Petista registra 43% das intenções de voto, contra 40% do filho de Jair Bolsonaro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Arquivo O GLOBO Pesquisa Quaest que antecede o início da campanha, contratada pela TV Globo e pelo GLOBO, mostra que a corrida começa em cenário de empate técnico entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na projeção de eventual segundo turno. No levantamento divulgado na sexta-feira, o petista registra 43%, contra 40% do filho de Jair Bolsonaro. Os dados indicam a tendência de uma eleição parelha, decidida voto a voto. Na prática, o resultado faz com que se volte ao patamar anterior ao caso “Dark horse”, quando, em meados de maio, soube-se do elo entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Depois dali, Lula chegou a abrir oito pontos de distância para o adversário no segundo turno, mas a vantagem caiu. Hoje, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o placar configura empate. A campanha começa no domingo, dia em que os dois principais candidatos à Presidência da República farão atos grandiosos em locais simbólicos. Lula tem como pontapé inicial um comício no estádio da Vila Euclides, no ABC paulista, onde protagonizou discursos marcantes nos tempos de sindicalista. Já Flávio escolheu a orla de Copacabana, no Rio, palco de diversas manifestações do pai — incluindo aquela que contribuiu para o deixar inelegível, no 7 de Setembro de 2022, quando usou o ato do bicentenário da Independência como palanque eleitoral. Sem chance aos demais Na projeção de primeiro turno, as oscilações foram tímidas em comparação com o levantamento do início do mês, mas também apontam um encurtamento da diferença entre os candidatos do PT e do PL. Lula tem 38%, um ponto a menos do que antes, e Flávio marca 31%, um a mais. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) chegam a 4%; Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), 2%; Samara Martins (UP), 1%. Outros 10% se dizem indecisos, e 8% afirmam que votarão em branco ou nulo. Se a fotografia da pesquisa denota empate no segundo turno, o filme do último mês aponta para uma recuperação de Flávio Bolsonaro. Isso aconteceu a partir da melhora em segmentos como os independentes, os evangélicos e os eleitores do Sudeste. Na região mais populosa do país, o cenário era tecnicamente empatado no início do mês, com 40% a 38% para o candidato do PL na simulação de segundo turno. Agora, o placar é de 44% a 36%. Entre evangélicos, a vantagem passou de 15 para 25 pontos. Já nos independentes, que não se consideram de direita nem de esquerda, Flávio saiu de um saldo negativo de três pontos para um positivo de seis. Lula e o filho de Bolsonaro são os candidatos com voto mais fidelizado: 77% garantem que a escolha pelo petista é definitiva, e 70% dizem o mesmo sobre Flávio, o que indica pouca margem para alterações no cenário. Também são eles, no entanto, os mais rejeitados. Ambos mantiveram os mesmos percentuais da pesquisa anterior, com 52% para Lula e 54% para Flávio. Se comparada ao levantamento divulgado no início da campanha de 2022, a sondagem de sexta-feira mostra Lula em situação mais desconfortável agora. Há quatro anos, ele tinha 51% de intenções de voto na projeção de segundo turno contra Jair Bolsonaro, que recebia 38%. No primeiro turno, 45% a 33%. O petista despontava, naquele momento, como opositor do governo mal avaliado do adversário. Embora as variações nesse ponto da pesquisa venham se dando dentro da margem de erro, Lula viu a desaprovação (48%) a seu governo voltar a ficar numericamente à frente da aprovação (46%). Antes, a gestão estava reduzindo a desvantagem desde maio, depois de um abril com saldo negativo de nove pontos. A violência segue com folga na liderança do ranking de preocupações dos brasileiros, com 33% de menções. Economia (15%), Saúde (14%), corrupção (14%) e problemas sociais (12%) registram empate técnico na sequência. Fator Lulinha O levantamento é o primeiro após o Supremo Tribunal Federal autorizar a Polícia Federal a investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, por suspeita de tráfico de influência. A corporação também apura um repasse da empresária Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. O resultado animou a campanha de Flávio, que vê sinal de uma “nova fase” da candidatura. Nas últimas semanas, o grupo passou a ter menos crises para administrar. Também há a avaliação de que o senador deixou de atuar apenas em reação a episódios negativos e conseguiu se concentrar na apresentação de propostas. Aliados do PL apostam que a tendência ganhe tração a partir de domingo, quando passam a ser permitidos pedidos de voto, além de uma agenda mais intensa de eventos. No final do mês, começa a propaganda na TV e no rádio. — Na nossa pesquisa, já estamos empatados. Vamos ganhar a eleição — afirma o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). Já a campanha de Lula avalia que o início oficial da disputa abrirá espaço para explorar os pontos fracos do candidato do PL. Petistas apostam que a exposição permitirá desgastar a imagem do adversário. O cenário de estabilidade em relação à pesquisa anterior e a liderança de Lula também são citados, bem como as possíveis vantagens do enfrentamento direto entre as duas candidaturas. — As pesquisas refletem neste momento a instabilidade do eleitor. Vamos começar ainda a campanha de rádio e TV. É quando vamos poder debater proposta, projeto e o que a candidatura do presidente Lula representa — afirma o presidente do PT, Edinho Silva. O PT prepara uma artilharia para atacar o adversário, com destaque para o caso “Dark horse”. A campanha de Lula pretende ainda investir na comparação entre o atual governo e a gestão de Jair Bolsonaro, resgatando imagens e declarações do ex-presidente sobre temas como a pandemia da Covid-19. Mesmo com a expectativa de aumentar a rejeição do adversário, petistas reconhecem que a disputa tende a ser acirrada. Quando surgiram as conversas de Flávio com Vorcaro, aliados de Lula chegaram a contar com a possibilidade de uma vitória do presidente ainda no primeiro turno. Hoje, a hipótese deixou de fazer parte das conversas internas. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre segunda e quinta-feira e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-06773/2026.