0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente Lula e Davi Alcolumbre (Senado Federal) participam da Cerimônia do Dia do Exército e de Comemoração do Jubileu de 80 anos das Vitórias da Força Expedicionária Brasileira, na Itália — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Enquanto ensaia uma reaproximação com o Palácio do Planalto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ouviu de lideranças do governo Lula um apelo para colocar em votação o fim da escala 6 por 1, uma das principais bandeiras da campanha à reeleição do presidente da República. A medida, que estabelece uma jornada de trabalho de 40 horas semanais em cinco dias (com dois de descanso), foi aprovada em maio deste ano pela Câmara dos Deputados, mas desde então não andou no Senado. Mas apesar da insistência da tropa lulista no Congresso, Alcolumbre tem se esquivado quando provocado sobre o assunto, evitando dar qualquer sinalização concreta sobre o encaminhamento da matéria. “A culpa é do Lula, que ficou 90 dias sem falar comigo”, disse o presidente do Senado a um influente parlamentar da base governista. Depois do afastamento de três meses, Lula e Alcolumbre tiveram um primeiro encontro, na semana passada, para um jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes. Uma nova reunião entre os dois está prevista para esta quarta-feira (12). ‘Mão beijada’ Embora o jantar da semana passada tenha sido dedicado a uma “lavagem de roupa suja”, como definiram aliados, em que só se falou do motivo do rompimento entre eles – a derrota histórica que Alcolumbre impôs ao candidato de Lula ao Supremo, o advogado-geral da União Jorge Messias –, nos próximos a intenção é discutir questões de interesse do governo para o futuro. As perspectivas de conseguir demover a resistência do presidente do Senado, porém, são pequenas. De acordo com aliados do senador, o fim da escala 6 por 1 só será discutido na Casa após as eleições de outubro, já com o cenário da corrida presidencial definido. O cálculo político de Alcolumbre tem sido influenciado por dois fatores: a pressão de empresários nos bastidores contra a aprovação do texto, temerosos com o impacto da medida para a economia brasileira; e o fato de o projeto ter se convertido numa bandeira eleitoral de Lula, com forte adesão popular. Pesquisa Quaest divulgada em julho apontou que 69% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6x1, ante 22% que se posicionam contra. “Alcolumbre não vai dar esse presente assim de mão beijada pro Lula”, afirmou à equipe da coluna um aliado do senador. “Lula vai ter que ganhar a eleição sem isso. Depois, leva [a aprovação do fim da escala].” Nas 84 páginas do plano de governo divulgado na semana passada, a campanha de Lula diz que, se for reeleito, o presidente manterá a “ação junto ao Senado Federal para assegurar o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas, sem redução salarial, nos termos aprovados na Câmara dos Deputados.” Já o candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, que aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, é crítico ao projeto, que considera “eleitoreiro”. “Todos nós queremos trabalhar menos e ganhar mais, só que é uma legislação que está atrasada, engessada, que vai causar um impacto nos municípios de 50 bilhões reais por ano se for aprovada dessa forma”, discursou Flávio durante a Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, em maio deste ano. Nesta terça-feira, Flávio criticou Moraes, a quem chamou de “grande articulador político de Lula, promovendo encontro dentro da casa dele com outros políticos”. Flávio também ficou irritado com a articulação de Alcolumbre nos bastidores para que a federação União Brasil-Progressistas não apoiasse a sua candidatura à Presidência da República, se mantendo neutra na disputa. ‘Lavagem de roupa suja’ Em um sinal de distensão com o Planalto, Alcolumbre se reuniu com Lula na terça-feira retrasada (4) na casa de Moraes, localizada no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, conforme revelou a colunista do GLOBO Bela Megale. O tom da conversa foi descrito por interlocutores de ambos como uma espécie de “lavagem de roupa suja”. Na ocasião, os dois tocaram num dos pontos mais traumáticos da relação entre o Planalto e o Congresso neste terceiro mandato do petista: a rejeição da escolha de Messias para uma vaga na Corte, em abril deste ano. Alcolumbre foi um dos principais artífices da derrota histórica do governo. Depois disso, apesar dos apelos de auxiliares, Lula se recusou a encontrar o presidente do Senado e chegou a dizer que apresentaria novamente o nome de Messias para o STF. De acordo com relatos de aliados, ele disse que foi o primeiro a alertar o Palácio do Planalto de que Messias não teria os 41 votos suficientes para confirmar a sua indicação para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro do ano passado.
A resposta de Alcolumbre ao apelo de petistas para votar o fim da escala 6 por 1
A resposta de Alcolumbre ao apelo de petistas para votar o fim da escala 6 por 1








