Ao GLOBO, brasileiro relata que ficou desorientado após ser atingido pela própria prancha minutos antes da decisão no Leblon: ‘Desistir nunca é uma opção’ 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ao GLOBO, brasileiro relata que ficou desorientado após ser atingido pela própria prancha minutos antes da decisão no Leblon: ‘Desistir nunca é uma opção’ — Foto: Reprodução Minutos antes de entrar na água para disputar a final do Gigantes de Nazaré, na Praia do Leblon, Lucas Fink não sabia sequer se teria condições de competir. Durante o aquecimento, o brasileiro sofreu uma queda, foi atingido pela própria prancha no rosto e saiu da água sangrando. Socorrido ainda na areia, recebeu uma bandagem no nariz e decidiu voltar ao mar. Terminou a sexta-feira (14) no hospital — mas também com o troféu de vice-campeão. Em relato ao GLOBO depois da competição, Fink contou que o impacto foi forte a ponto de deixá-lo desorientado por alguns instantes. O acidente aconteceu quando as outras duplas já estavam nos jet-skis à espera da buzina para o início da decisão. Fink, especialista em skimboard e que participa das competições de ondas grandes de maneira esporádica, havia decidido aproveitar os minutos restantes para entrar no mar e testar a prancha. — Todas as outras duplas estavam sentadas no jet-ski esperando o apito do juiz para iniciar a bateria. Eu falei para o Pedrinho: “Já me puxa numa aí para dar uma aquecida”. Mandei uma manobra irada no começo, um aéreo. Depois, fui para a junção, na onda do Pontão, que estava explosiva. Vaquei e, a partir dali, nem sei o que aconteceu embaixo d’água — contou Fink ao GLOBO. O impacto veio no caldo. — Tomei um impacto tão forte que fiquei à beira de ficar desorientado, desacordado. Cheguei a ficar tonto. Foi tão forte que eu nem sabia onde tinha sido direito. Pedro Matos, o Pedrinho, percebeu o acidente e se aproximou rapidamente com o jet-ski para resgatar o companheiro. Quando Fink saiu da água, notou que sangrava bastante. — O Pedrinho, por sorte, já estava vindo me resgatar e me pegou. Ele já veio falando: “você está sangrando muito”. Botei a mão e estava tudo ensanguentado. O brasileiro foi levado até a areia e atendido por um bombeiro que acompanhava o evento. Com a final prestes a começar, a preocupação imediatamente deixou de ser apenas com o ferimento. — Todo mundo falava: “Vai ter que tomar ponto”. E a primeira coisa que pensei foi: “Será que vai dar para competir?”. Pedi para estancarem o sangramento, me enfaixaram e decidimos voltar para a água. ‘Desistir nunca é uma opção’ Fink e Pedro Matos já haviam passado pelas duas primeiras baterias e estavam na decisão contra algumas das principais duplas do evento. Para o skimboarder, abandonar naquele momento não parecia uma possibilidade. — Era a primeira vez do Pedrinho participando do campeonato e a gente já estava na final. Não queria abandonar o barco por ali. Desistir nunca é uma opção. Com uma faixa no nariz, Fink voltou para a água. Desta vez, porém, assumiu inicialmente uma função diferente. Em vez de buscar imediatamente suas próprias ondas, passou a pilotar o jet-ski para Pedro Matos. A estratégia funcionou. Pedro conseguiu uma nota 9 em uma manobra aérea e colocou a dupla na liderança da bateria. — Fui para a água no intuito mais de pilotar para o Pedrinho, para pelo menos ele poder surfar. Aí ele fez a nota 9 no aéreo. Cheguei a matar liderando a bateria e, quando ele fez essa nota, falei: “Vou ter que tentar pegar uma para fazer o backup e a gente ter chance de lutar pela liderança”. Mesmo machucado, Fink voltou à prancha e conseguiu uma nota na casa dos cinco pontos para complementar a pontuação do parceiro. Do outro lado, porém, estavam Lucas Chumbo e Pedro Scooby. Chumbo acertou um backflip que recebeu nota 10 dos juízes e virou a disputa. Fink e Matos ainda tentaram responder, mas terminaram cerca de dois ou três pontos atrás dos campeões. — Foi logo na mesma hora que o Chumbo fez a nota 10. Aí ficou difícil voltar para a liderança. Perdemos por dois, três pontos. Aquele vice-campeonato ficou com gostinho de campeão — afirmou Fink. ‘Ganhar do Chumbo é quase missão impossível’ Chumbo e Scooby confirmaram no Leblon uma parceria já conhecida nas ondas grandes. Os dois se revezaram entre as funções de surfista e piloto do jet-ski e dominaram a decisão, coroada pelo 10 recebido por Chumbo. Fink reconheceu o tamanho do desafio. — Ganhar do Chumbo é quase missão impossível. Mas foi irado. Como sempre nos campeonatos, fui para me divertir acima de tudo. O resultado também teve um significado particular para ele. Especialista em skimboard, modalidade praticada com uma prancha menor e sem quilhas, Fink não tem no tow-in sua principal atividade competitiva. Esta foi apenas sua terceira participação em eventos desse formato. Em uma delas, foi campeão ao lado do próprio Chumbo em Nazaré. Em outra, terminou em quarto no Itacoatiara Big Wave. Agora, subiu novamente ao pódio, desta vez com Pedro Matos. — Sempre entro despretensioso, para me divertir acima de tudo, porque não é minha modalidade original. Só de estar competindo com a prancha de skim e ter essa oportunidade já é uma alegria imensa. O segundo lugar ganha ainda mais peso em uma temporada na qual Fink decidiu tirar um período sabático das competições tradicionais de skimboard. — Mais um pódio no ano em que tirei sabático das competições. Tive a oportunidade de competir e vamos embora. Do Leblon para o hospital Depois da cerimônia de premiação, Fink seguiu para o hospital para realizar exames e descobrir a extensão da lesão sofrida pouco antes da bateria decisiva. Foi de lá, com o nariz fraturado, que gravou o relato enviado ao GLOBO. — Estou gravando esse áudio do hospital para ver se quebrei o nariz mesmo ou não. Mas estou bem. Estou consciente e feliz demais com mais uma oportunidade de participar. Na areia do Leblon, o sangue e a bandagem mostravam o preço da decisão de continuar. No resultado final, porém, ficou um segundo lugar que, pelas circunstâncias, Fink não hesitou em colocar em outra categoria. — Vice com gostinho de campeão.
Do hospital ao pódio: Lucas Fink sofre acidente antes da final, compete com nariz fraturado e é vice no Gigantes de Nazaré
Ao GLOBO, brasileiro relata que ficou desorientado após ser atingido pela própria prancha minutos antes da decisão no Leblon: ‘Desistir nunca é uma opção’






