O desgaste causado pela revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, "decantou" e já não causa mais tanto estrago entre o segmento evangélico, afirma o bispo Robson Rodovalho, fundador da igreja Sara Nossa Terra.

Mais do que perdoar Flávio, os evangélicos compreenderam que ele não cometeu um crime, diz Rodovalho. "Foi infeliz da forma com que foi abordado, uma forma desajeitada, de relatar isso para a imprensa. Deveria ter sido mais claro. Mas já passou, as pesquisas mostram isso", opina.

Em entrevista à Folha, Rodovalho conta que Flávio passou a buscar uma aproximação com os líderes das igrejas após ser criticado pelo distanciamento. O grupo agora discute estratégias para ajudá-lo, como um ato unificado para mostrar o apoio e construir uma rede de informações para divulgar as propostas dele.

Rodovalho afirma que o presidente Lula (PT) não perseguiu o segmento nem fez nenhum "gesto extensivamente à esquerda", mas também não se esforçou para se aproximar dos líderes. Para ele, a pauta de costumes continuará um tema na eleição, mas a carestia pesará mais no voto.

Escolhido por Jair Bolsonaro (PL) para prestar assistência religiosa enquanto estava na prisão, o bispo não fala com o ex-presidente desde que ele voltou para a prisão domiciliar, em maio. Ele diz acreditar que não haverá autorização para visitas até o fim da campanha.