João Henrique Caldas avalia se retirar da corrida ao governo estadual para se candidatar ao Senado, o que o colocaria em rota de colisão com ex-presidente da Câmara, até então seu aliado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 JHC (PSDB) e Arthur Lira (PP) — Foto: Reprodução/Instagram; Brenno Carvalho/Agência O Globo Em meio a uma tentativa de reaproximação com o presidente Lula (PT), o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB), conhecido como JHC, avalia se retirar da corrida ao governo de Alagoas para se candidatar ao Senado. A guinada faria JHC evitar um embate com a família Calheiros, apoiada por Lula no estado — e que terá o ex-ministro Renan Filho (MDB) como candidato a governador —, mas pode colocá-lo em rota de colisão com o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), até então seu aliado, e também postulante ao Senado. Interlocutores de Lira e de Lula têm mostrado irritação com o ex-prefeito, que também é pressionado pelo avanço de uma investigação da Polícia Federal sobre aportes da capital alagoana no Banco Master durante sua gestão. Na segunda-feira, a PF deflagrou operação para apurar o que levou o instituto de previdência de Maceió a comprar R$ 97 milhões em papéis do Master, posteriormente liquidado por gestão fraudulenta. No mesmo dia, JHC foi ao encontro de Lula em Brasília, segundo interlocutores do presidente e do ex-prefeito. A reunião, que ocorreu fora da agenda oficial, foi revelada na quinta-feira pelo blog do colunista do GLOBO Lauro Jardim. JHC viajou novamente à capital federal na quinta-feira, alongando o impasse para o registro de sua candidatura; o prazo final da Justiça Eleitoral é este sábado. Reeleito à prefeitura de Maceió em 2024 pelo PL, JHC se afastou da base do ex-presidente Jair Bolsonaro depois que sua tia, Marluce Caldas, foi nomeada ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por Lula em agosto do ano passado. Pessoas mais próximas a Lula afirmam, em caráter reservado, que JHC sinalizou alinhamento ao presidente à época, mas enviou sinais dúbios desde então, o que gerou afastamento até a reunião desta semana. Empréstimo milionário Incentivado por Lira a se candidatar ao governo de Alagoas, JHC faltou à convenção do seu próprio partido, no último dia 5, que o lançou ao cargo. O ex-presidente da Câmara buscou limpar o caminho para concorrer a uma das duas cadeiras em disputa ao Senado neste ano. Para isso, Lira se beneficiou da desistência de Alfredo Gaspar (PL), que optou por se lançar a vice de Flávio Bolsonaro, e costurou alianças com prefeitos que também apoiam a reeleição do senador Renan Calheiros (MDB) à outra vaga. O plano, porém, esbarra na indecisão de JHC. Aliados de Lira e de Renan vêm notando que, em suas redes sociais, JHC divulga viagens por Alagoas nas quais promete abrir “um novo capítulo” e promover “mudanças” no estado, mas sem se apresentar como candidato a governador. Ontem, em mais um movimento que semeou dúvidas nos dois caciques alagoanos, o Senado aprovou uma mensagem presidencial — enviada na véspera por Lula — que autoriza a prefeitura de Maceió a contrair um empréstimo de US$ 150 milhões (mais de R$ 780 milhões na cotação atual) com o Banco dos Brics, que é dirigido pela ex-presidente Dilma Rousseff. A mensagem foi relatada pela senadora Eudócia Caldas (PSDB-AL), mãe de JHC, que associou a liberação dos recursos à implantação de um corredor BRT com 450 novos ônibus, tido como vitrine da gestão do filho em Maceió. — É mais um projeto feito pelo nosso querido JHC. Estamos falando do maior investimento de mobilidade urbana já realizado na história de Alagoas — alegou a senadora no plenário. Apesar dos sinais recentes de alinhamento, parte do entorno de Lula avalia que o presidente não voltou a confiar em JHC desde que o ex-prefeito refugou de um acordo para se filiar a um partido da base aliada do governo. Ele optou pelo PSDB, sigla em que tem mais liberdade para definir se tenta governo ou Senado, o que também incomodou Lira. Pé atrás Interlocutores de JHC, por sua vez, afirmam que o ex-prefeito também estranhou o avanço das investigações da PF contra o instituto de previdência de Maceió, com diligências autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, às vésperas da campanha. Como O GLOBO revelou no ano passado, os aportes no Master foram supervisionados por Ronnie Reyner Mota, um aliado de JHC com quem o ex-prefeito já tinha proximidade antes mesmo de vencer a eleição na capital alagoana em 2020. Considerado um gestor bem avaliado no entorno de Maceió, JHC pode ter uma eleição com mais chances de vitória ao Senado do que ao governo, na avaliação de diferentes forças políticas do estado. Nessa hipótese, a tendência é ele costurar um pacto de não agressão com os Calheiros, o mesmo tentado por Lira. Os caciques do MDB de Alagoas, porém, procuram manter distância de Lira e de JHC. Anteontem, após se reunir com Lula, Renan Filho reforçou seu apoio à reeleição do petista e escreveu, em uma rede social, que “neutro é shampoo de bebê” — mensagem lida como indireta para Lira e JHC, que evitam se posicionar na eleição nacional. Flávio Bolsonaro, por sua vez, fez um aceno nos últimos dias a JHC, sugerindo que sua mulher, Marina Candia (PSDB), concorra ao Senado ao lado de Lira. Embora a sugestão de Flávio agrade a JHC, ela é vista por Lira como prejudicial a seus planos, por acentuar a concorrência.
De papo com Lula a atrito com Lira: entenda como JHC, ex-prefeito de Maceió, pode gerar reviravolta na eleição alagoana
João Henrique Caldas avalia se retirar da corrida ao governo estadual para se candidatar ao Senado, o que o colocaria em rota de colisão com ex-presidente da Câmara, até então seu aliado









