Grupo tem uma debênture emitida de R$ 400 milhões, cuja primeira parcela, de R$ 80 milhões, vence em outubro; em paralelo, a empresa se viu envolvida na crise da Apex Partners 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A CVC Corp viu seu prejuízo aumentar 56,2%, para R$ 72,5 milhões no segundo trimestre — Foto: Márcia Almeida/Valor Os executivos da CVC, maior agência de viagens do país, afastaram a necessidade de se fazer uma nova emissão de ações para manter o negócio de pé. Em conversa com o Valor, Fabio Mader, CEO da holding, e o diretor financeiro, Felipe Gomes, destacaram que há caixa para fazer frente aos vencimentos mais próximos e apontaram que a empresa avalia renegociações com credores. Confira os resultados e indicadores da CVC e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 O grupo tem uma debênture emitida de R$ 400 milhões, cuja primeira parcela, de R$ 80 milhões, vence em outubro próximo. Em paralelo, a empresa se viu envolvida na crise da Apex Partners, gestora capixaba e uma das principais acionistas da CVC. A Apex Partners informou, na quinta-feira (6), que foram encontradas “inconsistências financeiras” nos seus números e afastou Fernando Cinelli, um dos fundadores da gestora. Nesta terça (11), Cinelli ajuizou uma ação para obrigar a holding e mais 11 empresas do grupo a lhe entregar atas, contratos e e-mails sobre as operações que originaram a crise nas últimas semanas — entre elas, está a compra de participação na CVC. A CVC Corp viu seu prejuízo aumentar 56,2%, para R$ 72,5 milhões no segundo trimestre. O resultado foi influenciado pelo efeito da crise do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, que fez disparar o custo com passagens e afetou as margens. O grupo destacou ainda um efeito não recorrente de R$ 24 milhões, sobretudo diante da reestruturação tocada no período. A empresa demitiu cerca de 200 funcionários no Brasil e na Argentina — o que representa cerca de 12% da sua equipe. Mader disse que o grupo tem avançado na sua transformação, com foco na estratégia digital e rentabilidade, e apontou um cenário mais favorável no segundo semestre. Impactos dos negócios na Argentina Segundo ele, o maior impacto negativo no trimestre veio dos negócios na Argentina, afetados sobretudo pelo câmbio. “Quando vemos Brasil e Argentina, não foram números maravilhosos, mas foram melhores do que no ano passado. No Brasil, as vendas cresceram 4%”, disse. Segundo o executivo, o resultado da Argentina e a crise do petróleo em razão da guerra colaboraram para a queda no “take rate” (percentual da receita líquida que a empresa retém de fato após pagar os fornecedores). “Tivemos um aumento de 52% no preço da passagem aérea no segundo trimestre”, disse Mader, em referência aos dados do IBGE. Apenas no Brasil, a receita caiu 4,2%, para R$ 269 milhões. Enquanto isso, na Argentina, o recuo foi de 17,6%, para R$ 49,7 milhões. Proposta por ativos Como mostrou o Valor em maio, o negócio da CVC na Argentina chegou a ser alvo da Prosus, controladora da Despegar (que opera no Brasil como Decolar) e do iFood, para uma aquisição. Mader foi questionado sobre o tema, mas se limitou a dizer que o grupo não recebeu nenhuma proposta por seus ativos. Uma das prioridades da empresa tem sido a desalavancagem, segundo Felipe Gomes. Em 30 de junho de 2026, a dívida líquida era de R$ 215 milhões, uma redução de R$ 26,8 milhões contra o trimestre imediatamente anterior, reflexo da geração de caixa livre no trimestre. A alavancagem se manteve em 0,5 vez. Questionado sobre os vencimentos próximos de dívida, Gomes disse que o grupo estuda alternativas, como renegociação. O executivo ponderou que o caixa (considerando também recebíveis) está na casa de R$ 300 milhões, suficiente para fazer frente às pendências no curto prazo. Apex Partners "é acionista e não tem controle" Questionado sobre a Apex Partners, Mader se limitou a dizer que a gestora é acionista e não tem controle na operação. Cinelli entregou uma carta de renúncia ao conselho da CVC poucas horas após o comunicado da Apex acerca do seu afastamento. Pela regra do conselho da CVC, a empresa precisa ter cinco conselheiros — hoje, são apenas quatro e há prazo de 90 dias para o lugar ser preenchido. Ante o acordo de acionistas, a Apex tem o direito de indicar um nome. Na ausência dessa indicação, cabe ao conselho da CVC apontar um membro para a vaga.