O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou nesta quinta-feira o "Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – 2025", que aponta que 20 terras indígenas (TIs) com presença de povos indígenas em isolamento voluntário tiveram 40 casos de invasões possessórias, exploração de recursos naturais ou danos diversos ao patrimônio indígena. Essas terras reúnem 45 registros de povos indígenas isolados. O governo federal enviou uma nota sobre esta notícia publicada pelo blog. Veja abaixo. A Equipe de Apoio aos Povos Livres (Eapil), do Cimi, lista 119 registros de povos isolados no Brasil, mas apenas 55 são confirmados pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Sem essa confirmação, os demais permanecem sem nenhuma política de proteção e sob risco iminente de genocídio. Segundo o relatório, uma das principais ameaças aos povos indígenas isolados é o garimpo ilegal e seus impactos ambientais, como a poluição de rios e igarapés, o desmatamento e a degradação de ecossistemas. A exploração madeireira é outra atividade ilegal que põe em risco os povos isolados, com grande número de ocorrências. Os casos registrados apontam que a atividade ocorre em nove terras indígenas. A publicação mostra ainda o aumento nos três tipos de violência sistematizados: violência contra a pessoa, contra o patrimônio e por omissão do poder público. No relatório, o Cimi salienta que medidas legislativas e decisões judiciais contrárias aos direitos constitucionais dos povos originários, somadas à Lei do Marco Temporal, "se refletiram em ataques contra povos em luta pela terra, na vulnerabilidade de povos desterritorializados e na continuidade das invasões a terras Indígenas em todo o país". O Cimi é um organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em relação às "Violências contra o Patrimônio" dos povos indígenas, foram contabilizados 1.276 casos: 897 relacionados à omissão e à morosidade na regularização de terras, 169 a conflitos relativos a direitos territoriais e 210 a invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio indígena. Das 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas existentes no Brasil, 897 estão pendentes de alguma medida administrativa para sua regularização. Desse total, 582 ainda não tiveram nenhuma providência para iniciar o processo demarcatório. Em 2025, foram registrados 258 assassinatos de indígenas, número superior aos 211 casos registrados no ano anterior. Os estados que registraram o maior número de casos foram, novamente, Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37). Foram registrados pelo Cimi, ainda, 19 casos de abuso de poder, 18 de ameaça de morte, 27 de ameaças diversas, 33 casos de lesão corporal, 38 tentativas de assassinato, 46 casos de racismo e discriminação étnico-cultural e 25 casos de violência sexual, além de 10 indígenas vítimas de homicídio culposo, totalizando 474 casos neste capítulo. O Cimi reúne ainda casos de violência por omissão do poder público. As informações compiladas a partir de dados obtidos junto ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), às secretarias estaduais de Saúde e à Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) totalizaram 215 suicídios indígenas em 2025, superando os 208 registrados no ano anterior. Amazonas (77), Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (37) foram os estados com maior número de casos. Os suicídios ficaram concentrados entre os jovens, com maior incidência entre indígenas de 20 a 29 anos (41%) e até 19 anos (34%). Os dados mostram 1.024 óbitos de bebês e crianças indígenas de até 4 anos, aumento significativo em relação aos 922 casos contabilizados no ano anterior. Os maiores números foram registrados nos estados do Amazonas (306), Roraima (158) e Mato Grosso (123). Do total de 1.024 óbitos, 586, o equivalente a 57%, foram por causas consideradas evitáveis, com destaque para mortes decorrentes de gripe e pneumonia (104), doenças infecciosas intestinais (85) e desnutrição (32). Nota do governo federal "O Governo Federal defende que a proteção dos povos indígenas passa necessariamente pela garantia de seus territórios. Nesse sentido, o fortalecimento institucional da FUNAI e a criação do Ministério dos Povos Indígenas são decisões de governo imprescindíveis para a promoção e a execução de uma política indigenista permanente, articulada e capaz de assegurar os direitos previstos na Constituição Federal. Uma das prioridades do Governo Federal desde 2023 foi a retomada da política de demarcação de Terras Indígenas, após anos de paralisação. Desde o início da atual gestão, foram homologadas 20 Terras Indígenas, que somam mais de 3,2 milhões de hectares, além da assinatura de 21 portarias declaratórias, abrangendo outros 1,5 milhão de hectares. Também foram constituídas 31 Reservas Indígenas, totalizando cerca de 86 mil hectares, e 18 territórios indígenas foram delimitados, totalizando 7,5 milhões de hectares. Além disso, foram reativados 51 grupos técnicos responsáveis por estudos de identificação e delimitação, com 160 grupos técnicos em curso na atual gestão. Esses números demonstram que a retomada da política de demarcação envolve diferentes etapas administrativas e técnicas, que precisam ser concluídas para que os territórios avancem até a homologação e a regularização definitiva. A garantia territorial também é acompanhada de ações de proteção e combate às invasões e às atividades ilícitas. Até o momento, 12 Terras Indígenas passaram por processos de desintrusão, beneficiando diretamente mais de 67 mil indígenas e contribuindo para a proteção de 27,5 milhões de hectares. A redução da violência contra os povos indígenas exige uma atuação permanente e articulada do Estado, que combine demarcação e proteção territorial, enfrentamento às invasões e às atividades ilícitas, fortalecimento dos órgãos públicos e responsabilização dos autores de crimes. É nesse conjunto de políticas que o Governo Federal tem concentrado esforços para garantir, na prática, os direitos assegurados pela Constituição aos povos indígenas".