Mandado foi autorizado pela Justiça da Paraíba; advogado já havia sido alvo de investigação sobre suposta fraude de R$ 3,8 bilhões em créditos de ICMS 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nelson Willians — Foto: Divulgação A Polícia Federal realiza uma nova operação na casa do advogado Nelson Wilians, em São Paulo. Agentes federais cumprem mandado de busca e apreensão na mansão do advogado por determinação da Justiça da Paraíba. A operação Arena investiga um grupo empresarial que teria utilizado estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e o destino de recursos de jogos de azar e apostas esportivas. São cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados, além de medidas de quebra de sigilos e sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores. Segundo a PF, os investigados podem responder por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Wilians também havia sido alvo, em 15 de julho, de uma operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP) que investigou um esquema de suposta venda de créditos falsos de ICMS em São Paulo e no Paraná. Um dos principais núcleos investigados na operação é ligado a um grupo econômico associado a Wilians, cujo escritório também foi alvo de buscas na operação. A apuração ainda teve entre os alvos Anne Wilians, mulher e sócia do advogado, e a advogada Mayra de Paula, em Londrina, apontada pelos investigadores como uma das pessoas ligadas a Wilians no esquema. De acordo com o Fisco paulista, a organização utilizava empresas de fachada, inativas ou sem estrutura operacional para emitir documentos fiscais e criar uma circulação artificial de créditos de ICMS. Esses créditos, segundo a investigação, eram posteriormente incorporados à escrituração fiscal de empresas, principalmente de pequeno e médio porte, que acreditavam estar adquirindo créditos tributários legítimos. Ainda conforme a apuração, os investigados simulavam a existência dos créditos e, posteriormente, apresentavam documentos e telas falsas para indicar que eventuais multas aplicadas às empresas haviam sido quitadas. Escritórios de advocacia, consultorias e intermediadoras também fariam parte da estrutura, prospectando clientes, elaborando contratos e produzindo pareceres jurídicos para conferir aparência de legalidade às operações. Além do núcleo ligado ao grupo econômico de Nelson Wilians, a investigação mira integrantes dos grupos Alpha e DMC. Para justificar a origem dos créditos, os investigados alegariam, por exemplo, supostos direitos relacionados a massas falidas ou a decisões judiciais antigas envolvendo desapropriações. Segundo o CIRA/SP, também teriam sido utilizados indevidamente atos administrativos e decisões judiciais que ainda não haviam transitado em julgado. A apuração aponta ainda para o uso de documentos supostamente falsos atribuídos a auditores fiscais, além da venda de créditos sem relação efetiva com o ICMS e vinculados a empresas sem atividade operacional. Os investigadores também identificaram supostas cessões e operações de gerenciamento utilizadas para formalizar as transações. O CIRA/SP abriu 874 Ordens de Serviço Fiscal para analisar cerca de 9.960 lançamentos considerados suspeitos, envolvendo mais de 850 empresas. Segundo o comitê, a investigação busca diferenciar empresas que teriam participado conscientemente do esquema daquelas que podem ter sido vítimas e adquirido os créditos de boa-fé. Até agora, a Secretaria da Fazenda paulista realizou fiscalizações que resultaram em autos de infração contra 752 empresas. Em nota divulgada após a operação de julho, o Nelson Wilians Advogados afirmou que a gestão das operações investigadas era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, "sem qualquer vínculo societário ou de controle com o NWADV". A banca disse que, ao identificar inconsistências, encerrou a parceria e comunicou os clientes. Sobre a nova medida, o escritório afirmou que recebeu as autoridades e prestou "integral colaboração", permanecendo à disposição para prestar esclarecimentos. A banca também reiterou seu compromisso com a legalidade, a ética, a transparência e o devido processo legal. A Alpha Group, também citada na investigação, afirmou ter recebido "com absoluta perplexidade e surpresa" a informação de que é alvo da Operação Distrato. A empresa negou a prática de qualquer irregularidade fiscal ou penal e disse estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
PF faz nova operação na casa do advogado Nelson Wilians em São Paulo
Mandado foi autorizado pela Justiça da Paraíba; advogado já havia sido alvo de investigação sobre suposta fraude de R$ 3,8 bilhões em créditos de ICMS









