Sob a gestão de um governador interino definido pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o Rio de Janeiro vai às urnas tentando colocar fim à sequência de intervenções, decisões e apoios federais na área econômica, de segurança pública e política.

Nos últimos dez anos o estado assinou dois acordos de renegociação da dívida, recebeu uma ajuda financeira extraordinária às vésperas das Olimpíadas e teve por três vezes a atuação das Forças Armadas, sendo uma intervenção federal, na segurança pública.

A crise no estado tem relevância nacional em razão do peso econômico e político do estado, segundo maior PIB estadual e segunda maior região metropolitana em população. Especialistas apontam ainda uma via de mão dupla para explicar a frequência de atuações do governo federal no estado que abriga a antiga capital federal.

"A tradição do Brasil de ter o Rio de Janeiro como capital não foi destruída. Brasília, de uma maneira ou de outra, não conseguiu substituir o papel do Rio de Janeiro como capital. Então esse tipo de investimento na capitalidade do Rio de Janeiro faz com que essa intervenção de fora seja aceita e entendida como alguma coisa da esfera natural", afirma a historiadora Marly Motta.

A sequência de atuações federais extraordinárias começou na década de 1990. Em 1994, as Forças Armadas foram mobilizadas para tentar desfazer o controle territorial das facções que, naquela época, expandiam seu poderio bélico.