Ex-prefeito de Maceió deixa em compasso de espera aliados e também Renan Filho, que admite aguardar movimentos do adversário para confirmar colega de chapa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 JHC e Renan Filho: disputa em outubro? — Foto: Reprodução Nomes das chapas dos principais pré-candidatos ao governo de Alagoas seguem indefinidos a quatro dias do fim do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para o registro das candidaturas. Aliados e adversários admitem esperar a movimentação do ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB), o JHC, que reluta há meses em fixar uma posição sobre a disputa no estado. Sob pressão, na semana passada, o tucano faltou à convenção partidária que o aclamou cabeça da chapa e precisou recalcular o arranjo ao Senado ao ver o deputado federal Alfredo Gaspar (PL) virar vice de Flávio Bolsonaro (PL). No último dia 5, data final para a realização de convenções partidárias, a Federação PSDB-Cidadania anunciou JHC como candidato ao governo de Alagoas. Quem declarou o acerto na Associação Comercial de Maceió não foi o ex-prefeito, ausente no evento, mas sim, o vice-presidente da federação no estado, Régis Cavalcante. Além disso, o nome do tucano não consta expressamente da ata da convenção, que se limitou a registrar que os partidos teriam candidato próprio e delegar poderes dessa indicação à Comissão Executiva, até o dia 15. Os nomes ao Senado também não foram citados. JHC foi reeleito no primeiro turno em 2024, com 83% dos votos válidos, mas renunciou ao comando da capital alagoana em abril deste ano, também na data-limite para a desincompatibilização de mandatários interessados em disputar a eleição de outubro. No mesmo período, ele deixou o PL, após ser destituído do comando da antiga sigla pelo presidente nacional, Valdemar da Costa Neto. Na época, mesmo sendo visto como um ativo eleitoral importante no partido, o ex-prefeito demonstrou insatisfação com a falta de autonomia para formar a própria chapa, uma vez que uma das indicações ao Senado já havia sido reservada para o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). O PL também lançou como candidato ao Senado Alfredo Gaspar (horas antes de recuar, em prol de Flávio) — e até ameaçou ter um nome próprio na disputa pelo governo, mas então decidiu aguardar a decisão de JHC. O anúncio do deputado como vice de Flávio na corrida à Presidência abriu caminho para Lira no flanco da direita — pelo menos até o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciar Marina Candia, esposa de JHC, no lugar de Gaspar como concorrente ao Senado. Apesar disso, o nome da ex-primeira-dama de Maceió segue como candidata a deputada federal na ata da convenção. Caso Marina oficialize o pleito ao Senado, uma terceira forte dinastia alagoana entrará na disputa, já protagonizada por uma das maiores rivalidades políticas do país, entre Arthur Lira e o senador Renan Calheiros (MDB). O candidato à reeleição foi anunciado ao lado do deputado estadual José Wanderley Neto (MDB), conhecido como Dr. Wanderley, na chapa do candidato ao governo Renan Filho, ex-ministro dos Transportes do governo Lula. Vices indefinidos Apesar da definição para o Senado, a chapa de Renan Filho também segue em conversas para a nomeação de vice. Para o posto, o MDB aprovou em convenção o nome de Marina Lamenha de Freitas Cavalcanti, servidora do Legislativo desde 2007 e atual auxiliar parlamentar de Renan Calheiros no escritório de Maceió. Desde então, porém, a escolha foi interpretada como um "tampão", ainda passível de mudanças até o dia 15. No sábado, durante o evento "Você Fala, Renan Filho Escuta", o ex-ministro reconheceu que pode trocar de companhia na corrida ao Executivo estadual. — Estou observando o comportamento dos nossos adversários e conversando com a nossa aliança para que a gente tenha a chapa mais capaz de responder aos anseios dos alagoano — disse ele. Há relatos de que o PT teria reivindicado o posto de vice em meio a articulações por algum outro nome do MDB, como Fernando Farias, suplente de Renan Filho no Senado. O nome de Farias seria defendido pelo presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor, que teria se afastado do ex-ministro por preterir seu filho. Caso o suplente fosse eleito vice, a irmã do presidente da Casa, Adélia Correia, segunda suplente, assumiria a cadeira no Senado. Pelas redes sociais, Marcelo Victor negou qualquer desentendimento e disse que suas alianças não são condicionadas a cargos. "Faço política com lealdade, coerência, trabalho e compromisso com Alagoas", escreveu ele, ao reiterar o apoio a Renan Filho na corrida ao governo. A indicação de vice na chapa que deve ser encabeçada por JHC tampouco está clara. A Federação PSDB-Cidadania não expôs um nome na ata da convenção, mas definiu que indicaria o parceiro de disputa do ex-prefeito. A decisão final foi delegada a JHC. A Federação União Progressista, por sua vez, deliberou que a nomeação do vice caberia ao PL e condicionou o apoio do bloco à candidatura de JHC ao governo. O Partido Liberal, no mesmo sentido, registrou em ata que a prerrogativa de apontar o vice é condição para integrar a coligação majoritária no estado. Segundo o jornal Gazeta de Alagoas, a expectativa é que a escolha fosse de algum nome ligado a Alfredo Gaspar, como a mulher ou o filho do vice de Flávio Bolsonaro. Já o PDT, integrante da coligação, formalizou em ata que teria a responsabilidade de indicar um vice para JHC. O partido aprovou por aclamação o nome do atual vice-governador Ronaldo Lessa, que destacou o alinhamento do partido com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito nacional. Como mostrou o GLOBO, JHC também chegou a ser cortejado pelo PT, que tentava convencê-lo a cumprir um acordo firmado com Lula em agosto do ano passado. À época, o então prefeito indicou a tia de JHC, Marluce Caldas, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em troca de apoio político. JHC nega ter fechado qualquer acordo, com Lula ou com Lira, que teria negociado caminho livre para disputar o Senado este ano. A saída de Gaspar do pleito aumentou as chances de vitória do ex-presidente da Câmara, embora ele ainda possa ser desafiado com a entrada na disputa da mulher do ex-prefeito de Maceió ou da mãe dele, Eudócia Caldas.
A 4 dias do fim dos registros, Alagoas tem JHC 'relutante', 'vice-tampão' de ex-ministro e possível desafio para Renan e Lira
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