Unesco alerta que número pode chegar a 4 milhões até 2030 se proibição da educação continuar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Meninas afegãs leem o Alcorão em uma sala de aula tradicional da madrassa Al Subhan, ou escola islâmica, na vila de Salihan, no distrito de Panjwai, em Kandahar, em 8 de julho de 2026 — Foto: SANAULLAH SEIAM / AFP Cerca de 2,4 milhões de jovens afegãs estão sendo privadas do ensino secundário desde o retorno dos talibãs ao poder há cinco anos, estima a Unesco, que pediu nesta terça-feira o fim das "discriminações" no país. Em 2026, o número de meninas afetadas aumentou em 200 mil em relação ao ano anterior. E, "se a proibição continuar, cerca de quatro milhões de meninas poderiam ser privadas dela até 2030", afirma a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em um novo relatório. "Estas restrições fazem desaparecer duas décadas de avanços em termos de acesso à educação", afirma. Quando o primeiro regime talibã caiu em 2001, em meio à ocupação dos Estados Unidos, o número de meninas matriculadas no ensino médio era muito limitado, mas chegou a um milhão duas décadas depois, ressalta a Unesco. Museu da resistência do Afeganistão é reformado pelo regime talibã 1 de 12 Museu da resistência do Afeganistão é reformado pelo regime talibã — Foto: Wakil Kohsar/AFP 2 de 12 Mais de um milhão de afegãos foram mortos e milhões foram forçados ao exílio durante ocupação soviética que durou uma década e terminou em 1989 — Foto: Wakil Kohsar/AFP X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Exposição relembra sofrimento de civis e luta pela independência — Foto: Wakil Kohsar/AFP 4 de 12 O Museu da Jihad é um edifício com mosaicos azuis e brancos brilhantes nas colinas de Herat, no oeste do Afeganistão — Foto: Wakil Kohsar/AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Dos 21 combatentes, ou mujahidin, em seu grupo, apenas sete sobreviveram — Foto: Wakil Kohsar/AFP 6 de 12 Dentro do edifício, uma exposição criada por acadêmicos do departamento de arte da Universidade de Herat relembra o sofrimento dos civis e a luta pela independência — Foto: Wakil Kohsar/AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Existem figuras de gesso representando mulheres atirando pedras contra as forças governamentais pró-soviéticas ou cuidando de combatentes feridos, sendo que uma delas passa um rifle para um homem — Foto: Wakil Kohsar/AFP 8 de 12 Quando o museu foi inaugurado em 2010, e por muitos anos depois, as estatuetas exibiam os rostos dessas mulheres e desses homens — Foto: Wakil Kohsar/AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Mas hoje, suas bocas, narizes e olhos foram removidos, restando apenas barbas e cabelos nos homens — Foto: Wakil Kohsar/AFP 10 de 12 O governo talibã, que assumiu o poder pela segunda vez em 2021, proibiu representações de seres vivos sob sua interpretação rigorosa da lei islâmica — Foto: Wakil Kohsar/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 O jardim ainda está repleto de vestígios da guerra: um caça soviético, helicópteros, tanques, peças de artilharia pesada e veículos militares — Foto: Wakil Kohsar/AFP 12 de 12 Antigamente, o local exibia grandes retratos de comandantes mujahidin, que mais tarde lutaram entre si em uma guerra civil que resultou na tomada do poder pelo Talibã em 1996 — Foto: Wakil Kohsar/AFP X de 12 Publicidade Exposição relembra sofrimento de civis e luta pela independência "As mulheres e meninas afegãs têm direito a aprender; é um direito humano fundamental. Têm direito a trabalhar. Devem desfrutar de liberdade de movimento (...) sem serem obrigadas a estar acompanhadas ou vigiadas, ou sofrer proibições dentro de suas comunidades", declarou Hoda Jaberian, coordenadora de programas de educação em situações de emergência, em coletiva de imprensa. "A Unesco condena mais uma vez as discriminações contra mulheres e meninas e pede o restabelecimento imediato e incondicional de seu direito à educação", acrescentou Jaberian, instando "o mundo a não desviar o olhar". Lacunas na educação Segundo a Unesco, mais da metade dos meninos e meninas em idade escolar está completamente fora do sistema educacional e mais de 90% das crianças de dez anos não sabem ler um texto simples. O Afeganistão é o único país do mundo em que o ensino médio e a educação universitária são estritamente proibidos para meninas e mulheres, recorda a organização. Primeira piloto comercial do Afeganistão volta à aviação após invasão do Talibã 1 de 4 Mohadese Mirzaee — Foto: Reprodução 2 de 4 Mohadese Mirzaee — Foto: Reprodução X de 4 Publicidade 4 fotos 3 de 4 Mohadese Mirzaee — Foto: Reprodução 4 de 4 Mohadese Mirzaee — Foto: Reprodução X de 4 Publicidade Mohadese Mirzaee, de 24 anos, fugiu para a Europa após tomada de Cabul; agora, afegã vive na Bulgária e voa profissionalmente A Unesco indica que a manutenção destas proibições pode representar uma perda de receitas estimada em 9,6 bilhões de dólares (R$ 49 bilhões, na cotação atual) até 2066 para um país que atravessa uma grave crise econômica. Apelo de Malala Durante a 6ª edição da Rio Innovation Week, realizada no Píer Mauá, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, a ativista paquistanesa Malala Yousafzai concedeu entrevista à jornalista Lilian Ribeiro, da TV Globo, na terça-feira (4) e mencionou a dificuldade de acesso à educação por meninas afegãs. — Ainda ouço histórias de meninas do Afeganistão que me dizem que até mesmo ler um livro sozinhas em casa é, para elas, um ato de resistência. Então, quando vejo a determinação e a dedicação de outras pessoas, sinto esperança e penso: ‘Sim, temos de continuar’ — afirmou. Malala Yousafzai no Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/Instagram A ativista, que venceu o Nobel da Paz em 2014, ressaltou, ainda, que cerca de 120 milhões de meninas e adolescentes em todo o mundo ainda não têm acesso à educação. — Vemos o Talibã assumir o controle do Afeganistão e retirar direitos de milhões de mulheres e meninas, impondo um sistema de segregação de gênero. Eles estão deliberadamente excluindo as mulheres da vida pública, impedindo-as de praticar esportes e de ter acesso à educação. Essa questão é urgente e preocupante. Ela importa não apenas porque precisamos proteger e apoiar as mulheres e meninas afegãs, mas também porque estamos sinalizando para meninas em toda parte que é aceitável que líderes simplesmente virem as costas — disse Malala.