Maior produtora de cimento do país, empresa vem implementando aumentos de preço e não descarta novos reajustes se a inflação de custos continuar resiliente, segundo comando 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fábrica Rio Branco do Sul, no Paraná, da Votorantim Cimentos — Foto: Votorantim Cimentos/ Divulgação O cenário de custos no exterior ainda está muito volátil e continua a trazer inflação para o custo de produção de cimento no Brasil, de acordo com Osvaldo Ayres Filho, presidente global da Votorantim Cimentos. A empresa, que é a maior produtora de cimento do país, vem implementando aumentos de preço e não descarta novos reajustes se a inflação de custos continuar resiliente, afirma o executivo. “Temos que buscar recompor margens que tendem a se comprimir”, disse ele, em entrevista ao Valor. A empresa divulgou seus resultados do segundo trimestre, com queda de 65% no lucro líquido puxada por uma diferença na comparação com a mesma base do ano anterior, que contava com operações no Marrocos e na Tunísia, que foram vendidas. “Foi um segundo trimestre de forte crescimento operacional”, afirmou Ayres Filho, com alta de 6% no volume de cimento vendido, para 9,9 milhões de toneladas, de 10% na receita (R$ 8,2 bilhões) e de 9% no Ebitda ajustado, que atingiu R$ 1,93 bilhão. A empresa deve enfrentar mais instabilidade à frente. No próximo dia 19, estão previstas para entrar em vigor as novas tarifas de 50% para a exportação de produtos canadenses aos Estados Unidos, medida anunciada pelo governo Trump. Ainda não foi feito um acordo, e as tarifas incidirão sobre o cimento. A fabricante brasileira tem capacidade para produzir 8 milhões de toneladas de cimento ao ano na América do Norte, e metade dessa capacidade está instalada no Canadá. A empresa exporta parte da produção aos Estados Unidos, país que passa por um ano com consumo menor de cimento — a American Cement Association, associação local de produtores, prevê queda de 0,6% no consumo em 2026. “É uma situação muito volátil, apesar da data estar tão perto”, afirmou Ayres Filho, acrescentando que a empresa tem um plano de contingência com “10 a 15 ações industriais, logísticas e comerciais” para o caso de implementação das tarifas. “Mas não adianta colocar em marcha, porque não sabemos se serão efetivadas e, se forem, qual a gradação”, disse. Ainda de acordo com ele, o plano de contingência da companhia deve “mitigar boa parte” dos efeitos das tarifas e “qualquer efeito residual” não deve trazer impacto significativo para o resultado consolidado do negócio.