0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Painel solar é um dos produtos que usa polissilício em sua composição — Foto: Divulgação O governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira que vai impor uma tarifa de 15% e um preço mínimo sobre as importações de produtos feitos de polissilício, matéria-prima essencial utilizada em painéis solares e chips semicondutores. A medida visa proteger as empresas americanas de polissilício contra o domínio da China na cadeia de suprimentos do setor solar e suas ambições no mercado de chips semicondutores. As empresas receberão incentivos do governo se investirem na produção nacional do material, segundo um decreto assinado na quinta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A tarifa e o preço mínimo de importação entrarão em vigor em 4 de dezembro, segundo a Casa Branca. O polissilício será importado a um preço mínimo de US$ 21 por quilograma, enquanto o preço mínimo de importação para lingotes e “wafers” (placas) feitos do material será de US$ 100 por quilograma. Células e módulos solares importados terão preços iniciais de 22 centavos de dólar por watt e 38 centavos de dólar por watt, respectivamente. O secretário de Comércio terá autorização para ajustar os preços mínimos de importação. Caso se constate que empresas estão estocando polissilício antes de 4 de dezembro, o governo restringirá suas importações, segundo a Casa Branca. A produção de polissilício nos Estados Unidos é dominada pela Hemlock Semiconductor (da Corning) e pela Wacker Chemie (sediada em Munique). A Hemlock e a Wacker Chemie não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Mundialmente, os chineses lideram a produção de polissilício, com 96% da capacidade total em 2024, segundo a BloombergNEF. Os Estados Unidos responderam por 0,8% da produção global de polissilício. A indústria solar é a principal consumidora de polissilício, enquanto os chips semicondutores representaram 2,4% do consumo anual em 2025, segundo a Associação da Indústria de Semicondutores. O material é transformado em “wafers” de silício, que os Estados Unidos importam principalmente do Japão, de Taiwan e da Coreia do Sul. A Hanwha Qcells afirmou que a decisão da Casa Branca abrirá caminho para mais investimentos. "A demanda por energia confiável, acessível e segura nunca foi tão alta. Os fabricantes americanos de energia solar estão prontos para enfrentar esse desafio", afirmou Andy Park, executivo-chefe (CEO) da Hanwha Qcells. No entanto, críticos alertaram para o aumento dos custos. Alguns grupos do setor de energia solar já haviam manifestado descontentamento com a investigação, alegando que não há polissilício suficiente nos Estados Unidos para atender à demanda interna por energia solar. Segundo as associações, as tarifas sobre o material e seus derivados pressionarão a atividade industrial dos produtores americanos e elevarão os custos de parques solares e os preços de eletrônicos de consumo. No ano passado, o Ministério do Comércio, Indústria e Energia da Coreia do Sul afirmou que as restrições atrasariam os investimentos de empresas coreanas na expansão da fabricação de equipamentos solares nos Estados Unidos, devido aos custos mais elevados. Os Estados Unidos instalaram 7,8 gigawatts de capacidade solar no primeiro trimestre de 2026, o que representou 60% da nova capacidade de geração de eletricidade. Críticos alertaram que as novas tarifas atrasarão a modernização da infraestrutura energética e reduzirão a resiliência da rede elétrica, justamente em um momento em que a demanda por energia disparou devido ao crescimento acelerado da inteligência artificial. A administração Trump concluiu investigações sobre segurança nacional envolvendo outros produtos — incluindo automóveis, aço, cobre e madeira — com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial. Investigações semelhantes estão em andamento para drones, robôs industriais, turbinas eólicas e produtos farmacêuticos.
EUA impõem tarifa de 15% sobre matéria-prima de painel solar e chip em resposta à China
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