Trabalhadores humanitários já haviam sido detidos em junho, perto da fronteira com Irã, pela polícia da moralidade do país porque suas barbas não eram compridas o suficiente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 ONU denuncia prisão de dois de seus funcionários no Afeganistão — Foto: Wakil Kohsar/AFP Dois membros da missão da Organização das Nações Unidas no Afeganistão foram detidos pelos serviços de inteligência do governo talibã sem que nenhuma acusação tenha sido formalizada contra eles, informou a ONU à AFP nesta terça-feira. As detenções ocorreram na véspera do quinto aniversário do retorno do Talibã ao poder, após a tomada de Cabul em 15 de agosto de 2021 e a fuga do presidente afegão, apoiado pelos Estados Unidos e por uma coalizão ocidental. "Confirmamos que dois funcionários afegãos do sexo masculino da UNAMA [sigla da missão] foram detidos por agentes da Direção-Geral de Inteligência no domingo, 9 de agosto, na província de Herat", afirmou a delegação em comunicado. O governo afegão não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da AFP. O gabinete do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, pediu respeito ao status especial dos funcionários da ONU. “Não fomos informados das acusações contra eles, nem nos foi permitido vê-los”, disse Farhan Haq, porta-voz de Guterres. Museu da resistência do Afeganistão é reformado pelo regime talibã 1 de 12 Museu da resistência do Afeganistão é reformado pelo regime talibã — Foto: Wakil Kohsar/AFP 2 de 12 Mais de um milhão de afegãos foram mortos e milhões foram forçados ao exílio durante ocupação soviética que durou uma década e terminou em 1989 — Foto: Wakil Kohsar/AFP X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Exposição relembra sofrimento de civis e luta pela independência — Foto: Wakil Kohsar/AFP 4 de 12 O Museu da Jihad é um edifício com mosaicos azuis e brancos brilhantes nas colinas de Herat, no oeste do Afeganistão — Foto: Wakil Kohsar/AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Dos 21 combatentes, ou mujahidin, em seu grupo, apenas sete sobreviveram — Foto: Wakil Kohsar/AFP 6 de 12 Dentro do edifício, uma exposição criada por acadêmicos do departamento de arte da Universidade de Herat relembra o sofrimento dos civis e a luta pela independência — Foto: Wakil Kohsar/AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Existem figuras de gesso representando mulheres atirando pedras contra as forças governamentais pró-soviéticas ou cuidando de combatentes feridos, sendo que uma delas passa um rifle para um homem — Foto: Wakil Kohsar/AFP 8 de 12 Quando o museu foi inaugurado em 2010, e por muitos anos depois, as estatuetas exibiam os rostos dessas mulheres e desses homens — Foto: Wakil Kohsar/AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Mas hoje, suas bocas, narizes e olhos foram removidos, restando apenas barbas e cabelos nos homens — Foto: Wakil Kohsar/AFP 10 de 12 O governo talibã, que assumiu o poder pela segunda vez em 2021, proibiu representações de seres vivos sob sua interpretação rigorosa da lei islâmica — Foto: Wakil Kohsar/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 O jardim ainda está repleto de vestígios da guerra: um caça soviético, helicópteros, tanques, peças de artilharia pesada e veículos militares — Foto: Wakil Kohsar/AFP 12 de 12 Antigamente, o local exibia grandes retratos de comandantes mujahidin, que mais tarde lutaram entre si em uma guerra civil que resultou na tomada do poder pelo Talibã em 1996 — Foto: Wakil Kohsar/AFP X de 12 Publicidade Exposição relembra sofrimento de civis e luta pela independência Diversas agências das Nações Unidas operam no Afeganistão em áreas como saúde e resposta humanitária. Esta semana, a UNAMA publicou um relatório recomendando que as autoridades esclareçam “as regras que regem o uso da força, prisão e detenção” pelas instituições de segurança e “reforcem a responsabilização”. O país é governado pelo Talibã há quase cinco anos, que exerce o poder segundo uma interpretação rigorosa da lei islâmica. Como resultado, as mulheres afegãs estão proibidas de entrar nas instalações da ONU, incluindo as pertencentes a funcionários da ONU, bem como em muitos outros locais. Cerca de 20 trabalhadores humanitários foram detidos em junho perto da fronteira com o Irã, na província de Herat, pela polícia da moralidade do Afeganistão porque suas barbas não eram compridas o suficiente. Entre eles estavam trabalhadores de organizações afiliadas à ONU, de acordo com um memorando interno visto pela AFP, que foram posteriormente libertados. O Afeganistão foi severamente afetado pelos cortes na ajuda internacional e enfrenta múltiplos desafios, incluindo a chegada de milhões de cidadãos vindos do Irã e do Paquistão nos últimos anos.