Na primeira metade do ano, a indústria "seguiu andando de lado e sem grandes avanços", diz Confederação Nacional da Indústria (CNI) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Houve avanço expressivo dos custos de produção e forte entrada de importados impactando a indústria nacional — Foto: José Paulo Lacerda/CNI O faturamento da indústria de transformação cresceu 0,8% em junho, na comparação com maio, mas fechou o primeiro semestre do ano 1% abaixo do patamar registrado no mesmo período de 2025, de acordo com o boletim "Indicadores Industriais", divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira (12). No comparativo com junho do ano passado, houve avanço de 7,3%. A especialista em políticas e indústria da CNI, Larissa Nocko, afirma, em comunicado, que, na primeira metade do ano, a indústria "seguiu andando de lado e sem grandes avanços". "Isso se deve muito por conta do contexto de juros elevados em um ambiente em que o patamar de endividamento da população se encontra muito alto, tanto das famílias quanto das empresas. Isso acaba contribuindo muito para uma desaceleração da demanda e para um comportamento mais comedido relacionado aos investimentos e à expansão de plantas produtivas", afirma Ela também destaca o avanço expressivo dos custos de produção e a forte entrada de produtos importados como empecilhos para a indústria nacional. "Nesse contexto, é mais difícil que as indústrias consigam repassar o aumento dos custos para seus preços em função da concorrência com as importações, de modo que as margens são comprimidas", diz. O número de horas trabalhadas na produção ficou praticamente estável na passagem de maio para junho, que registrou variação positiva de apenas 0,2% na série livre de efeitos sazonais. Na comparação com junho de 2025, as horas trabalhadas na produção cresceram 0,7%. Contudo, na comparação do primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025, houve queda de 1,1%. A especialista da CNI também destaca que, apesar da variação positiva mensal no indicador de faturamento e horas trabalhadas na produção industrial, ainda é cedo para dizer que há uma retomada da atividade industrial. "Quando a gente olha o contexto geral, é um contexto em que a indústria segue andando de lado", diz. Empregos e massa salarial O emprego industrial também variou 0,2% em junho de 2026. No entanto, na comparação com junho de 2025, o emprego recuou 0,4% e, na comparação do primeiro semestre de 2026 com o mesmo período de 2025, houve queda de 0,6%. Com a perda de ritmo do setor industrial, as fábricas mobilizaram menos trabalhadores e maquinário para atender à demanda, o que fez a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) cair 0,6 ponto, passando de 77,4% para 76,8% em junho. Ao fim do primeiro semestre, a UCI média ficou 1 ponto percentual abaixo da observada no mesmo período do ano passado. Nocko ressalta que, apesar da queda do emprego na indústria de transformação, o mercado de trabalho brasileiro segue em um contexto "bastante aquecido". "E esse contexto bastante aquecido, no qual se encontra toda a economia brasileira, acaba repercutindo sobre a indústria de transformação nessa pressão de rendimentos", afirma a especialista da CNI ao se referir ao aumento da renda média e da massa salarial da indústria de transformação. A massa salarial cresceu 0,9% em junho, na série livre de efeitos sazonais. Na comparação interanual, também houve alta, de 0,5% e, na comparação entre os semestres correspondentes, crescimento de 0,8%. Já o rendimento médio real registrou crescimento de 0,6% na passagem de maio para junho de 2026, na série com ajuste sazonal. Na comparação interanual, houve crescimento de 0,9% e, na comparação semestral, também houve avanço de 1,4%.
Faturamento da indústria sobe em junho, mas recua 1% no primeiro semestre de 2026
Na primeira metade do ano, a indústria "seguiu andando de lado e sem grandes avanços", diz Confederação Nacional da Indústria (CNI)






