Levantamento da plataforma de inteligência imobiliária Órulo, feito a pedido do CIMI360, revela que incorporadoras brasileiras acumulavam, até o fim de junho, 30.085 imóveis novos concluídos e ainda sem comprador em 11 regiões metropolitanas do País. Pelo preço anunciado pelas próprias empresas, esse estoque parado representa 38,1 bilhões de reais. A divisão do valor total pelo número de unidades resulta em um preço médio por unidade de, aproximadamente, 1,27 milhão de reais. Os dados mostram que um em cada oito imóveis novos disponíveis nessas regiões está pronto para morar, proporção que supera um em cada quatro em Porto Alegre, Goiânia e na Grande Florianópolis.
O paradoxo é que esse estoque convive com um déficit habitacional estimado em 6 milhões de moradias no Brasil, pois quem precisa de casa nem sempre consegue pagar pelo produto pronto disponível no mercado. Entre as causas está a Selic elevada, que encareceu o financiamento imobiliário e reduziu o ritmo de compra das famílias, derrubando as vendas do segmento financiado pelo SBPE em 30,7%. Juros altos também levam parte dos compradores a preferir investimentos como o CDI, mais rentáveis no curto prazo do que imobilizar capital em um imóvel. Enquanto isso, o estoque parado gera custos extras às incorporadoras, como manutenção, condomínio e impostos, imobilizando recursos que poderiam ser reinvestidos.








