0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Painel solar: produção chinesa caiu 35% no primeiro semestre — Foto: Divulgação A indústria chinesa de painéis solares permanece presa em uma guerra de desgaste, com fabricantes relutantes em reduzir o excesso de capacidade por medo de perder participação de mercado. Com isso, as empresas vêm mantendo os preços bem abaixo dos níveis observados antes de uma onda de expansão da produção ocorrida há alguns anos. A produção de painéis solares entre janeiro e junho caiu 35% em relação ao ano anterior, atingindo 201 gigawatts, segundo a Associação da Indústria Fotovoltaica da China (CPIA) — a primeira queda anual desde a criação do grupo, em 2014. Os fabricantes chineses de painéis começaram a aumentar drasticamente a produção por volta de 2022, quando a alta nos preços da energia, decorrente da invasão da Ucrânia pela Rússia, estimulou expectativas de maior demanda. No entanto, o avanço da oferta superou o crescimento da demanda, levando os fabricantes a disputar participação de mercado e derrubando os preços. O excesso de oferta, que gera uma competição de preços desenfreada — uma dinâmica que a China chama de "involução" —, surgiu em diversos setores, desde veículos elétricos até restaurantes. Em 2024, o governo do presidente Xi Jinping começou a trabalhar para combater esse problema. No verão passado, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação realizou uma mesa-redonda com executivos dos principais fabricantes de painéis solares;. Na ocasião, uma autoridade do ministério discutiu o controle da competição excessiva de preços por meio de medidas como a redução da capacidade produtiva das empresas. Mais de um ano depois, Liu Yiyang, secretário-geral executivo da CPIA, afirmou no mês passado, durante um evento do setor na cidade de Ningbo, que a queda na produção do primeiro semestre "sinaliza que uma reversão é iminente". Contudo, a analista da BloombergNEF, Youru Tan, argumenta que a queda se deveu mais à retração da demanda chinesa por novas instalações solares do que às políticas de combate à "involução". A nova capacidade de geração solar instalada entre janeiro e junho despencou 66% em relação ao ano anterior, para 72 GW, segundo a Administração Nacional de Energia da China. Esse resultado marcou uma desaceleração em relação ao pico de demanda observado no ano passado, impulsionado por mudanças nas tarifas de incentivo à conexão à rede (“feed-in tariffs”). Este é o primeiro ano do mais recente plano econômico quinquenal da China, e muitos governos locais ainda não divulgaram planos detalhados para promover energias renováveis durante esse período. "As empresas estão adotando uma postura de espera enquanto aguardam medidas concretas", disse Junko Okazaki, da consultoria RTS, sediada em Tóquio. Fabricantes de painéis buscam impulsionar as exportações, mas, dada a imensa dimensão do mercado chinês — que responde por cerca de 60% das novas instalações em todo o mundo —, é difícil compensar as quedas nesse mercado com vendas para outras regiões. Outros países também veem com maus olhos a exportação de "deflação" pela China, por meio de uma enxurrada de produtos de baixo custo. Além disso, a Índia e os Estados Unidos estão trabalhando para desenvolver suas próprias indústrias de fabricação de equipamentos solares. Os preços dos painéis solares continuam em baixa. Os preços de mercado situavam-se em cerca de 11 centavos de dólar por watt no final de junho, segundo a BloombergNEF — um valor ligeiramente superior ao do ano passado, mas ainda menos da metade do registrado por volta de 2022, quando os fabricantes começaram a competir para ampliar a produção. Algumas grandes empresas do setor, concluindo que será difícil lucrar apenas com a venda dos painéis, buscam diversificar suas atividades criando novas fontes de lucro. Em abril, a Longi Green Energy Technology anunciou sua "estratégia integrada de energia solar e armazenamento", um plano para expandir seu negócio de baterias que envolve uma parceria com uma empresa canadense para oferecer uma solução completa para as necessidades energéticas dos clientes. Também naquele mês, a JinkoSolar Holding anunciou planos de expandir sua atuação para a operação de centros de dados por meio de uma empresa do grupo. Com a demanda por centros de dados voltados à inteligência artificial em alta praticamente garantida, a empresa visa gerar um fluxo de lucro estável fornecendo energia para seus próprios data centers. No entanto, levará tempo até que esses novos negócios comecem a contribuir para os resultados financeiros. Pelo menos cinco dos principais fabricantes chineses de painéis solares informaram, até o final de julho, que esperavam registrar prejuízos líquidos no primeiro semestre de 2026. A Tongwei e a Longi projetam prejuízos de 5,4 bilhões de yuans (US$ 801 milhões) e 3,8 bilhões de yuans, respectivamente.