Medo, ansiedade, tremores, distúrbios do sono e dificuldade de concentração podem surgir após uma emergência 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Terremoto na Colômbia: em corrida contra o tempo, socorristas buscam sobreviventes após abalo que deixou mais de 130 mortos — Foto: JAIME SALDARRIAGA/AFP Um terremoto ou qualquer outra situação de emergência pode não apenas causar danos materiais ou colocar em risco a segurança física das pessoas, mas também desencadear uma série de respostas emocionais e fisiológicas que podem surgir nos momentos iniciais da emergência e persistir por dias ou semanas. Em situações como essa, algumas pessoas podem apresentar um bloqueio mental temporário, dificuldade em processar instruções ou tomar decisões, além de imagens, memórias ou sons relacionados à experiência. Essas reações podem ocorrer mesmo após o término do evento e estão entre as diversas formas pelas quais o corpo pode reagir a uma situação extraordinária e ameaçadora. Em um nível emocional, medo, confusão, desorientação, tristeza, ansiedade e uma sensação de perda de controle podem surgir como parte dessa resposta. Nem todos reagem da mesma forma ou apresentam os mesmos sintomas, portanto, a resposta a uma emergência pode variar dependendo do indivíduo e de suas circunstâncias específicas. — Fisiologicamente, o corpo pode reagir com palpitações, tremores, aperto no peito, distúrbios do sono e dificuldade de concentração. É importante entender que essas manifestações, por si só, não significam que a pessoa esteja perdendo o controle ou desenvolvendo imediatamente um transtorno mental, mas sim que podem corresponder a respostas fisiológicas e emocionais a uma situação de emergência — explica Nathalia Patricia Rey Gómez, professora da Faculdade de Psicologia da Universidade Católica da Colômbia. Quando uma reação requer atenção profissional? Uma das questões que surge após uma emergência é como determinar se as reações emocionais são uma resposta esperada ao ocorrido ou se podem exigir apoio profissional. Segundo o especialista, a intensidade dos sintomas, a sua duração e o impacto na vida diária são alguns dos fatores que ajudam a identificar quando é aconselhável procurar ajuda. Durante as primeiras horas ou semanas após uma emergência, podem surgir sintomas como choro, angústia, medo, distúrbios do sono ou uma necessidade constante de reviver o evento. Essas reações podem ocorrer enquanto a pessoa processa a experiência e lida com as consequências do ocorrido. No entanto, a situação exige maior atenção quando o desconforto é intenso, o estado de alerta constante persiste ou os sintomas continuam e interferem nas atividades diárias, como comer, dormir, trabalhar ou interagir com outras pessoas. Nesses casos, recomenda-se consultar um profissional de saúde mental. — É importante diferenciar essas reações de condições como estresse pós-traumático ou depressão, que exigem avaliação profissional. Alguns sinais de alerta podem incluir memórias intrusivas persistentes, isolamento, oscilações de humor prolongadas, sentimentos de desesperança ou pensamentos relacionados à perda de sentido na vida — afirma Rey Gómez. A diferença, portanto, reside não apenas no aparecimento de uma emoção ou sintoma específico, mas também em sua intensidade, duração e impacto na vida diária. Uma pessoa pode sentir medo, ansiedade ou dificuldade para dormir após uma emergência sem que isso signifique necessariamente que esteja desenvolvendo um transtorno mental. Observar a evolução dessas manifestações é essencial para identificar quando uma avaliação profissional se faz necessária. Impacto de uma perda O impacto emocional pode ser ainda maior quando uma emergência resulta em perdas pessoais ou materiais. A morte de um familiar, a perda de uma casa ou a interrupção de planos de vida podem desencadear processos de luto que exigem apoio. Nesses casos, a atenção inicial deve se concentrar em fornecer apoio, segurança e atender às necessidades básicas da pessoa. Nesse contexto, o Primeiro Socorro Psicológico (PSP) pode contribuir oferecendo uma presença acolhedora, escuta empática e um ambiente seguro. Eles também podem facilitar a conexão das pessoas afetadas com suas famílias, comunidades e redes de apoio institucional, especialmente em momentos em que a incerteza e as consequências da emergência podem dificultar a capacidade de lidar com o ocorrido. — À medida que a fase crítica passa, o apoio psicológico pode ser direcionado para o processamento da perda e a reconstrução gradual do projeto de vida. É essencial haver espaços de escuta e acompanhamento que permitam reconhecer o processo de luto, fortalecer os recursos pessoais e promover uma adaptação gradual, sem pressionar ou acelerar o ritmo de cada pessoa — aponta a professora. Portanto, o apoio não deve se concentrar em acelerar o processo de luto ou em estabelecer quanto tempo uma pessoa deve levar para se recuperar. A adaptação após uma tragédia pode se desenrolar de maneira diferente em cada caso e requer espaços que permitam o reconhecimento das emoções e o fortalecimento dos recursos pessoais. Rotinas, apoio e autocuidado Após uma emergência, retomar gradualmente algumas rotinas diárias pode contribuir para uma sensação de estabilidade. Manter certos hábitos pode ajudar as pessoas a retomar as atividades e a recuperar gradualmente a sensação de normalidade após uma experiência extraordinária. Exercícios simples de respiração lenta e consciente também podem ser úteis, assim como manter contato com pessoas de confiança, limitar a exposição constante a notícias ou boatos e garantir descanso e autocuidado. A rede de apoio também desempenha um papel importante. Familiares, amigos e outras pessoas próximas podem ajudar a lidar com o impacto emocional de uma emergência, oferecendo uma presença sem julgamentos e sem pressão à pessoa que está passando por essa experiência. Ouvir sem julgar, respeitar os silêncios e evitar expressões que minimizem a dor, como "tudo acontece por uma razão" ou "você precisa ser forte", são algumas maneiras de apoiar respeitosamente uma pessoa afetada. — Apoiar sem revitimizar significa respeitar o silêncio, acompanhar com gestos simples e não julgar a forma como cada pessoa expressa seu sofrimento. A escuta ativa e uma presença serena podem ser fundamentais nesses momentos — destaca Rey Gómez. Assim, prestar apoio após um terremoto ou outra emergência não se resume a perguntar como alguém está ou tentar ajudá-lo a superar rapidamente o ocorrido. Envolve também reconhecer que podem existir respostas físicas e emocionais à experiência, respeitar o ritmo individual e estar atento às manifestações que, devido à sua intensidade, persistência ou impacto na vida diária, possam exigir atenção profissional.