Ferramenta foi apresentada nesta segunda (10) e já reúne 150 situações de jogo com vídeos e orientações para padronizar decisões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Telão informa aos torcedores que o gol foi levado ao Var — Foto: Jamie Squire/Getty Images/AFP A Uefa lançou nesta segunda-feira (10) uma plataforma para tentar tornar mais uniforme o uso do árbitro de vídeo (VAR) nas competições europeias. Batizada de Clear Line, a ferramenta reúne 150 situações de jogo acompanhadas de vídeos e orientações sobre quando a tecnologia deve ou não interferir nas decisões da arbitragem. O conteúdo foi testado pelo jornal francês L'Équipe, que avaliou a plataforma e também ouviu árbitros e especialistas sobre a iniciativa. A plataforma foi apresentada por Roberto Rosetti, diretor de arbitragem da Uefa, e está disponível gratuitamente na internet, para quem desejar acessá-la. A proposta é oferecer referências para a aplicação mais consistente das regras do jogo, especialmente em lances considerados complexos ou controversos. O princípio central é que o VAR deve ser acionado apenas quando houver um "erro claro e evidente". A Clear Line é dividida em cinco grandes temas: pênaltis, cartões vermelhos, fase de ataque, decisões factuais e erro de identidade. Dentro de cada categoria, há subdivisões com diferentes situações de jogo, acompanhadas por vídeos retirados de partidas de três competições europeias de clubes. No caso dos pênaltis, por exemplo, a plataforma aborda separadamente lances de mão na bola, agarrões ou empurrões, entradas com trava da chuteira e pisões, disputas pela bola, ações dos goleiros e simulações. Para cada situação, são apresentados os critérios que o árbitro de campo deve considerar segundo as regras e, depois, as circunstâncias em que o VAR deve recomendar ou não uma revisão da decisão. Um árbitro em atividade na Ligue 1, da França, ouvido pelo L'Équipe, avaliou que a ferramenta pode ser especialmente útil para aproximar o público da lógica por trás das decisões. Segundo ele, o conteúdo não é destinado prioritariamente aos árbitros, que já conhecem os princípios das regras, mas ao futebol de maneira geral, como uma espécie de biblioteca de imagens para explicar as intervenções e não intervenções do VAR. A própria Uefa classificou a plataforma como uma "videoteca de arbitragem da UEFA, que oferece acesso aberto sem precedentes às orientações que damos aos árbitros e aos VARs para ajudá-los a aplicar as Regras do Jogo de forma consistente em toda a Europa". Plataforma será atualizada Os 150 casos disponíveis atualmente não representam uma lista definitiva. Segundo Rosetti, a Clear Line continuará sendo alimentada com novos exemplos e será atualizada sempre que surgirem situações diferentes ou houver necessidade de esclarecer alguma orientação. A expectativa, portanto, é que a plataforma se transforme gradualmente em uma base muito maior de situações de arbitragem. Saïd Ennjimi, ex-árbitro internacional e consultor do L'Équipe, considera a iniciativa positiva, mas defende que o conteúdo também possa ser acessado em tempo real pelos profissionais responsáveis pelo VAR. — Para que ela realmente alcance seu objetivo de buscar mais coerência e harmonia, sem criar ainda mais polêmicas, é indispensável que todas as situações catalogadas sejam acessíveis em tempo real pelo VAR, por meio da inteligência artificial — disse Ennjimi ao L'Équipe. Na avaliação do ex-árbitro, isso permitiria aos operadores do vídeo consultar imediatamente a orientação correspondente a um lance e aplicar o entendimento estabelecido pela Uefa. Ele também defende que federações nacionais passem a alimentar a plataforma com situações próprias, reduzindo diferenças de interpretação entre campeonatos e competições continentais. Além de servir como ferramenta de consulta, a Clear Line pode ser utilizada na formação e no treinamento de árbitros, com a realização de atividades coletivas em níveis nacional e europeu. Possível expansão para além da Europa A ambição em torno da plataforma vai além das competições organizadas pela Uefa. A expectativa defendida por Ennjimi é que, em um cenário futuro, a ferramenta possa ser ampliada para outras federações e, posteriormente, utilizada em escala mundial. Para isso, seria necessário que as entidades nacionais passassem a contribuir com novos casos e que a base se tornasse uma referência comum para diferentes competições. A expectativa é que, com a evolução da ferramenta, o número de situações catalogadas cresça significativamente, chegando a milhares de exemplos.