Um policial militar é filmado mexendo no porta-malas do carro de um homem que havia sido morto minutos antes, a tiros, por equipes da PM em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo. No mesmo porta-malas, uma mochila com 12 tijolos de maconha é fotografada horas depois pela perícia do Instituto de Criminalística.

A cena captada por uma câmera de vigilância e outros detalhes do caso de novembro de 2025, que não eram conhecidos publicamente até aqui, lançam dúvidas sobre a conduta dos policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, tropa de elite conhecida pelos altos índices de letalidade).

Na gravação, o PM está em um pequeno espaço entre a parte traseira do carro da vítima, um Toyota Corolla prata, e a lateral de uma viatura da polícia que está com a porta aberta —e que bloqueia a visão de quem passa pela rua. Ele parece retirar algo de dentro da viatura antes de mexer no porta-malas do Corolla, que não havia sido aberto até então.

Outro policial, ao seu lado, é quem abre o compartimento. Ele não olha dentro do porta-malas —o que seria esperado em um procedimento de revista— e mantém o rosto em outra direção. Não é possível enxergar o que o PM manuseia enquanto está parado entre os dois carros.