Condenados serão executados no Tennessee, Alabama e Oklahoma, segundo previsão oficial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Câmara de execução no Texas, onde condenados à pena de morte também são mortos por injeção letal — Foto: AFP Os Estados Unidos têm três execuções programadas para esta quinta-feira (13), em um movimento que, caso seja concretizado, não ocorria no país havia 16 anos. As sentenças estão previstas para serem cumpridas no Tennessee, no Alabama e em Oklahoma, envolvendo três homens condenados por homicídios. O cenário ocorre em meio ao aumento do uso da pena de morte no país e durante o governo de Donald Trump, defensor da aplicação da pena capital. Os condenados são Anthony Darrell Hines, de 66 anos, no Tennessee; Jeremy Williams, de 42, no Alabama; e Carlos Cuesta-Rodriguez, de 70, em Oklahoma. Os três estão presos há anos e tiveram recursos contra as sentenças analisados pela Justiça. A última vez em que três execuções foram programadas para o mesmo dia nos Estados Unidos foi em 2010, segundo o Death Penalty Information Center. Ainda existe, porém, a possibilidade de decisões judiciais de última hora ou intervenções de autoridades estaduais alterarem o cronograma. Aumento das execuções O número de execuções nos Estados Unidos vem crescendo. Em 2025, 47 presos foram executados em 11 estados, o maior número registrado no país desde 2009, quando houve 52 execuções. Neste ano, 19 execuções já ocorreram até esta quinta-feira. A Flórida liderou o número de execuções em 2025, com 19, seguida por Alabama, Carolina do Sul e Texas, com cinco cada. A maior parte das sentenças foi cumprida por injeção letal, mas também foram utilizados pelotões de fuzilamento e hipóxia por nitrogênio, segundo informações da agência de notícias AFP. A pena de morte, no entanto, não é permitida em todo o país. 23 dos 50 estados americanos aboliram a prática, enquanto Califórnia, Oregon e Pensilvânia mantêm moratórias que suspendem as execuções. Trump e a pena de morte O cenário também coincide com a volta de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos. O republicano é um defensor histórico da pena de morte e tem defendido a ampliação de sua utilização para crimes considerados especialmente graves. Em setembro de 2025, Trump assinou uma ordem executiva relacionada à aplicação da pena capital em Washington D.C.. Ao anunciar a medida, o presidente afirmou que pessoas que matassem outras na capital poderiam ser submetidas à pena de morte. — Esta é a pena de morte para alguém que mata pessoas em Washington D.C. É uma pena capital muito interessante para cidade capital do nosso país. Não podemos permitir que isso aconteça. E se acontecer, é pena de morte para quem fez isso — disse Trump depois de assinar a ordem executiva no Salão Oval. A Casa Branca informou na ocasião que a ordem determinava que procuradores federais buscassem a pena capital nos casos cabíveis, quando as provas e as circunstâncias justificassem a sentença, no Distrito de Columbia. Três casos No Tennessee, Anthony Hines foi condenado pelo assassinato de uma mulher em 1985. Sua execução chama atenção porque ele passou por uma tentativa frustrada de aplicação da injeção letal cerca de três meses atrás. Na ocasião, a equipe responsável não conseguiu estabelecer adequadamente o acesso intravenoso. Hines, que tem sequelas de dois derrames, argumentou que seu estado de saúde aumentaria os riscos de complicações. No Alabama, Jeremy Williams foi condenado pelo estupro e assassinato de uma menina de 5 anos. Ele chegou a pedir que sua própria sentença fosse executada. Já no Oklahoma, Carlos Cuesta-Rodriguez foi condenado pelo assassinato da companheira, cometido em 2003. Advogados afirmaram que ele sofre de transtornos mentais e danos cerebrais, mas o próprio condenado também rejeitou pedidos para reduzir sua pena. Carlos Cuesta-Rodriguez, condenado à pena de morte nos EUA — Foto: AFP PHOTO / OKLAHOMA STATE DEPARTMENT OF CORRECTIONS Apoio à pena de morte diminui O aumento das execuções ocorre apesar de uma redução no apoio da população americana à pena capital. Segundo levantamento do instituto Gallup citado nas informações, 52% dos americanos consideram a pena de morte moralmente aceitável, o menor percentual desde a década de 1970. As execuções recentes também provocaram questionamentos sobre os métodos utilizados. Problemas com injeções letais, dificuldade para obter os medicamentos e o uso de alternativas como o gás nitrogênio alimentam críticas à prática. A Organização das Nações Unidas já classificou a utilização do nitrogênio em execuções como cruel e desumana.