Salma Lloreda, de 13 meses, morreu junto com sua avó; o pai da menina está pedindo apoio do setor privado para o processo de identificação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pessoas procuram sobreviventes nos escombros de prédios em Cali que colapsaram com terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia — Foto: Joaquín SARMIENTO / AFP Em meio às intensas operações de busca, resgate e recuperação de corpos em todos os municípios afetados pelo terremoto de 10 de agosto na Colômbia, há também a tragédia da identificação e o luto daqueles que perderam entes queridos, cujos restos mortais, em muitos casos, ainda permanecem nos necrotérios. Essa é a situação enfrentada por Santiago Lloreda e sua esposa, Vivian Reyes, que tentam recuperar os corpos de sua única filha, Salma, de 13 meses, e de sua mãe, Sandra Stella Duque. Eles não possuem impressões digitais da criança, então o necrotério de Palmira, para onde ela foi levada, exige um teste de DNA. No entanto, foram informados de que o sistema de análise de amostras em Cali está sobrecarregado e que precisam enviá-las para Bogotá, juntamente com outro lote de testes pendentes. Menina e avó estavam juntas durante o terremoto No dia 10 de agosto, às 7h30, Santiago Lloreda, de 31 anos, e Vivian Reyes, de 39, já estavam em seus locais de trabalho, confiando que a avó cuidaria de Salma como fazia todos os dias desde o nascimento da menina. Por isso, estavam fora de casa quando o terremoto atingiu a região, causando o desabamento do prédio onde moravam, no quinto andar. No momento do resgate, Salma ainda estava viva e foi levada para a Clínica Imbanaco, em Cali, onde tentaram reanimá-la, sem sucesso. Seu pai relata que o corpo da menina apresentava ferimentos internos, e não externos, o que facilitou sua identificação imediata. As autoridades encontraram a menina e Stella juntas; não foi possível determinar se elas estavam no apartamento ou durante a evacuação no momento do desabamento. Assim que o processo de recuperação começou, o corpo foi levado para o Instituto Médico Legal em Palmira, explica Lloreda, porque o de Cali estava sobrecarregado: — Disseram-nos que havia mais de 200 corpos pendentes, alguns de antes do terremoto... Estão trazendo muitos corpos; isso é só o começo. Imagens aéreas mostram estruturas desabadas em Cali após terremoto — Foto: AFP Os pais tiveram suas amostras de DNA coletadas na terça-feira (11), mas para a análise, eles precisam ir a Bogotá e retornar a Cali com os resultados. O pai não está pedindo que os corpos não identificados sejam liberados para ele, mas sim uma colaboração entre laboratórios particulares e o Instituto Médico Legal para agilizar o processo de identificação. — Por favor, vamos fazer algo acontecer para que eles emitam um decreto. Não se trata apenas de Salma, mas de todos os bebês sem impressões digitais, dos pais que perderam seus bebês e de todo esse processo, além do nosso. Vamos fazer o que for preciso para não nos desgastarmos assim. Sabemos que eles não podem liberar corpos não identificados, mas deve haver outros mecanismos — afirma Santiago Lloreda. Em entrevista à rádio La FM nesta quarta-feira (12), Ariel Cortés, diretor do Instituto Médico Legal, comentou o caso, afirmando: — Temos um protocolo específico para menores de 18 anos, que estamos aplicando. Neste caso específico, um veículo está sendo enviado a Bogotá para transportar as amostras genéticas, mas o Laboratório de Genética em Cali não está funcionando devido ao risco de desabamento do prédio onde as amostras estão sendo coletadas, o que impede a entrada dos médicos. Assim que as amostras chegarem aqui em Bogotá, esperamos ter as respostas no dia seguinte. Estamos trabalhando nisso — disse o diretor. A família Lloreda Reyes também aguarda a liberação do corpo de Stella Duque. Ela era a principal cuidadora de Salma, tendo se dedicado integralmente a essa função após vender seu restaurante.
Sem teste de DNA, pais não conseguem recuperar corpo de bebê morto em terremoto na Colômbia; IML também não supre demanda
Salma Lloreda, de 13 meses, morreu junto com sua avó; o pai da menina está pedindo apoio do setor privado para o processo de identificação













