As primeiras imagens do eclipse solar total desta quarta-feira (12) já começaram a ser divulgadas, enquanto observadores em diferentes pontos do Hemisfério Norte acompanham o fenômeno. O eclipse está sendo visto de forma total em partes da Groenlândia, Islândia, Espanha e Portugal, enquanto outras regiões da Europa, do norte da África e da América do Norte terão apenas uma visão parcial. O fenômeno não será visível do Brasil. O eclipse ocorre quando a Lua passa entre o Sol e a Terra e bloqueia total ou parcialmente a luz solar. Durante a fase de totalidade, a parte mais escura da sombra da Lua, chamada umbra, percorre a superfície terrestre e faz com que o Sol seja completamente encoberto para quem estiver dentro dessa faixa. A faixa de totalidade deste eclipse terá cerca de 8.300 quilômetros de extensão. Apesar de longa, ela é relativamente estreita, com aproximadamente 300 quilômetros de largura. É por isso que um eclipse solar total pode ser observado por milhões de pessoas em determinadas regiões e, ao mesmo tempo, ser completamente invisível em outras partes do planeta. — Tem Sol, Lua e Terra, e a sombra da Lua vai fazer um caminho pela Terra. Só quem está neste caminho é que vê o eclipse do Sol. O caminho é de 300 quilômetros de largura — explica a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, que transmite o fenômeno ao vivo. O eclipse solar pode ser visto em parte do Hemisfério Norte 1 de 10 Eclipse visto da cidade de Birmingham, na Inglaterra — Foto: Ben STANSALL / AFP 2 de 10 Eclipse visto de Madri nesta quarta — Foto: DEL POZO / AFP X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 Eclipse visto de San Millán de los Caballeros, na Espanha, nesta quarta — Foto: Bill INGALLS / NASA / AFP 4 de 10 Observadores na Praia de Prado, em Marselha, na França — Foto: Miguel MEDINA / AFP X de 10 Publicidade 5 de 10 Eclipse visto no estádio Alexander, em Birmingham, na Inglaterra — Foto: Ben STANSALL / AFP 6 de 10 O eclipse ao lado do Big Ben, em Londres — Foto: Toby Shepheard / AFP X de 10 Publicidade 7 de 10 Eclipse foi visto do estádio Alexander, em Birmingham, na Inglaterra — Foto: Ben STANSALL / AFP 8 de 10 Eclipse visto do Observatório de Estocolmo, na Suécia — Foto: Fredrik SANDBERG / TT NEWS AGENCY / AFP X de 10 Publicidade 9 de 10 Famílias se reuniram na Praia La Zurriola, em San Sebastian, na Espanha, para ver o eclipse — Foto: Thomas COEX / AFP 10 de 10 Observadores no estádio Alexander, em Birmingham, na Inglaterra — Foto: Ben STANSALL / AFP X de 10 Publicidade Espanha, Reino Unido, Portugal e Itália são alguns dos lugares onde o fenômeno será observado Segundo a pesquisadora, a impressão de que eclipses totais são fenômenos extremamente raros está relacionada justamente à pequena área atingida pela sombra. — Não é que ele seja raro, acontece em geral um eclipse total do Sol por ano. Mas quem vai estar naquela sombrinha são poucas pessoas — afirma. Onde o eclipse pode ser visto A totalidade passará por partes da Groenlândia, Islândia, norte da Espanha e nordeste de Portugal. Fora dessa faixa, moradores de outras áreas do Hemisfério Norte poderão observar um eclipse parcial, quando apenas uma parte do disco solar é encoberta pela Lua. Na Espanha, a expectativa em torno do fenômeno provocou uma corrida por óculos especiais de proteção. Em Madri, o Museu Nacional de Ciências Naturais chegou a informar que seus estoques haviam acabado. A instituição participou de uma campanha que distribuiu cerca de 2 milhões de óculos gratuitamente em parceria com outras instituições. Farmácias espanholas ainda tinham algumas unidades à venda, mas os estoques também foram reduzidos rapidamente. Em Portugal, a procura igualmente aumentou nas últimas semanas. Na França e na Bélgica, o cenário foi semelhante. Em Bruxelas, uma loja recebeu duas caixas com 100 pares de óculos e, segundo o responsável pelo estabelecimento, todo o estoque foi vendido em apenas 30 minutos. A procura também levou autoridades espanholas a retirarem do mercado seis modelos de óculos que apresentavam risco de lesões oculares. Como os cientistas sabem onde o eclipse será visto? A trajetória do eclipse pode ser calculada com grande antecedência por meio de modelos matemáticos, observações astronômicas e medições dos movimentos da Terra, da Lua e do Sol. Os mapas utilizados para determinar a faixa de totalidade levam em consideração fatores como a órbita lunar, a distância entre a Lua e a Terra, a órbita terrestre e a rotação do planeta. O cartógrafo de eclipses Michael Zeiler, fundador do EclipseAtlas.com, trabalha há mais de duas décadas com esse tipo de representação. Segundo ele, os mapas precisam combinar precisão científica com uma apresentação que permita ao público entender facilmente onde o fenômeno poderá ser observado. Os cálculos atuais permitem determinar a faixa de totalidade com uma margem de erro estimada entre um e 1,5 quilômetro. A precisão pode, contudo, ser afetada por pequenas variações na rotação da Terra e por alterações no movimento da Lua. Os pesquisadores também utilizam o chamado ciclo de Saros, um padrão que faz com que configurações semelhantes entre Sol, Terra e Lua se repitam aproximadamente a cada 18 anos. O ciclo, registrado pelos antigos babilônios, ajuda a identificar padrões de eclipses futuros, mas não é suficiente sozinho para determinar a trajetória exata de cada fenômeno. Brasil não terá eclipse O eclipse desta quarta-feira não poderá ser observado do Brasil, nem mesmo de forma parcial. Para quem estiver no país, uma alternativa é acompanhar a transmissão ao vivo preparada pelo Observatório Nacional, que fará a cobertura do fenômeno a partir das 12h em suas redes sociais. O órgão também prepara uma transmissão do eclipse lunar que poderá ser observado no Brasil na madrugada entre os dias 27 e 28 de agosto. Para quem estiver em uma região onde o eclipse solar poderá ser visto, é necessário tomar cuidado com a visão. A observação direta do Sol deve ser feita somente com óculos certificados pela norma ISO 12312-2 ou com máscara de soldador equipada com vidro número 14. Também é possível acompanhar o fenômeno indiretamente, projetando a imagem do Sol sobre uma superfície. Uma das técnicas sugeridas pelo Observatório Nacional é fazer um pequeno furo em uma tampa de caixa de pizza e utilizar o material para projetar a imagem. — Se o Sol está bem alto na hora do eclipse, projeta no chão. Se está mais baixo, projeta em uma parede — explica Josina. A próxima oportunidade de observar um eclipse solar total será em 2 de agosto de 2027, quando o fenômeno poderá ser visto em partes do norte da África e do Oriente Médio. Nos Estados Unidos continentais, o próximo eclipse solar total está previsto para 23 de agosto de 2044.