Com a presença de grandes nomes do setor, Fórum de Arquitetura e Urbanismo CASACOR destaca a importância de modelos orientados pela integração entre infraestrutura, mobilidade e crescimento econômico 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os secretários municipais Fabrício Cobra, das Subprefeituras; Marcos Monteiro, de Infraestrutura Urbana e Obras; Guilherme Afif Domingos, secretário extraordinário de Projetos Estratégicos do Estado — Foto: Divulgação Os desafios e as oportunidades que moldam o novo panorama de desenvolvimento urbano foram destaque na programação do 1º Fórum de Arquitetura e Urbanismo CASACOR, em São Paulo. O evento reuniu especialistas, pesquisadores, agentes públicos e lideranças corporativas em uma discussão colaborativa sobre os planejamentos, as tecnologias, as políticas e os formatos de gestão que vêm orientando o crescimento de cidades inclusivas e sustentáveis. A importância de estabelecer conexões estruturadas entre prefeituras, governos e empresas do setor foi ressaltada por Jorge Cury, presidente do Secovi-SP. “Nenhuma cidade se constrói sozinha. Para alcançar resultados de longo prazo e melhorar a qualidade de vida das pessoas, é preciso fomentar o diálogo entre diversas pontas do mercado, fortalecendo a construção de consensos pautados pelos interesses coletivos”, afirmou Cury, durante a cerimônia de abertura do encontro. Jorge Cury Neto, presidente do Secovi-SP — Foto: Divulgação Um dos pontos mais decisivos para a consolidação desse cenário, os gargalos de mobilidade foram debatidos em um painel que teve como foco os pontos de fricção apresentados em regiões periféricas. Para Elisabete França, Secretária Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo, a fluidez e a capacidade dos deslocamentos estão diretamente ligadas à incorporação de pilares de infraestrutura, incluindo projetos de redução de déficit habitacional, acesso a serviços básicos e disponibilização de redes intermodais de transporte. Entre os casos que exemplificam o potencial dessa abordagem, ela apontou a criação do Aquático-SP, sistema hidroviário, que usa a represa Billings como corredor de transporte, reduzindo trajetos de até 2 horas para aproximadamente 15 minutos. Conectado ao Bilhete Único, o sistema já atendeu mais de 1 milhão de passageiros. “A prioridade deve estar na formação de metrópoles de acessibilidade total, levando em conta os contextos de cada região. Para que isso aconteça, precisamos investir em diferentes formatos e tecnologias de mobilidade”, disse França. Elisabete França, Secretária Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo — Foto: Divulgação Resgate histórico Em meio às prioridades de desenvolvimento urbano, a revitalização das áreas centrais tem se mostrado como uma das agendas mais urgentes para o futuro das metrópoles brasileiras. "Grande parte do sucesso dos projetos está ligado a um trabalho baseado na colaboração entre variadas secretarias e instituições. Contemplar as perspectivas de diversos olhares é fundamental para aumentar a efetividade das ações", disse Marcos Monteiro, Secretário Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras da Prefeitura de São Paulo. Marcos Monteiro, Secretário Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras da Prefeitura de São Paulo e Engenheiro Civil — Foto: Divulgação Entre os projetos que vêm impulsionando a retomada das atividades econômicas, culturais e imobiliárias locais, Guilherme Afif Domingos, Secretário Extraordinário de Projetos Estratégicos do Estado de São Paulo, ressaltou a implementação da nova sede do governo no bairro dos Campos Elíseos — movimento que deve resultar em um fluxo direto de 22 mil funcionários instalados em mais de 40 imóveis de alto padrão. “A mudança faz parte de um movimento sem precedentes de retomada do centro de São Paulo, que tem como foco a requalificação de uma área que concentra parte fundamental do patrimônio histórico e do equipamento cultural da cidade. A partir de ações conjuntas realizadas pelo município e pelo estado, a região vem sendo resgatada por meio de frentes integradas de investimentos, combate à criminalidade e acesso a serviços de qualidade, incentivando a volta de projetos imobiliários qualificados”, explicou. No âmbito das políticas públicas de incentivo e regulamentação, a transformação do ambiente urbano tem como base o sucesso de programas como o Requalifica Centro, iniciativa da Prefeitura de São Paulo que estimula o retrofit e a conversão de prédios antigos ou subutilizados em espaços habitacionais e comerciais, com subsídios diretos, simplificação burocrática e redução de impostos e taxas municipais. Fabrício Cobra: “Queremos que o centro seja um local de permanência, onde as pessoas se relacionem com a região da mesma maneira que vivenciam suas rotinas em outros bairros” — Foto: Divulgação “Quando pensamos no desenvolvimento das cidades, o foco deve estar nas pessoas. A abertura de canais de escuta para as demandas reais da sociedade faz com que o mapeamento de prioridades seja mais assertivo, permitindo um planejamento mais claro sobre as ações necessárias para atrair investimentos do mercado imobiliário”, afirmou Fabrício Cobra, Secretário Municipal das Subprefeituras. “Queremos que o centro seja um local de permanência, onde as pessoas se relacionem com a região da mesma maneira que vivenciam suas rotinas em outros bairros, unindo trabalho, habitação, cultura e gastronomia”, complementou. Impulsionando potencialidades Longe dos centros das metrópoles, a reestruturação de zonas periféricas e áreas vulneráveis vem se apresentando como outro ponto fundamental para equalizar desigualdades e promover oportunidades de crescimento sistêmicas e orientadas por resultados de longo prazo. O potencial de modelos que respeitem as características de territórios autoestabelecidos pode ser observado nas ações realizadas em programas como o Nova Paraisópolis, projeto de urbanização integrada da prefeitura de São Paulo. Com uma população estimada em aproximadamente 60 mil habitantes, a comunidade da Zona Sul apresenta vantagens intrínsecas de bairros compactos, como fachada ativa, mobilidade orgânica (alta intensidade de pedestres e uso de transporte coletivo de média capacidade) e vida social intensa em vias compartilhadas. Baseados nessas configurações, os planos de intervenção vêm sendo direcionados pela atuação em áreas como segurança, resiliência climática, melhoria do conforto térmico e ampliação da vegetação urbana. “É preciso aproveitar as qualidades arquitetônicas que já existem no local, impulsionando essas vantagens com investimentos capazes de escalar os efeitos das ações realizadas, congregando as perspectivas de diferentes perfis de moradores e empreendedores”, afirmou Pedro Fernandes, presidente da SP Urbanismo. Pedro Fernandes, presidente da SP Urbanismo — Foto: Divulgação Mais do que promover melhorias incrementais, trata-se de um modelo que vem revelando novos caminhos para conectar projetos de engenharia e arquitetura a escopos mais amplos de inclusão, prosperidade econômica e sustentabilidade — e consolidar as iniciativas de planejamento urbano como verdadeiros instrumentos de transformação social. "Em vez de adotar perspectivas isoladas, as expectativas de retorno devem contemplar dimensões sociais, ambientais e econômicas. Para que isso aconteça, é preciso apostar em iniciativas que sejam baseadas na realidade concreta que as pessoas construíram durante décadas e valorizar essas potencialidades”, concluiu Fernandes.
Iniciativas de colaboração e planejamento integrado abrem novos caminhos para o futuro das cidades
Com a presença de grandes nomes do setor, Fórum de Arquitetura e Urbanismo CASACOR destaca a importância de modelos orientados pela integração entre infraestrutura, mobilidade e crescimento econômico






