O princípio de "A Morte de Robin Hood" se enuncia desde o início do filme —esqueça essa história de Robin Hood herói que você escuta desde que nasceu. Ele não passa de um bandoleiro. Com efeito, o que distingue o mocinho do bandido é, em geral, quem ganhou a guerra ou, mais genericamente, quem ficou com o poder.
Portanto, agora Robin Hood, vivido por Hugh Jackman, é bandido e não se fala mais nisso. Está velho e alquebrado. O que se segue nos remete em linha reta a esses filmes de extrema direita sobre bem e mal, vingança e redenção. Mais do que isso, há brutalidade, sangue e mortes aos montes.
Não é apenas Robin Hood o responsável por esse estado de coisas. Segundo o filme, são vinganças que sucedem vinganças, como se estivéssemos na Sicília. Mas não, é a Inglaterra da Idade Média. Estamos em um mundo escuro —na verdade, o filme é escuro—, povoado por bárbaros e barbáries. O tipo de mundo que espera por uma redenção.
O protagonista reencontra seu velho comparsa Little John —ou João Pequeno, como preferia Monteiro Lobato em sua versão da lenda. E Little John, vivido por Bill Skarsgard e malvado como Robin Hood, agora tem mulher e filha. E ambas estão sujeitas às atrocidades de outros homens tão maus quanto eles.









