Pela primeira vez em seus três mandatos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu em palácio uma comitiva de familiares de mortos e desaparecidos políticos. Foi na noite da última segunda-feira (10), durante uma sessão no Palácio da Alvorada do filme "Honestino", cinebiografia do líder estudantil Honestino Guimarães, assassinado pela ditadura e cujo corpo jamais foi encontrado.

Não foi uma audiência oficial, como tantas vezes já demandado, sem sucesso, por parentes de mortos e desaparecidos e militantes de direitos humanos. Mas a reunião de alguns desses representantes em um evento na residência oficial da Presidência foi motivo de celebração pelos presentes.

"Eu fiquei contente com o encontro, foi a primeira vez, fiquei feliz. Para nós foi uma honra, fomos recebidos, fomos muito bem tratados. Passamos para ele [Lula] todo o trabalho que a comissão tem feito", disse Diva Santana, irmã de Dinaelza Coqueiro, militante do PC do B morta pela ditadura na região do Araguaia e cujo corpo jamais foi encontrado.

Diva é representante dos familiares de mortos e desaparecidos na CEMDP (Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos), órgão de Estado com apoio técnico-administrativo do Ministério dos Direitos Humanos. "Essas coisas só são possíveis no processo da democracia. Sem democracia, isso não ocorre, né?", afirmou ela, lembrando que a comissão tinha sido extinta durante o governo Jair Bolsonaro.