Menção ao apoio de Pyongyang na guerra de Putin vem em momento de dificuldades para conter as ofensivas aéreas; Seul reluta em oferecer sistemas de defesa a Kiev 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Homem observa cratera deixada por míssil russo nos arredores de Kiev — Foto: Serviço de Emergências da Ucrânia/AFP O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta terça-feira que mísseis norte-coreanos estão sendo usados nos bombardeios diários promovidos pela Rússia contra seu país, no momento em que seus sistemas de defesa parecem não dar conta dos arsenais comandados por Moscou. A denúncia foi acompanhada por declarações relutantes do governo da Coreia do Sul diante dos pedidos de ajuda militar dos ucranianos. Em publicação no Telegram, Zelensky afirmou que a cidade de Zaporíjia, no sudeste ucraniano. “foi atingida por mísseis balísticos norte-coreanos, mísseis Zircon e bombas guiadas (KABs)”, deixando sete mortos e 21 feridos. “Foi um ataque brutal, planejado para causar o máximo de danos à infraestrutura civil”, afirmou o líder ucraniano. “Minhas condolências às famílias e aos amigos. Equipes de resgate continuam combatendo um incêndio em um dos locais atingidos.” Ataques na Ucrânia deixam catedral de Kiev em chamas; 11 pessoas morreram O presidente relatou ataques contra Kiev, Kherson, Kharkiv — onde afirma que subestações de energia foram danificadas — e nas regiões de Donetsk, Dnipro e Mykolaiv, onde foram empregados drones do tipo Shahed, de tecnologia iraniana. Diante das recorrentes e mortais falhas dos sistemas de defesa, a Força Aérea Ucraniana parou de divulgar o número de mísseis russos lançados e abatidos sobre o país, mencionando apenas os drones derrubados. “Cada passo dado pela Rússia — o aumento da produção de mísseis balísticos, o envolvimento de recursos norte-coreanos, os preparativos para uma mobilização — demonstra que Moscou não está se preparando para a paz, mas sim para uma escalada do conflito”, acrescentou Zelensky, pedindo o aumento da pressão econômica sobre a Rússia e “mais assistência à Ucrânia em termos de defesa aérea”. Foto distribuída pela agência de notícias russa Sputnik mostra o presidente Vladimir Putin e o líder norte-coreano Kim Jong-un em um Aurus, de fabricão russa. — Foto: GAVRIIL GRIGOROV/POOL/AFP O apoio norte-coreano à guerra do presidente Vladimir Putin na Ucrânia não é exatamente uma novidade: desde os primeiros meses do conflito há indícios de que Pyongyang estava fornecendo parte de seus vastos arsenais de munições de artilharia e foguetes para os russos, em troca de dinheiro e bens de primeira necessidade. Mas a relação evoluiu ao longo dos anos, passando a incluir um pacto de segurança e visitas mútuas de seus líderes, com direito a fotos, apertos de mãos e passeios em veículos blindados. Na semana passada, um integrante da inteligência ucraniana relatou à agência Reuters que uma unidade de mísseis norte-coreana estava sendo instalada no oeste russo, com capacidade alegada para lançar até 120 mísseis balísticos contra a Ucrânia. Recentemente, o regime de Kim Jong-un enviou uma remessa de 40 mísseis balísticos de curto alcance dos tipos KN-23 e KN-24, além de pessoal apto a operá-los, para a Rússia. Especialistas militares dizem que eles podem levar mais cargas explosivas do que os russos Iskander, mas têm uma precisão menor, elevando o risco de mortes entre civis. Teste com míssil Hwasong-14, da Coreia do Norte — Foto: KCNA VIA KNS/AFP Zelensky, em seu pronunciamento diário à nação na segunda-feira, disse que foi tomada uma decisão para o envio de até 50 mil militares norte-coreanos ao território russo. Contudo, ele alegou que, mesmo diante de ataques cada vez mais violentos, “esta é a primeira vez na História da Rússia que eles não têm mais uma retaguarda estratégica segura, e “a primeira vez que eles não podem lutar sem reforços da Coreia do Norte”. — Quanto mais ataques norte-coreanos sofrermos aqui, na Ucrânia, na Europa, quanto mais seus mísseis e soldados forem utilizados, quanto mais corrigirem suas imperfeições e ignorância, maiores serão os perigos para o Japão, para a República da Coreia (Coreia do Sul), para as Filipinas e outros países da região — acrescentou Zelensky. Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky — Foto: Andrej ISAKOVIC / AFP Por enquanto, a mensagem não ecoa como o ucraniano gostaria nas principais capitais do leste da Ásia. Em resposta aos pedidos de Kiev por mais sistemas de defesa, um representante do governo sul-coreano disse, citado pelo jornal Korea Times, que "o fornecimento de materiais de defesa pela Coreia do Sul a qualquer país sempre foi realizado em conformidade com a legislação nacional". —O governo ofereceu apoio à Ucrânia em diversos setores, incluindo energia, infraestrutura, saúde e educação, e continuará analisando medidas para ajudar a Ucrânia a restaurar a paz e a se reconstruir — afirmou o representante do Ministério das Relações Exteriores, sem citar as armas pedidas por Zelensky, mas reconhecendo que a relação entre Pyongyang e Moscou viola resoluções da ONU. — A posição do nosso governo é que essa cooperação deve cessar imediatamente. Estamos acompanhando o assunto de perto. Nesta terça-feira, a Ucrânia voltou a realizar ataques dentro de território russo, e afirma ter atingido uma refinaria a mais de 6 mil km da fronteira, em Komsomolsk-no-Amur, na região de Khabarovsk, a cerca de 400 km da divisa com a China. Caso confirmado, terá sido o alvo mais distante a ser alvejado pelos ucranianos. Até o momento, as autoridades russas dizem investigar um incêndio no local, sem dizer as causas. Houve ainda um ataque contra instalações industriais em Orsk, a 1,5 mil km da Ucrânia, e contra ao menos um armazém da gigante do comércio eletrônico Wildberries, que entraram para a lista de alvos de Kiev, em Voronej. — Haverá mais ataques de longo alcance ucranianos, que devem demonstrar à Rússia e aos russos que a paz é necessária — disse Zelensky na segunda-feira.