No boletim anterior, publicado em 9 de julho, a agência calculava em 81% a probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro deste ano. Ainda de acordo com a NOAA, considerando as projeções atuais de temperatura do oceano, há 69% de chance do evento ficar entre os maiores registrados desde 1950. A nova projeção chega em um momento em que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial continua aumentando. "O índice de temperatura supbsuperficial equatorial aumentou durante julho, refletindo uma ano 🌊 Entenda: O El Niño e a La Niña são as duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico equatorial. Imagem de 3 de agosto de 2026, feita com dados do satélite Sentinel-6 Michael Freilich, mostra mudanças no nível do Oceano Pacífico associadas ao El Niño. — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA Quando a NOAA divulgou seu último boletim mensal, em julho, o índice semanal da chamada região Niño 3.4, uma das principais áreas usadas para acompanhar a evolução do fenômeno, estava em +1,2°C. Na atualização das condições do oceano publicada em 10 de agosto, essa anomalia já havia chegado a +1,8°C. Em outras palavras, a temperatura nessa parte do Pacífico passou de 1,2°C para 1,8°C acima da média em cerca de um mês. O valor de +1,8°C já é considerado pela Climatempo, por exemplo, como compatível com um El Niño de forte intensidade. A NOAA, por sua vez, vinha descrevendo o fenômeno como um El Niño em fortalecimento, sem classificar oficialmente o episódio atual como forte no boletim mensal anterior. No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região e com a época do ano (atualmente, o pico previsto é entre novembro e janeiro). Historicamente, o El Niño costuma aumentar a chuva no Sul, o que pode elevar o risco de temporais e cheias. No Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno tende a reduzir as precipitações e pode agravar períodos de seca. No Sudeste e no Centro-Oeste, os impactos podem ser mais irregulares, com calor mais frequente, pancadas mal distribuídas e mudanças no comportamento das frentes frias. TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O EL NIÑO: Veja os vídeos que estão em alta no g1 A força do El Niño depende do quanto o Pacífico Equatorial vai aquecer nos próximos meses e, principalmente, de como a atmosfera vai responder a esse aquecimento. Para que o fenômeno ganhe intensidade, não basta o oceano ficar mais quente: é preciso que o sistema oceano-atmosfera passe a atuar de forma acoplada e persistente. Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem mudando cada vez mais o clima do planeta, que já está mais quente que no passado. Mesmo quando são considerados fracos ou moderados, esses eventos acontecem em um mundo aquecido e acabam aumentando o risco de extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. Veja: 2006–2007: El Niño fraco a moderado.2009–2010: El Niño moderado.2014–2016: El Niño muito forte, ligado a recordes de calor e extremos mais frequentes.2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com impactos mais limitados.2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor. 🌎 O que é o El Niño — e por que ele importa tanto O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador. Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta. Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos. O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global. A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado. Condições geradas por El Niño podem facilitar as queimadas e impactar produções agrícolas. — Foto: Michael Dantas/AFP via DW 🌧️ Possíveis impactos no Brasil Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa: aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos;redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste;mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste;maior frequência de ondas de calor. Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão. Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima. Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta. El Niño e La Niña — Foto: Arte g1/Luisa Rivas LEIA TAMBÉM: