Peças raras e com história ganham espaço como ativo alternativo em meio à busca por diversificação. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cristiane Ruon dos Santos — Foto: Divulgação O mercado de antiguidades vem passando por uma transformação silenciosa no Brasil. O que antes era tratado como nicho restrito a colecionadores e casas de leilão especializadas ganhou contornos econômicos mais amplos, atraindo investidores em busca de ativos alternativos e consumidores dispostos a pagar mais por peças com procedência comprovada e história documentada, em um movimento que acompanha um cenário global de valorização de bens tangíveis, impulsionado por um contexto econômico em que diversificação e proteção patrimonial ganharam peso nas decisões de investidores pessoa física. A especialista Cristiane Ruon dos Santos analisa esse movimento como reflexo de uma mudança estrutural na forma como o mercado brasileiro passou a enxergar bens de raridade limitada. A escassez de peças originais, somada ao aumento da demanda, cria uma dinâmica de valorização que se aproxima do comportamento observado em outros mercados de colecionáveis ao redor do mundo, como o de arte, vinhos raros e relógios de luxo, categorias que também combinam oferta limitada com apelo emocional e histórico. O crescimento do setor no cenário nacional Casas de leilão brasileiras vêm registrando aumento constante no volume de transações envolvendo móveis, joias e objetos decorativos com décadas ou séculos de existência. O crescimento observado acompanha uma tendência internacional, mas ganha características próprias no país, onde a formalização do setor ainda está em curso e convive com um mercado informal expressivo, movimentado por feiras e negociações diretas entre colecionadores. Cristiane Ruon dos Santos contextualiza esse cenário destacando que a ampliação do acesso à informação, viabilizada por plataformas digitais especializadas, permitiu que compradores comparassem preços, verificassem procedência e avaliassem a autenticidade de peças com mais segurança, fator que contribuiu diretamente para o amadurecimento do setor. O acesso mais amplo a esse tipo de informação também reduziu barreiras geográficas, aproximando colecionadores de diferentes regiões do país de peças que antes circulavam apenas em circuitos restritos. Fatores que sustentam a valorização das peças A valorização de objetos antigos segue uma lógica própria, distinta da de bens de consumo tradicionais. Raridade, estado de conservação, origem documentada e relevância histórica são critérios que determinam o preço de uma peça, e a combinação desses fatores explica por que itens semelhantes podem ter cotações muito diferentes no mercado, mesmo pertencendo à mesma categoria ou período. Cristiane Ruon dos Santos evidencia que a procedência, em particular, tornou-se um dos elementos mais valorizados pelos compradores atuais, já que garante a autenticidade da peça e reduz o risco de fraude, um problema histórico nesse segmento. Certificados de autenticidade e laudos técnicos ganharam relevância, aproximando o setor de antiguidades de práticas comuns em outros mercados de ativos, nos quais a documentação de origem funciona como garantia tanto para o comprador quanto para futuras negociações de revenda. Profissionalização como caminho para o mercado formal A expansão do interesse por antiguidades trouxe também a necessidade de maior profissionalização do setor. Avaliadores especializados, curadores e consultores passaram a ocupar um papel mais relevante na intermediação entre vendedores e compradores, contribuindo para reduzir assimetrias de informação que historicamente dificultavam negociações mais seguras e transparentes entre as partes. Cristiane Ruon dos Santos pondera que esse processo de profissionalização tende a se aprofundar nos próximos anos, à medida que mais players formais, como casas de leilão e plataformas especializadas, consolidam presença no país. O resultado esperado é um mercado mais transparente, com preços mais previsíveis, critérios de avaliação mais padronizados e maior confiança entre as partes envolvidas nas transações, o que deve atrair um número crescente de investidores interessados em diversificar seu patrimônio para além dos ativos financeiros tradicionais.