O futuro da segurança alimentar na China15º Plano Quinquenal coloca a agricultura como prioridade de segurança nacional. Crédito: Ariel Liborio (Edição)Wesley Batista Filho, futuro CEO global da JBS em 2027, afirmou que manterá a estratégia atual da empresa, destacando continuidade e crescimento em novas regiões, como Sudeste Asiático e Oriente Médio. A JBS registrou prejuízo de US$ 102 milhões no segundo trimestre de 2026, com receita recorde de US$ 23,9 bilhões. Analistas apontam desafios futuros, especialmente nos EUA e Brasil, mas veem a diversificação como um diferencial. A empresa anunciou uma joint venture de US$ 2,5 bilhões com a Indonésia.Wesley Batista Filho afirmou nesta terça-feira, 11, que não pretende promover mudanças significativas na estratégia da JBS, ao assumir o posto de CEO global da companhia em janeiro de 2027. Em teleconferência de resultados, ele destacou a continuidade da gestão e o alinhamento com o atual CEO, Gilberto Tomazoni.PUBLICIDADESegundo Batista Filho, de 34 anos de idade, a sucessão interna permite preservar a estratégia construída nos últimos anos, ao mesmo tempo que abre novas frentes de crescimento. “Não esperem ver mudanças de estratégia significativas na JBS”, disse o filho de Wesley Batista e sobrinho de Joesley, responsáveis por levar adiante a expansão da companhia. Batista Filho disse que ele e Tomazoni trabalham juntos há cerca de dez anos e que ele mesmo esteve diretamente envolvido em boa parte das decisões tomadas pela companhia na última década. Ele também rejeitou a ideia de uma JBS associada à sua gestão pessoal. “Não há a JBS do Wesley Batista Filho”, afirmou. PublicidadeWesley Batista Filho (esq.), atual CEO da JBS USA, e o novo CEO global da companhia a partir de janeiro de 2027, sucedendo a Gilberto Tomazoni (dir.), que passa a ser vice-chairman do conselho de administração Foto: JBS/DivulgaçãoSegundo ele, a companhia tem 28 mil empregados e uma equipe de liderança “fortíssima”, o que reforça a continuidade da estratégia, independentemente da troca de CEO.Para os próximos anos, Batista Junior vê diversas avenidas de crescimento abertas pelos investimentos e aquisições realizados pela companhia. Uma das principais está no Sudeste Asiático, região que considera ainda pouco explorada pela JBS e que pode ser desenvolvida a partir da plataforma australiana. “O Sudeste Asiático, mais Austrália, Nova Zelândia, é um mercado enorme, que nós temos poucos negócios. Então isso abre uma avenida de crescimento enorme”, afirmou.A Austrália, segundo ele, pode funcionar como uma plataforma para a expansão da JBS nessa região. O executivo também citou o projeto em Omã como uma frente de crescimento no Oriente Médio.PublicidadeSaiba mais:Família volta ao comando da JBS, com Wesley Batista Filho como CEO global a partir de janeiroPela 1ª vez, Batistas não estarão à frente da JBSJBS anuncia joint venture com fundo soberano da Indonésia, que investirá US$ 2,5 bilhõesNos mercados em que a JBS já tem operações relevantes, Batista Filho afirmou que a companhia continuará buscando crescimento por meio da expansão de marcas nos Estados Unidos e do desenvolvimento da Seara no Brasil. “Mesmo nas geografias já conhecidas, como nos Estados Unidos, continuamos a evoluir na nossa agenda, expansão de marcas”, disse.Segundo Tomazoni, a JBS mantém aberta a possibilidade de entrar no mercado de carne de frango na Austrália, já que a proteína de aves é a principal lacuna no portfólio australiano da empresa, que ainda não encontrou condições adequadas para avançar nessa frente. A JBS acabou de anunciar uma joint venture de US$ 2,5 bilhões com o fundo soberano da Indonésia. De acordo com Tomazoni, nos dois primeiros anos da parceria, a prioridade é investir naquele país. Depois desse período, a companhia poderá direcionar investimentos para a Austrália ou outros mercados do Sudeste Asiático. PublicidadeTomazoni afirmou que a JBS ainda não tem um pipeline de investimentos ou aquisições para anunciar, mas está buscando oportunidades na Indonésia, incluindo possíveis fusões e ativos de produção.O interesse na região é sustentado pelo tamanho do mercado e pelo potencial de crescimento do consumo de proteínas. Segundo ele, a estrutura da parceria permite à JBS aproveitar essas oportunidades sem pressionar seu resultado. “Não vamos estressar o nosso balanço financeiro”, afirmou.Resultados vieram em linha com esperado por analistasEm relação aos resultados, a JBS registrou prejuízo líquido atribuível aos acionistas de US$ 102 milhões (cerca de R$ 520 milhões) no segundo trimestre de 2026, ante lucro de US$ 528 milhões (R$ 2,7 bilhões) em igual período do ano passado. A receita líquida atingiu US$ 23,9 bilhões (R$ 122 bilhões), alta de 14% na comparação anual e recorde. O Ebitda (geração de caixa operacional) ajustado recuou 8,2%, para US$ 1,26 bilhão (R$ 6,4 bilhões), enquanto a margem caiu de 6,5% para 5,3%. PublicidadeCONTiNUA APÓS PUBLICIDADEO resultado líquido foi afetado por itens não recorrentes. Segundo a companhia, os principais ajustes foram US$ 172 milhões em prêmios, juros e custos relacionados às ofertas de recompra de bonds e CRA, US$ 133 milhões referentes a acordos antitruste e US$ 81 milhões relativos ao cálculo final do ganho na aquisição da Mantiqueira. Os bancos disseram, em relatórios, que o resultado veio em linha com o esperado, mas que o cenário continua desafiador. Analistas do Citi escreveram que investimentos em processamento, marcas, execução comercial e diversificação de exportações tornaram a base de resultados mais resistente, embora um El Niño potencialmente forte e seus impactos sobre custos de grãos adicione uma variável a acompanhar até 2027.Para a XP, a baixa visibilidade em bovinos segue como desafio tanto nos EUA quanto no Brasil. A instituição vê mais riscos de baixa para o País e diz permanecer cética em relação ao ritmo de recuperação da operação norte-americana. Na Austrália, o banco aponta um ano muito sólido, mas espera normalização de margens a partir de 2027. Para os analistas, a diversificação continua sendo um diferencial importante, mas a companhia segue sem gatilhos positivos claros no curto prazo. PublicidadeO BTG Pactual afirmou que a JBS apresentou resultados do segundo trimestre de 2026 ligeiramente acima das expectativas, mas disse que o principal desafio para a companhia está à frente, diante da perspectiva de enfraquecimento da rentabilidade, sobretudo nas operações de carne bovina e frango nos Estados Unidos. Para o banco, as ações da empresa continuam sendo a “melhor proposta de valor” entre seus pares de proteínas no Brasil e nos EUA, embora não representem, neste momento, uma oportunidade clara de ganho acima do mercado.Vale ler tambémInflação volta a ficar abaixo do teto da meta, mas BC não dá pistas sobre novos cortes de jurosGênio da lâmpada: IA interpreta literalmente o que pedimos, sem levar em conta o que achamos óbvioRefinanciamento da Alloha alerta para dívida de provedores de internet
‘Não esperem mudanças de estratégia significativas na JBS’, diz Wesley Filho, próximo CEO da empresa
Para o filho de Wesley e sobrinho de Joesley, uma das principais frentes de crescimento da gigante da proteína animal está no Sudeste Asiático e na Oceania











