No Brasil, a identificação de casos em São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos levou o Ministério da Saúde a recomendar a revacinação de toda a população de 6 meses a 59 anos de idade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O sarampo é uma das doenças com mais capacidade de se alastrar — Foto: Desiree Rios/NYT O número de casos de sarampo registrado na região das Américas em 2026 já é o mais alto em 22 anos, alertou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) em um novo informe. A Opas pede que os países reforcem a vacinação, a vigilância epidemiológica e a resposta rápida aos surtos. No Brasil, a identificação de casos em São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos levou o Ministério da Saúde a recomendar a revacinação de toda a população de 6 meses a 59 anos de idade e a aplicação de uma “dose zero” para os bebês entre os 6 a 11 meses de vida. Ela não substitui as duas aplicações futuras que devem ocorrer normalmente seguindo o calendário de rotina. De acordo com a Opas, até a semana que se encerrou em 18 de julho, as Américas registraram 47.459 casos confirmados de sarampo em 16 países e um território, além de 44 mortes em três países. Em pouco mais de um semestre, o número já é mais que o triplo das 15.011 notificações ao longo de todo o ano de 2025. A região é a segunda com mais casos no mundo, atrás apenas do Sudeste Asiático, respondendo por 27% do total. A nível global, foram confirmadas 186.168 infecções até julho, um aumento de 12% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a OMS. Guatemala, com 30.371 casos e 26 mortes; México, com 12.255 infecções e 17 óbitos; Estados Unidos, com 2.260 casos, e Peru, com 1.277 contaminados, concentram 95% dos casos confirmados nas Américas. O Canadá aparece logo em seguida, com 1.107 notificações de sarampo. O Brasil tem menos de 30 registros. Segundo a Opas, alguns dos maiores surtos da região apresentam sinais recentes de desaceleração, porém a transmissão continua ativa em diversos países e, segundo a última avaliação, o risco na região continua classificado como “muito alto”. “Essa classificação se baseia na persistência dos surtos, nas lacunas de vacinação, no acúmulo de pessoas suscetíveis e na elevada mobilidade associada a viagens internacionais e eventos de grande porte, fatores que podem favorecer a disseminação do vírus dentro e entre os países”, diz em nota. A análise também destaca o aumento da mortalidade observado em 2026 em comparação com 2025, a detecção de casos em novas áreas geográficas e o impacto desproporcional sobre populações com maiores barreiras de acesso aos serviços de saúde, incluindo comunidades indígenas e grupos populacionais com baixas coberturas vacinais. “O sarampo não permite complacência. Sabemos como detê-lo: alcançar altas coberturas vacinais, detectar precocemente cada caso suspeito e responder rapidamente para interromper as cadeias de transmissão. Cada surto evidencia as lacunas de imunidade que ainda persistem e que precisam ser fechadas com urgência, especialmente entre crianças, comunidades com baixa vacinação e populações com menor acesso aos serviços de saúde”, disse Daniel Salas, gerente de Imunização da Opas, em nota. A organização afirmou que bebês antes da idade recomendada para a primeira dose da vacina, pessoas não vacinadas ou com esquemas vacinais incompletos, populações indígenas, migrantes, pessoas deslocadas e outros grupos com barreiras de acesso aos serviços de saúde continuam enfrentando maior risco de doença grave e morte. Melancia substitui a água na hidratação? Confira dicas para não cair em pegadinhas E reforçou que alcançar coberturas vacinais de pelo menos 95% da população protegida com o esquema completo é fundamental para interromper a transmissão. De acordo com a OMS, o percentual nas Américas com a primeira e a segunda dose no ano passado foi, respectivamente, de 88% e 78%. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, a cobertura nacional com a primeira dose está em 89,2%, e a com a segunda em 73,5%. O país oferece a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, como parte do calendário infantil de rotina. Ela é aplicada em duas doses, a primeira aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece ainda a proteção de forma gratuita para todas as pessoas. O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo. É transmitido pelo ar ou por gotículas respiratórias quando uma pessoa infectada respira, tosse ou espirra. Pode causar febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e erupção cutânea e, em alguns casos, complicações graves como pneumonia, encefalite, cegueira e morte. A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a doença e evitar sua propagação.
Sarampo: número de casos nas Américas é o maior em 22 anos, alerta Opas
No Brasil, a identificação de casos em São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos levou o Ministério da Saúde a recomendar a revacinação de toda a população de 6 meses a 59 anos de idade














