirá desgastar a imagem de Flávio e aumentar sua rejeição. O cenário de estabilidade em relação à pesquisa anterior e a liderança de Lula também foram citados, bem como as possíveis vantagens do enfrantamento direto entre as duas candidaturas. — Pesquisa é fotografia do momento. As pesquisas refletem neste momento a instabilidade do eleitor. Vamos começar ainda a campanha de rádio e TV. É quando vamos poder debater proposta, projeto e o que a candidatura do presidente Lula representa. E nos debates que vão ser feitos nós vamos caracterizar quem é o nosso adversário. Então, pesquisa neste momento não nos gera nenhuma preocupação — disse o presidente do PT, Edinho Silva. O PT prepara uma artilharia para atacar o adversário, com destaque para o caso Dark Horse, envolvendo as conversas de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A campanha de Lula também pretende investir na comparação entre o atual governo e a gestão de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, resgatando imagens e declarações do ex-presidente sobre temas como a pandemia da Covid-19. — A pesquisa oscila na margem de erro, às vezes para lá, às vezes para cá, mas eu penso que, para além destas flutuações semanais, ela aponta que Lula é, sim, o favorito, mas a eleição não está decidida. Não está decidida pois as margens de rejeição continuam altas, e Lula é favorito, pois a maioria dos entrevistados, 56%, acredita que o presidente vencerá a disputa. Ou seja, mesmo eleitores que não declararam voto no PT acham que ele sairá vencedor — afirmou Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT. Mesmo com a expectativa de aumentar a rejeição de Flávio, os petistas reconhecem que a disputa tende a ser acirrada. Em junho, quando vieram à tona as conversas de Flávio com Vorcaro, aliados de Lula chegaram a especular nos bastidores sobre a possibilidade de uma vitória do presidente ainda no primeiro turno. Hoje, essa hipótese deixou de fazer parte das conversas internas. A campanha de Flávio evita tratar o resultado como uma vitória antecipada. Aliados mais próximos reconhecem que a redução da distância para Lula é motivo de comemoração, mas demonstram apreensão com o que pode acontecer durante a campanha oficial. Setembro é apontado internamente como o período mais decisivo, quando as candidaturas estarão com suas estruturas a pleno vapor e os ataques entre os adversários tendem a se intensificar. A preocupação tem relação direta com o histórico recente da candidatura do senador. Desde o início da pré-campanha, o grupo enfrentou uma sucessão de episódios que provocaram turbulências, seja por acontecimentos externos, seja por decisões tomadas pela própria equipe. O caso envolvendo Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi um dos principais momentos de crise e acabou sendo seguido por mudanças na estrutura da campanha. Mais recentemente, houve nova troca na equipe e a crise envolvendo Michelle Bolsonaro, que criticou publicamente o candidato antes de os dois se reconciliarem. A escolha de Alfredo Gaspar como vice também trouxe uma nova frente de desgaste, diante do procedimento no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionado a uma acusação de estupro de vulnerável, que o deputado nega. O resultado da Quaest, nesse cenário, é recebido no entorno de Flávio com uma combinação de otimismo e cautela. A percepção é de que a curva favorável dá fôlego para começar a campanha, que dará seu pontapé neste domingo em ato na praia de Copacabana. Ao mesmo tempo, a avaliação é de que a candidatura terá de atravessar os próximos meses sem ser atingida por uma nova crise capaz de interromper o movimento de alta. Além de Flávio, a Quaest testou outros nomes da oposição no segundo turno. Lula aparece com 44% contra 37% de Ronaldo Caiado (PSD), 44% contra 36% de Renan Santos (Missão) e 45% contra 34% de Romeu Zema (Novo).
Quaest: campanha de Flávio vê nova fase e aposta em propostas, enquanto PT prepara ofensiva
Com início da campanha oficial neste domingo, aliados do candidato do PL veem espaço para reduzir ainda mais a distância, mas demonstram preocupação com novas crises no período decisivo












