Cerimônia foi realizada em Havana enquanto ilha enfrenta uma das maiores crises econômicas de sua História recente em meio a ameaças dos Estados Unidos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 4min Raúl Castro, de 95 anos, esteve na cerimônia que marcou o centenário de Fidel Castro no Teatro Karl Marx, em Havana — Foto: YAMIL LAGE/AFP O ex-presidente cubano Raúl Castro, de 95 anos, que não era visto em público há vários meses, reapareceu em um evento realizado em Havana para celebrar os 100 anos que seu irmão, Fidel Castro, completaria nesta quinta-feira (13). A última aparição pública de Raúl Castro tinha ocorrido nas celebrações do 1º de maio, em frente à embaixada dos Estados Unidos em Havana, onde foi visto com aparente fragilidade. Ele apareceu em seguida na televisão estatal durante dois atos em junho. Vestido com seu uniforme verde-oliva, Raúl, indiciado em maio pela Justiça americana, foi ovacionado ao entrar no Teatro Karl Marx. Também participaram da cerimônia o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e a cúpula do governista Partido Comunista. Raúl Castro ocupou um assento ao lado da viúva de Fidel, Dalia Soto del Valle, que raramente aparece em atos públicos. Uma imagem de Fidel Castro é projetada no evento em comemoração ao centenário de Fidel Castro realizado no Teatro Karl Marx, em Havana — Foto: YAMIL LAGE/AFP O irmão mais novo de Fidel Castro foi indiciado, em maio, em Miami, pela morte de quatro americanos na derrubada de dois aviões de pequeno porte de um grupo anti-Castro, em 1996. Na época, Raúl era ministro da Defesa. O indiciamento é parte da política de "pressão máxima" sobre Cuba adotada pelo governo do presidente americano Donald Trump contra a ilha, especialmente após a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro, até então um aliado de Havana, em uma ação militar dos astados Unidos em janeiro. Além do bloqueio de petróleo contra Cuba instituído pelo governo Trump — que somado ao bloqueio econômico em vigor desde 1962 originou uma das mais graves crises econômicas e energéticas já enfrentadas pela ilha —, o governo do republicano mobilizou nos últimos meses uma ofensiva de sanções contra dirigentes, empresas e instituições do país. Trump afirma que Cuba, situada a 150 km da costa da Flórida, representa "uma ameaça extraordinária" para a segurança nacional dos Estados Unidos e ameaçou em várias ocasiões "tomar o controle" do país. Diante de jornalistas em viagem ao Panamá, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o governo dos EUA tem todas as opções sobre a mesa para usar contra Cuba: Em relação a Cuba, "todas as opções estão sobre a mesa, inclusive as militares (...), e certamente não representam nenhum rival para os Estados Unidos", disse Hegseth a jornalistas, na quarta-feira. Papel importante Embora não ocupe nenhum cargo oficial nem no governo, nem no Partido Comunista, Raúl mantém um papel importante nas decisões políticas e tem a lealdade das forças armadas. Em junho, a Presidência de Cuba informou, em sua conta no X, que o ex-presidente cubano tinha dado seu aval a um pacote de reformas econômicas para fazer frente à crise econômica na ilha, sob ameaça de Washington. Essas medidas representam a maior mudança de modelo desde que Cuba adotou o comunismo, há quase 70 anos. Bloqueio total de combustíveis mergulha Cuba em sua pior crise energética recente 1 de 20 Já não há mais gasolina nos postos oficiais e no mercado negro o combustível é comercializado a US$ 9,00 o litro. Foto Yan Boechat 2 de 20 Mulher observa prateleiras vazias de uma farmácia na região central da capital cubana. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 20 fotos 3 de 20 Moradores do centro de Havana percorrem as bodegas, mini-mercados estatais, em busca de suprimentos básicos a preços subsidiados. Foto Yan Boechat 4 de 20 Mesmo em meio às ameaças de colapso, cubanos seguem buscando meio de encontrar diversão e não suspenderam sequer as festas de 15 anos, extremamente populares no país. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 5 de 20 Moradores do centro de Havana percorrem as bodegas, mini-mercados estatais, em busca de suprimentos básicos a preços subsidiados. Foto Yan Boechat 6 de 20 Com agravamento da crise, igrejas evangélicas neo-petencostais ganham força entre cubanos prometendo intervenção divina sobre a crise que fustiga o país. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 7 de 20 Com agravamento da crise, igrejas evangélicas neo-petencostais ganham força entre cubanos prometendo intervenção divina sobre a crise que fustiga o país. Foto Yan Boechat 8 de 20 Com agravamento da crise, igrejas evangélicas neo-petencostais ganham força entre cubanos prometendo intervenção divina sobre a crise que fustiga o país. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 9 de 20 O Malecón, grande molhe que protege Havana do mar, ainda é fonte de diversão para os segmentos mais pobres da população. Foto Yan Boechat 10 de 20 Mesmo com a pior crise que o país enfrenta em décadas, os serviços de educação e saúde seguem operando em Havana, como essa escola de boxe em Havana Vieja. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 11 de 20 Havana tem registrado apagões constantes por conta da escassez de combustível causada pelo bloqueio americano, que há mais de um mês não permite a entrada de petróleo na Ilha. Foto Yan Boechat 12 de 20 Com a crise de combustíveis que afeta o país, há cada vez menos carros nas ruas de Havana. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 13 de 20 Sem combustível para abastecer os caminhões, serviços públicos essenciais, como a coleta de lixo, se tornam cada vez mais raros. Foto Yan Boechat 14 de 20 Com a crise de combustíveis que afeta o país, há cada vez menos carros nas ruas de Havana. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 15 de 20 Sem combustível para abastecer os caminhões, serviços públicos essenciais, como a coleta de lixo, se tornam cada vez mais raros. Foto Yan Boechat 16 de 20 -Sem combustível para abastecer os caminhões, serviços públicos essenciais, como a coleta de lixo, se tornam cada vez mais raros. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 17 de 20 Crianças brincam em um parque infantil em ruínas que também serve de lixeira comunitária no centro de Havana. Foto Yan Boechat 18 de 20 Sem combustível para abastecer as usinas térmicas de energia, boa parte de Havana fica às escuras em várias partes do dia e da noite. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 19 de 20 O Malecón, grande molhe que protege Havana do mar, ainda é fonte de diversão para os segmentos mais pobres da população. Foto Yan Boechat 20 de 20 avana tem registrado apagões constantes por conta da escassez de combustível causada pelo bloqueio americano, que há mais de um mês não permite a entrada de petróleo na Ilha. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade Com escassez, cubanos voltam a andar a pé e ruas são tomadas por lixo e esgoto No "ato político cultural pelo centenário do Comandante-em-Chefe", participou o grupo de teatro infantil La Colmenita, na companhia do qual Fidel Castro costumava comemorar seus aniversários. Quase ao final da apresentação, Raúl se levantou do assento e, visivelmente incomodado, instou com gestos aos presentes no teatro que ficassem de pé e aplaudissem a atuação das crianças. Também participaram do ato cientistas, expoentes do esporte e outros cubanos que mantiveram uma relação especial com Fidel Castro, entre eles Elián González, que quando criança se tornou um símbolo da disputa entre Washington e Havana ao ser resgatado após o naufrágio do barco em que viajava com a família tentando chegar à Flórida. As medidas de segurança adotadas pelos organizadores impediram que jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas deixassem o local onde foram posicionados inicialmente. Na quarta-feira, como parte das atividades por ocasião do centenário, foram apresentadas as "Obras Escolhidas de Fidel Castro", em 23 volumes, com prólogo de Raúl Castro.