Entre os obstáculos à adoção desse tipo de veículo ainda estão o preço de compra mais elevado e as lacunas na infraestrutura de recarga 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um motorista usa uma estação de recarga para carregar um caminhão elétrico pesado da Sany em uma garagem de frota equipada com carregador para caminhões elétricos, em Tangshan, na província de Hebei, China, em 1º de abril de 2026 — Foto: REUTERS/Tingshu Wang/Foto de arquivo As exportações chinesas de caminhões elétricos para outros países asiáticos dispararam, somando-se ao forte crescimento das vendas no mercado interno, à medida que a alta dos custos dos combustíveis provocada pela guerra com o Irã acelera a eletrificação na região. A rápida adoção de caminhões elétricos pela China, de veículos mais leves a carretas, protegeu parcialmente o maior mercado automotivo do mundo dos impactos do conflito. Agora, outros países correm para seguir o mesmo caminho. Nos quatro meses seguintes ao início da guerra pelos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, as exportações chinesas de caminhões elétricos pesados mais que dobraram em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 16.823 veículos. Metade teve como destino o Sul e o Sudeste Asiático, com os embarques para o Sul da Ásia crescendo mais de cinco vezes e os destinados ao Sudeste Asiático quase triplicando. O Sul e o Sudeste Asiático são particularmente dependentes do Oriente Médio para o abastecimento de petróleo, e o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã provocou algumas das maiores altas nos preços do diesel, segundo o GlobalPetrolPrices.com. A situação está abrindo espaço para a China, maior fabricante mundial de caminhões elétricos. Os preços do diesel subiram 48% no Sri Lanka desde o início da guerra e 57% nas Filipinas, segundo o GlobalPetrolPrices.com. Na China, o combustível ficou 15% mais caro, de acordo com dados do governo. “O conflito abriu as portas para esses novos mercados”, disse Zhaoting Yue, vice-presidente de marketing internacional da Sany, maior fabricante mundial de caminhões elétricos pesados. As exportações ainda são relativamente pequenas, muito inferiores aos embarques chineses de carros e bicicletas, enquanto as frotas de caminhões da região somam milhões de veículos. Mas, se o crescimento for mantido e seguir uma trajetória semelhante à da adoção de caminhões elétricos na China, poderá reduzir de maneira significativa o consumo de diesel e as emissões de carbono. Na China, os caminhões elétricos passaram de uma participação praticamente nula em 2021 para 30% das vendas de caminhões no ano passado. No primeiro semestre deste ano, foram vendidos 140 mil caminhões elétricos. O consumo de diesel na China começou a cair no ano passado. A Sany anteriormente concentrava seus esforços na Europa, mas está redirecionando sua estratégia para o Sudeste Asiático e desenvolvendo modelos mais baratos, disse Yue à Reuters. Em junho, a empresa enviou seu maior pedido individual até hoje — 880 caminhões pesados —, afirmou o executivo, sem revelar o destino por se tratar de um contrato privado. “Antes da alta dos preços do petróleo, os compradores nesses países talvez precisassem de 28 meses para recuperar o investimento em um caminhão elétrico pesado”, disse Yue. “Agora, são necessários apenas 18 meses.” A Sany espera que a guerra sustente o rápido crescimento por pelo menos mais um ano, especialmente na Ásia, na África e na América Latina, acrescentou. Um motorista recarrega um caminhão elétrico pesado da Sany em uma garagem de frota equipada com carregador para caminhões elétricos, em Tangshan, na província de Hebei, China, em 1º de abril de 2026 — Foto: REUTERS/Tingshu Wang/Foto de arquivo Alta dos combustíveis deve acelerar decisões Nos Estados Unidos e na Europa, vans elétricas de entrega são cada vez mais comuns, mas a adoção de caminhões elétricos de maior porte tem sido muito mais lenta. A Tesla, por exemplo, que há quase uma década prometeu revolucionar a economia do transporte rodoviário com seu caminhão elétrico Semi, abandonou a meta de alcançar a “produção em larga escala” do veículo neste ano. Ao deixar de consumir diesel, a frota de caminhões elétricos da China deve economizar o equivalente a 141 milhões de barris de petróleo neste ano, mais de 3% do consumo total do país e volume equivalente a todas as suas importações do Kuwait, segundo o Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (Crea). Em comparação, as exportações chinesas de caminhões elétricos no primeiro semestre substituíram combustíveis a um ritmo anual equivalente a 1,6 milhão de barris, estima o centro, sediado em Helsinque. Entre os obstáculos à adoção de caminhões elétricos estão o preço de compra mais elevado dos veículos e as lacunas na infraestrutura de recarga. Na Austrália, um caminhão elétrico custa cerca de 500 mil dólares australianos (US$ 350 mil), o dobro de um equivalente a diesel. A diferença, porém, é rapidamente compensada pela economia com combustível, que, mesmo antes da guerra, reduzia os custos operacionais em até 70% em comparação com o diesel, afirmou Daniel Bleakley, cofundador da empresa australiana de transporte rodoviário elétrico New Energy Transport. Para ampliar a infraestrutura de recarga, a Sany está vendendo aos clientes sistemas capazes de gerar e armazenar energia, além de recarregar seus caminhões, disse Yue. A rápida adoção de carros de passeio elétricos chineses em diversos mercados também ajudará a ampliar as redes de recarga e dará impulso à adoção dos caminhões, afirmou Lauri Myllyvirta, cofundador do Crea. “Os preços elevados dos combustíveis vão concentrar as atenções e levar as empresas a agir rapidamente”, disse.
Guerra com Irã impulsiona exportações de caminhões elétricos da China
Entre os obstáculos à adoção desse tipo de veículo ainda estão o preço de compra mais elevado e as lacunas na infraestrutura de recarga






