Em Piracanjuba, cidade de pouco mais de 25 mil habitantes no sul de Goiás, um sistema construído por um único morador passou a fazer o que a estrutura municipal não fazia. Desde o fim de janeiro, o Piracanjuba.ai reúne em um só lugar salários de servidores, contratos, licitações e indicadores de saúde e educação, informações que a prefeitura mantinha espalhadas em portais difíceis de navegar. O responsável é Gianluca Ferro, empresário de 35 anos que usa Inteligência Artificial para organizar o que a Lei de Acesso à Informação garante ao cidadão, mas que na prática poucos conseguem encontrar.
Ferro acompanha a administração pública de Piracanjuba desde 2012, quando tinha 22 anos e começou a questionar gastos e contratos públicos do município. Por conta do perfil crítico, muitos imaginavam que o rapaz sonhava com a carreira política. Ferro nunca, porém, se filiou a um partido, disputou eleição ou ocupou cargo público. Preferiu apostar na tecnologia. A plataforma nasceu como extensão natural do acompanhamento pessoal, um jeito de transformar anos de observação individual em ferramenta coletiva, acessível para qualquer morador da cidade.
A primeira versão funcional levou menos de uma semana para ficar pronta, com investimento de pouco mais de mil reais. O produto atual resulta de meses de testes, correções e integração de novas fontes de dados, um trabalho medido menos em dinheiro do que em horas de dedicação pessoal. O Piracanjuba.ai combina coletores automáticos, chamados de cron jobs, com validação manual. Remunerações são atualizadas mensalmente, contratos e licitações passam por checagem diária. Depois da coleta, os registros seguem para normalização, eliminação de duplicidades e cruzamento com outras bases, sempre com indicação da fonte original.






